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30 de abril de 2009
A primeira notícia no Brasil sobre gramática gerativa veio de dois artigos publicados na revista Tempo Brasileiro, em 1967, um de Lemle e outro de Mattoso Câmara, no qual esse último afirmava ser o gerativismo uma variedade do estruturalismo. O primeiro curso de gerativa no Brasil foi ministrado por Sara Gudschinky, em 1994, na UnB. Mais tarde, a teoria é apresentada por Míriam Lemle, no Museu Nacional; por Heles Contreras no I Instituto de Lingüística em 1968; por John Martin, em vários Institutos Brasileiros de Lingüística e depois na PUC-SP. As primeiras teses seguindo esta teoria foram as de Eunice Pontes (1969/ 1973) sobre verbos auxiliares no português; de Leila Barbara (1971/1975) sobre asseveração e não-asseveração; e de Mary Kato (1972/1974) sobre a semântica do artigo definido. A partir de então, a sintaxe na linha gerativa passa a ser ministrada também por professores que obtiveram sua formação parcialmente no Brasil e parcialmente no exterior, através de Institutos e estágios.
Até 1974, o ensino e a pesquisa da gerativa dependiam muito de professores e orientadores estrangeiros, em geral americanos. Vários passaram por aqui: John Martin, Mercedes Roldan, Carl Harrison, Marianne Esztergar, Frank Brandon, Quentin Pizzini, Anthony Naro, Christian Rohrer. Naro, conforme depoimento de Perini, foi, dos estrangeiros, o mais importante; aqui se radicou e permaneceu, formando toda uma geração no Rio não só de gerativistas, mas também, e sobretudo, de variacionistas. John Martin teve também certa influência no início, tendo passado pela PUC-SP, PUC-Campinas, UNICAMP e PUC-PR.
Na década de 1970, havia alguns brasileiros estudando gerativa no exterior: Antônio Carlos Quicoli, na Universidade de SUNY, Buffalo, o primeiro brasileiro a obter Ph.D. na área, Milton Azevedo, na Universidade de Cornell e Perini, na Universidade do Texas2. Com o retorno de Quicoli e de Perini, cresce o espaço da área. Quicoli vai para a UFRJ e depois para a UNICAMP e em 1978 deixa o país. Perini, que havia voltado para a UFMG, é contratado pela UNICAMP. No Rio, Margarida Basílio3 e Mariza Pimenta-Bueno iniciam sua atuação, após terem concluído doutorado, respectivamente, na Universidade do Texas e na Universidade de Stanford4.
Têm início, assim, quatro pólos principais de estudos gerativos: UFRJ, PUC-SP, UNICAMP e UFMG. Na UFRJ tem andamento pesquisas orientadas por Naro, Lemle e Basílio. Na PUC-SP formam-se pesquisadores sob a orientação de Mary Kato e Leila Barbara. Em Campinas, sob a orientação de Quicoli, Pizzini e Brandon, desenvolvem-se várias pesquisas. Na UFMG, Eunice Pontes, após publicar suas duas teses, continua suas atividades ao lado de Perini, indo exercer seu papel de formadora também na UnB.
As obras didaticamente mais importantes foram o livro de Perini (1976) sobre a TP com análises do Português e o de Lemle (1984) sobre o período da TPE. Não se pode deixar de referir, aqui, a publicação dos Anais do Encontro Nacional de Lingüística da PUCRJ, que, até 1986, ofereceram um painel abrangente de quais eram as pesquisas realizadas e em andamento e de quem fazia lingüística no Brasil.
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