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Educação Infantil - Dimensões da violência contra crianças e adolescentes


7 de novembro de 2008


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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Sendo a violência incorporada como habitus, sua manifestação é quase que inconsciente para os agressores e agressoras. Dessa forma, ela é e continuará sendo a única modalidade de ação, até que reflexões profundas acerca desta temática sejam desencadeadas. Espera-se que os dados aqui apresentados sirvam como alerta aos profissionais da área da saúde em geral, a fim de proporcionar a ruptura com o imobilismo e a passividade antiéticos, frente a situações em que a violência, em qualquer das suas dimensões, é imposta às crianças e adolescentes em todos os segmentos sociais.

Reconhecendo a violência como um problema social multifacetado, cabe aos profissionais de saúde atuarem de forma integrada com os serviços disponíveis na comunidade, entre os quais: Comitês de Proteção à Criança e ao Adolescente, Conselhos tutelares, Ministério Público, no sentido de buscar a melhoria da qualidade de vida desta população. Para tanto, a academia precisa incluir em seus Projetos Político-Pedagógicos, conhecimentos teóricos e práticos acerca dessa temática.4

No campo da Enfermagem, observamos que, após vários anos discutindo a questão da violência, parece que ela "é um fenômeno que não desejamos enxergar e não conseguimos dar-lhe visibilidade".17:171 No entanto, em nossa experiência, é possível perceber que esta realidade vem se modificando. Hoje, são inúmeros os cenários nos quais a Enfermagem atua, e são várias as modalidades de cuidado que podem desencadear ações tanto de prevenção da violência contra crianças e adolescentes quanto de diagnóstico, tratamento e notificação de casos, entre elas citamos, como locais privilegiados, as instituições de educação infantil e as escolas.

Nesses locais, além das ações coletivas realizadas em parceria com outros/as profissionais, os/as enfermeiros/as dispõem da Consulta de Enfermagem como instrumento metodológico capaz de permitir o diagnóstico da violência em qualquer de suas dimensões. O exame físico permite-nos o diagnóstico de lesões corporais e a anamnese torna possível a identificação de outras formas de violência. Além disso, a proximidade com professores e professoras, com as cuidadoras e com a família, constitui um elemento facilitador do reconhecimento do contexto social de cada criança. Isso facilita o planejamento de condutas que visam a orientar e educar para a saúde.

 

REFERÊNCIAS

1 Arendt H. Sobre a violência. Rio de Janeiro: Relume-Dumará; 1994.   

2 Costa DDG, Arejano VLT, Oliveira AMN. A violência infantil e a intervenção da equipe de enfermagem na unidade básica de saúde. In: Luz AMH, Macia JR, Motta MGC, organizadores. As amarras da violência: a família, as instituições e a enfermagem. Brasília: Associação Brasileira de Enferm. 2004; p.113-9.      

3 Ferreira ABH. Novo dicionário da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira; 1986.     

4 Motta MGC. Ensinar a prevenção contra a violência em oficinas de criatividade. In: Luz AMH, Mancia JR, Motta MGC. As amarras da violência: a família, as instituições e a enfermagem. Brasília: Associação Brasileira de Enferm.; 2004. p.95-102.      

5 Siqueira MJT, Farias R, Silva KZ, Fialho G, Manoela A, Battistin AC. A violência simbólica na relação criança-criança: o papel do educador. Texto Contexto Enferm. 1999 Jan-Abr; 8(1): 278-81. 

6 Bourdieu P. A dominação masculina. Rio de Janeiro (RJ): Bertrand Brasil; 1999.

7 Bourdieu P. Sobre a televisão. Rio de Janeiro (RJ): Jorge Zahar; 1997.

8 Ortiz R, organizador. Pierre Bourdieu. São Paulo: Ática; 1994.

9 Bourdieu p. Novas reflexões sobre a dominação masculina. In: Lopes MJM, Meyer DE, Waldow VR. Gênero e saúde. Porto Alegre: Artes Médicas; 1996. p.28-40.

10 Bourdieu P. Coisas ditas. São Paulo (SP): Brasiliense; 1990. 

11 Arendt H. Entre o passado e o futuro. 3a ed. São Paulo: Perspectiva; 1992.  

12 Biasoli-Alves ZMM. Crianças e adolescentes: a questão da tolerância na socialização das gerações mais novas In: Biasoli-Alves ZMM, Fischmann R., organizadoras. Crianças e adolescentes: construindo uma cultura da tolerância. São Paulo: Ed. USP; 2001. p.79-93.

13 Ministério da Saúde (BR). Estatuto da Criança e do Adolescente. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 1990.       

14 Ministério da Saúde (BR), Conselho Nacional de Saúde, Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos. Resolução Nº 196 de 10 de outubro de 1996: diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisa envolvendo seres humanos. Brasília(BR); 1996.  

15 Minayo MCS. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 6a ed. São Paulo: Hucitec; Rio de Janeiro: Abrasco; 1999. 

16 Zamo CGS, Dias SMZ, Raimann AC. Ensino e extensão em saúde escolar. In: Luz AMH, Macia JR, Motta MGC, organizadores. As amarras da violência: a família, as instituições e a enfermagem. Brasília: Associação Brasileira de Enfermagem; 2004. p.103-9. 

17 Elsen I. A violência bate à porta. In: Luz AMH, Macia JR, Motta MGC, organizadores. As amarras da violência: a família, as instituições e a enfermagem. Brasília: Associação Brasileira de Enfermagem; 2004. p.171-5.        

 
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