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Artigos de Pedagogia


Gramática


30 de abril de 2009


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Uma contribuição para aquisição de segunda língua: auxiliares e pronomes partitivos em Italiano e Francês

Nosso objetivo neste estudo é fazer uma ponte entre a lingüística teórica e a lingüística aplicada, em particular no que diz respeito à compreensão do funcionamento, ao ensino e à aprendizagem de línguas. Normalmente, pensa-se que existe um abismo entre esses tipos de conhecimentos. Por um lado, acredita-se que os "teóricos" estão interessados (quase) exclusivamente na tarefa de procurar construir a melhor teoria para abordar aspectos do comportamento das línguas. Aparentemente eles estão interessados apenas em fazer, desfazer e refazer a teoria a cada nova evidência empírica ou a cada insight sobre a melhor forma de explicar, nos termos da teoria com que trabalham, um determinado fenômeno. Por outro lado, acredita-se que os "práticos" estão interessados, sobretudo, em aprender e implementar técnicas que visam incrementar o aprendizado. O que aparentemente lhes interessa é manter os aprendizes motivados e, por conta da premência de sua atuação, o custo de aprender uma teoria lingüística é muito alto. E, tendo em vista que o que deve ser ensinado/aprendido é a língua como um todo, o custo é tanto maior porque implica aprender teorias (parciais) de cunho fonológico, morfológico, sintático, etc.

A ponte a ser construída aqui procura ligar a sintaxe gerativa e o ensino de italiano e francês (a alunos brasileiros), em particular da parte da gramática que diz respeito à seleção de auxiliares e ao uso de um certo tipo de pronome quando está em jogo um conjunto particular de verbos. Em gramática gerativa, este fenômeno é conhecido como inacusatividade. Uma das principais conseqüências das pesquisas sobre inacusatividade foi estabelecer que os verbos monoargumentais ou ditos intransitivos, que antes eram concebidos como membros de uma única classe, constituem na verdade duas classes perfeitamente distintas. Uma das classes (que doravante vamos rotular de verbos inergativos), que exemplificamos com o verbo trabalhar, se caracteriza por ter seu único argumento identificado como o argumento externo (AE), (Não tem sentido o comentário) com propriedades semelhantes às do sujeito dos verbos transitivos; a outra (rotulada de verbos inacusativos), que exemplificamos com o verbo chegar, tem o único argumento identificado como o argumento interno (AI), com propriedades semelhantes às do objeto dos verbos transitivos.

Durante os anos oitenta, com os trabalhos dentro da teoria gerativa, avançaram significativamente os conhecimentos sobre a inacusatividade, um fenômeno que a sintaxe das línguas naturais reflete de modo muito intrigante (o estudo de Burzio (1986) é um dos mais abrangentes sobre o assunto). Estes reflexos podem ser observados em níveis amplos como o da tipologia lingüística ou em níveis mais restritos como o das (micro-)variações entre línguas com estreito parentesco.

 



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