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30 de abril de 2009
Em outubro de 1932, ares de euforia e renovação percorreram os corredores e salas do Museu Nacional, situado no Rio de Janeiro. Estava pronto o primeiro número da Revista Nacional de Educação (RNE), publicação mensal sob a direção de Edgar Roquette-Pinto e financiada pelo Ministério da Educação e Saúde Pública. A mais recente publicação do Museu tinha uma significativa tiragem, 12.500 exemplares, número que expressava o ideal de sua ampla distribuição por todo o território do Brasil, hercúlea tarefa atribuída à Diretoria de Informações, Estatística e Divulgação do já referido Ministério. Professores, escolas, prefeituras e diversas associações culturais e de classe passaram a receber o periódico, gratuitamente. No primeiro aniversário da publicação, sua tiragem alcançou a marca dos 15 mil exemplares (Roquette-Pinto, fev. 1932, p. 5; Teixeira de Freitas, ago.-set. 1933). Certamente, o Museu Nacional já tinha uma longa tradição de publicação científica, iniciada em 1876 com a fundação dos Arquivos do Museu Nacional, durante a direção de Ladislau Netto, com artigos de zoologia, botânica, fisiologia experimental, geologia, paleontologia, antropologia e arqueologia (Lopes, 1997, p. 240). Mas aquele era um periódico dedicado à nascente comunidade científica do Brasil e aos estudiosos dos países com os quais se fazia permuta. A RNE trazia um público-alvo muito diverso e, principalmente, ousava uma nova aposta sobre o papel do Museu Nacional na renovação da sociedade brasileira, a partir das esperanças depositadas nos novos rumos do país após 1930. Na capa do primeiro número, o leitor agraciado com um exemplar poderia observar uma figura feminina altiva e delicada tocando um imenso foco de luz. Seria uma representação de Minerva, divindade protetora de todas as atividades intelectuais, principalmente as escolares?
Nesse caso, faltar-lhe-iam a lança e o escudo característicos (Grimal, 1984, pp. 61, 359), esquecimento deveras providencial na revista de um governo que acenava, dentre outras coisas, com a pacificação social. Seria a nação brasileira? Os reflexos luminosos se espalhavam por uma paisagem algo indefinida, mas na qual se distinguem traços de habitações e montanhas, em um cenário que tanto podia ser urbano como rural. À direita, o título, a indicação do Ministério, seguidos da epígrafe que acompanhou a publicação até seu desaparecimento, em meados de 1934: ?Em todos os lares do Brasil, o conforto moral da Ciência e da Arte.
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