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Ensino-Aprendizagem

Artigo por Colunista Portal - Educação - sexta-feira, 31 de outubro de 2008

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Ensino-Aprendizagem - Os saberes e o fazer pedagógico: uma integração entre teoria e prática

Annatália Meneses de Amorim Gomes I;
Conceição Maria de Albuquerque II;
Ana Maria Fontenelle Catrib III;
Raimunda Magalhães da Silva IV;
Marilyn Kay Nations V;
Mirna Frota de Albuquerque IV


I Psicóloga, Assistente Social, Mestranda em Educação em Saúde da Universidade de Fortaleza - UNIFOR. Bolsista da FUNCAP
II Enfermeira. Mestranda em Educação em Saúde. UNIFOR
III Doutora em Educação. UNIFOR
IV Doutora em Enfermagem. UNIFOR
V Doutora em Antropologia Médica. UNIFOR

 

 

O saber-fazer docente desperta o interesse dos educadores que tratam deste tema sob diferentes ópticas: competência do professor; integração do conhecimento subjacente do aluno; do professor reflexivo-crítico; da proposta de educação libertadora e prática política; e reconhecimento da complexidade da educação e reflexão sobre a fragmentação das disciplinas, dificultando a interdisciplinaridade. Este estudo descritivo qualitativo trata de um processo de ensino a partir de análises teóricas e empíricas, proposto por Edgar Morin, ocorrido na disciplina Didática, no Mestrado em Educação·em Saúde da UNIFOR, em 2004. Participaram da pesquisa vinte mestrandos de várias categorias profissionais. Os resultados demonstram que a dinâmica empregada propiciou a integração, maior compreensão dos conceitos e obtenção de clima descontraído para aprendizagem. Concluímos que estratégias tais como jogo; dinâmicas grupais e psicodrama pedagógico favorecem a participação e a expressão de sentimentos, permitem a interação, assimilação e compartilhamento das experiências na elaboração coletiva do conhecimento.



Introdução

O saber-fazer do professor desperta o interesse dos estudiosos que tratam deste tema sob diferentes perspectivas: a competência do professor e a integração do conhecimento subjacente do aluno (PERRENOUD, 2002); do professor reflexivo-crítico (SHON, 2000; ALARCÃO, 2003); da proposta de educação libertadora e prática política (FREIRE, 1999) e do reconhecimento da complexidade da educação e reflexão sobre a fragmentação das disciplinas, dificultando a interdisciplinaridade (MORIN, 2003, 2004; FAZENDA, 1998).

Todas essas abordagens se complementam na tentativa de responder aos desafios que se expressam no universo do ensino-aprendizagem, no qual a prática pedagógica constitui uma das categorias fundamentais da atividade humana, rica em valores e significados, pois a questão metodológica se torna, muitas vezes, tão essencial quanto o conhecimento (LEAL, 2004).

A formulação do conhecimento torna-se uma ocasião de alargamento ativo do aprendizado do aluno, de sua prática, que pode ser predominantemente perceptiva, motora ou reflexiva. Isso poderá ser organizado mediante ações tais como estudo de textos, vídeos, pesquisas, estudo individual, debates, grupos de trabalhos, seminários e práticas nas quais se exercitam as relações que possibilitam identificar, pela avaliação, como se elabora o objeto de conhecimento. Daí, então, a necessidade da escolha de estratégias com várias e expressivas práticas sugeridas ao aluno, objetivando ultrapassar seus dados iniciais sobre o objeto do conhecimento (ANASTASIOU, 2004).

Tardif (2002, p. 128) propõe uma pedagogia que priorize a "tecnologia da interação humana, colocando em evidência, ao mesmo tempo, a questão das dimensões epistemológicas e éticas", apoiada necessariamente em uma visão de mundo, de homem e sociedade. Neste sentido, uma prática pedagógica precisa ter dinâmica própria, que lhe permita o exercício do pensamento reflexivo, conduza a uma visão política de cidadania e que seja capaz de integrar a arte, a cultura, os valores e a interação, propiciando, assim, a recuperação da autonomia dos sujeitos e de sua ocupação no mundo, de forma significativa.

