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Estudos Funcionalistas no Brasil


30 de abril de 2009


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Os estudos funcionalistas têm tido grande incremento no Brasil, nos últimos anos, particularmente nos anos 90. Os pólos de interesse estão localizados especialmente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

São pioneiros, no país, com linhas definidas, Evanildo Bechara e Rafael Hoyos-Andrade, o primeiro na linha estruturalista-funcionalista de E. Coseriu, o segundo na linha de centração sintática de A. Martinet. Rodolfo Ilari, por sua vez, tem papel histórico, pela consideração que faz da Escola de Praga na sua tese de doutoramento defendida na Universidade de Campinas em 1975, na qual estudou os recursos que expressam a perspectiva funcional da frase no português do Brasil (texto publicado em Ilari (1986), com reedição em 1992). Significativa é a indicação do prefaciador da obra, Ataliba T. de Castilho, que salienta o fato de que, nos anos 80, uma ampliação do aspecto teórico e metodológico levava necessariamente a preocupações de caráter discursivo e textual. O livro trata, na sua essência, de uma questão fundamental dentro de uma gramática de orientação funcionalista: o dinamismo comunicativo da linguagem, e, muito especificamente, a consideração da articulação tema-rema como forma de realizar as funções da linguagem, enquanto processo de caráter discursivo. Outro pioneiro é o próprio Castilho, que, sem invocar uma linha específica dentro do funcionalismo, trabalha, entretanto, desde os primeiros estudos, dentro da consideração de uma interface entre a sintaxe, a semântica e a pragmática, visão que está na base de qualquer teoria funcionalista.

Pode-se dizer que Evanildo Bechara foi funcionalista desde os seus primeiros trabalhos filológicos. O estudo sobre os meios de expressão do pensamento concessivo em português (Bechara, 1954), apresentado ao Colégio Pedro II para defesa de Cátedra, trata a questão da concessão sob um ponto de vista da interação, antecipando nas suas formulações o próprio modelo de interação verbal que o funcionalismo hoje apresenta: `A prática cotidiana habilitou o homem a pressupor, no correr de suas asserções, a objeção iminente. Enunciar o pensamento contando e obstruindo os obstáculos que o interlocutor ou interlocutores apresentariam era o propósito da idéia concessiva.' (Bechara, 1954:9). Temas caros ao funcionalismo entram significativamente no estudo: a incorporação das diversas funções na gramática (`a concessão deve ter nascido no momento em que as declarações do falante sentiram o peso do argumento contrário do interlocutor', p. 9); a fluidez de categorias (`nem sempre se traçam demarcações rigorosas nos meios de expressão que traduzem a gama variada e complexa de nossos pensamentos', p. 11); a gramaticalização (`se a vitalidade do vocábulo não suportar a alteração sofrida, criam-se novos meios de expressão', p. 23).

 



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