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terça-feira, 2 de dezembro de 2008 - 15:15

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Figura ambígua e dislexia do desenvolvimento

por: Colunista Portal - Educação

Ambiguous figure and developmental dyslexia

 Lílian Braga AlonsoI; Fabiana Maria Gomes LamasII; Paulo Ricardo Souza SampaioIII; José Ricardo Lima RehderIV

IPedagoga, pós-graduanda lato sensu em distúrbios de aprendizagem do CRDA; pós-graduações e disciplina de Oftalmologia da Faculdade de Medicina do ABC – FMABC – Santo André (SP), Brasil
IIPedagoga; Aluna de pós-graduação sensu stricto da Faculdade de Medicina do ABC – FMABC – Santo André (SP), Brasil
IIIChefe do Setor de Visão Subnormal - disciplina de Oftalmologia - Faculdade de Medicina do ABC – FMABC – Santo André (SP), Brasil
IVProfessor Titular de Oftalmologia - Faculdade de Medicina do ABC – FMABC – Santo André (SP), Brasil


 RESUMO

MÉTODOS: Survey comparativo onde foram selecionados aleatoriamente 39 escolares cursando entre a primeira e a quarta série do ensino fundamental. Deste total, 26 não apresentavam dificuldade de leitura ou mau rendimento escolar e constituíram o grupo controle. As outras 13 crianças (grupo de estudo) eram portadoras de Dislexia do desenvolvimento. Foram apresentadas, pela ordem, uma figura de Boring, uma figura com vasos de Rubin e uma figura pato/coelho de Jastrow.
RESULTADOS: Os resultados obtidos mostram que as crianças com diagnóstico de Dislexia do desenvolvimento perceberam número menor de figuras em relação às do grupo controle.
CONCLUSÃO: O exame do processamento visual de crianças com Dislexia do desenvolvimento para figuras ambíguas é alterado quando comparado ao de crianças leitoras normais.

Descritores: Dislexia; Reconhecimento visual de modelos; Percepção visual


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ABSTRACTS

OBJECTIVE: Evaluate the visual response of children with developmental dyslexia when ambiguous figure was presented in comparison with normal readers children.
METHODS: 39 children from basic school was randomly chosen. 26 were normal readers. 13 were diagnosed developmental dyslexia.Were presented the Boring figure, Rubin vessels figure and Jastrow figure.
RESULTS: Participants in the clinical group with dyslexia performed marginally less well than those in the control group.
CONCLUSION: The visual response of children with developmental dyslexia when ambiguous figure was presented is less well in comparison with normal readers children

Keywords: Dyslexia; Pattern Recognition,Visual; Visual perception


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INTRODUÇÃO

O termo ambíguo deriva do latim ambigùus,a,um 'que tem dois sentidos, equívoco, duvidoso' (1). O conceito de figura ambígua, também conhecida como figura-fundo foi desenvolvido pela Psicologia da Forma (Gestalt), e tenta explicar como percebemos figuras definidas e salientadas que ficam em fundos indefinidos (2).

Entre as chamadas figuras ambíguas mais famosas estão: a figura de Eduards Boring (velha ou jovem?), os vasos de Rubin (3) (ora percebe uma taça ora duas faces uma defronte a outra), a figura pato/coelho de Jastrow (4), e os cubos de Necker (5).

Estudos eletrofisiológicos e trabalhos de neuroimagem descrevem padrões diferenciados de ativação do córtex occipto-temporal do cérebro humano quando um indivíduo observa figuras ambíguas (3,6-7).

A Dislexia do desenvolvimento é caracterizada pela dificuldade no processamento da leitura. Outros estudos eletrofisiológicos e trabalhos de neuroimagem mostram alterações na ativação do córtex temporo-parietal do cérebro humano em indivíduos disléxicos (9-11).

Indivíduos disléxicos mostram, também, alterações nos testes de figura-fundo auditiva (12).

O que motivou a realização do presente estudo preliminar foi o fato de que, na literatura pesquisada, não encontramos nenhum trabalho científico que mostre a percepção de um portador de Dislexia do desenvolvimento frente a uma figura ambígua.

 

OBJETIVO

Conhecer a percepção de leitores normais e de portadores de Dislexia do desenvolvimento durante a observação de figuras ambíguas.

 

MÉTODOS

Tipo de estudo: survey comparativo.

População e amostra: foram selecionados, aleatoriamente, 39 escolares cursando entre a primeira e a quarta série do ensino fundamental. Deste total, 26 não apresentavam dificuldade de leitura ou mau rendimento escolar e constituíram o grupo controle.As outras 13 crianças (grupo de estudo) eram portadoras de Dislexia do desenvolvimento com diagnóstico firmado pela equipe multiprofissional do Centro de Referência em Distúrbios de Aprendizagem em São Paulo – Brasil.

Critérios de inclusão

-escolaridade entre a primeira e quarta série do ensino fundamental;

-idade cronológica entre 7 e 10 anos completos;

-prévia avaliação oftalmológica e ortóptica completa;

-diagnóstico firmado de Dislexia do desenvolvimento sem alterações psicológicas ou comportamentais. Critérios de exclusão

-uso recente de medicamentos de qualquer tipo

-uso de óculos com lentes especiais.

Técnica empregada

Duas professoras do ensino fundamental, especializadas no reconhecimento de crianças portadoras de distúrbios de aprendizagem, apresentaram, na seqüência, uma figura de Boring, uma figura com vasos de Rubin e uma figura pato/coelho de Jastrow.As figuras estavam impressas em papel A4 na cor preta e sem plastificação. Cada imagem percebida totalizava um ponto. A somatória das imagens das 3 figuras resultaria em 6 pontos. Imagens inexistentes e informadas não contariam pontos. A criança recebia informações sobre o exame e a seguir era entregue uma folha de cada vez com a figura a ser testada. Nenhum outro auxílio era concedido durante o exame. Os indivíduos que necessitavam correção óptica (óculos para miopia, astigmatismo e hipermetropia) deveriam usá-lo continuamente há mais de 3 meses e também deveriam usá-lo durante a avaliação.

Variáveis dependentes

Número total de imagens percebidas pela criança nas 3 figuras apresentadas.

Variáveis independentes

Tiveram somente conotação descritiva.

 

 

 

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