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30 de abril de 2009
Pluralidade lingüística, escola de bê-á-bá e teatro jesuítico no Brasil do século XVI
A nossa prática docente nos cursos de História da Educação na Universidade Federal de São Carlos nos tem possibilitado perceber a carência de estudos sobre os primeiros séculos da educação brasileira, o que nos motivou a elaborar o projeto de pesquisa Educação, História e Cultura no Brasil (1549-1759), do qual este artigo é um resultado parcial.
Esta temática, além de se constituir num dos elementos estruturais da progênie societária brasileira, leva em conta o fato de que determinados assuntos da nossa historiografia têm permanecido na sombra.1 Tal como assinalou Ciro Flamarion Cardoso, o período colonial foi praticamente esquecido das pesquisas, passando a predominar uma preferência maciça pelo "passado extremamente recente ou o presente imediato" (Cardoso, 1995, p. 5). Ele chama a atenção para o que classificou de "modismos", enfatizando a necessidade de se retomar assuntos cujos estudos foram interrompidos sem que chegássemos a uma compreensão satisfatória sobre a sua importância na formação social brasileira. O abandono de temas explicativos sobre a gênese da nossa constituição societária e a preferência pelo presente e pelos objetos emergentes, tendência prevalecente na historiografia atual, traz-nos à mente a análise de Bourdieu sobre a "hierarquia social dos objetos", assinalando que "a redundância observada nos domínios mais consagrados" é "o preço do silêncio que paira sobre outros objetos" (Bourdieu, 2001, p. 36).
Metodologicamente, ao enfocarmos a catequese e o teatro jesuítico como formas de educação no século XVI estamos buscando entender a manifestação do geral, ou seja, a formação da Nação e do Estado, com base na materialização do particular. Neste sentido, o processo de aculturação dos povos indígenas desencadeado pela Companhia de Jesus ainda deve ser objeto de investigação no campo educacional porque se constitui num elemento fundamental da construção histórica da Nação e do Estado brasileiros.
Com base em fontes primárias, principalmente as cartas escritas pelos primeiros jesuítas no Brasil, neste artigo consideramos educação as práticas de catequese em geral, uma vez que não se pode falar ainda de uma escola institucionalizada no século XVI, nos moldes que conhecemos hoje. Para ser catequizado, porém, era necessário que o índio soubesse o bê-á-bá.
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