No que diz respeito às relações entre pessoas e a intersubjetividade presente em todo contato humano, Moreno (1959) propõe, a partir de sua vivência e prática com grupos, teoria e metodologia psicodramáticas, as quais negam a repetição de conteúdos e pedem a aprendizagem de ações, que se adquirem na experiência e nas relações interpessoais. Neste contexto da prática pedagógica interativa, é utilizado o psicodrama pedagógico, a partir do pressuposto de que este propicia o resgate da espontaneidade por meio da ação dramática (GOMES, 2002). Como método didático, garante a aquisição do conhecimento no plano intuitivo e intelectual, permitindo o manejo do grupo como unidade (ROMAÑA, 1987; 1996).

Sobre a importância desta atuação participativa mais abrangente do aluno no decurso do ensino, Schon (2000, p. viii) comenta que o professor deve fazer uso de um conjunto de processos que combinem "o ensino da ciência aplicada com a instrução, no talento artístico da reflexão-ação", mobilizando, além da lógica, manifestações de talento, intuição e sensibilidade artística.

Corroborando esta visão, Anastasiou (2004) confirma que a função do professor é, então, de provocar, instigar, valer-se dos alunos para elaborar uma ligação com o objeto de aprendizagem que, em algum estádio, consinta em uma carência deles, auxiliando-os a tomar consciência das necessidades socialmente existentes na sua formação. Isso só acontecerá num momento propício à integração, um certo "clima de compartilhar", tendo como um ingredientes especiais à abertura a problematização e a discordância adequada aos procedimentos de pensamento crítico e crescimento.

Ainda sobre as possibilidades de significação da prática reflexiva, Silva, 2002 e Araújo, 2002 destacam o seu caráter heterogêneo e plural, o qual possibilita a inter-relação dos diferentes saberes, produzindo conhecimentos em articulação com o contexto sócio-político, econômico e cultural, que resulta numa intervenção na realidade a partir da relação com o mundo da experiência humana, com sua bagagem de valores, interesses sociais, afetos, conotações diferenciadas e cenários políticos.

Em outra perspectiva, Morin (2003) prioriza a complexidade da educação, discorrendo principalmente sobre os pressupostos e saberes que ele denomina como os sete saberes necessários à educação do futuro: as cegueiras do conhecimento; o erro e a ilusão; os princípios do conhecimento pertinente; ensinar a condição humana; ensinar a identidade terrena; enfrentar as incertezas; e ensinar a compreensão e a ética do gênero humano. Enfatiza a problemática da fragmentação das disciplinas e dos currículos, dificultando a interdisciplinaridade na educação. Evidencia o desenvolvimento de uma educação que desempenha a inter-relação do indivíduo/espécie/sociedade de forma indissociável, pois, ao mesmo tempo, recobra a identidade do sujeito, fazendo-o numa profunda relação com os outros e o planeta. Cada um desses saberes será detalhado no desenrolar deste ensaio.

Identificada ao pensamento deste autor, Leal (2004, p. 2) considera que o saber-fazer é sobretudo saber SER um educador, todos os dias, de qualquer modo, de todos os jeitos, assumindo o compromisso de formar alunos para serem sujeitos, participantes e autores da história: "é necessário não só conhecer a ciência, mas ter alma de educador, voltando-se para a vida e para as utopias".

Assim podemos perceber que não basta refletir sobre as relações entre ser e fazer, pois é preciso também analisar a inter-relação do ter com o ser. O ter-conhecimento comporta um valor importante, constituindo-se meio e instrumento para ser mais, aperfeiçoar e realizar o ser professor e aluno num processo de troca e interação de seus sentidos e significados em dado contexto histórico. O ter e o fazer devem servir para SER mais e melhor, a fim de que o ensino-aprendizagem contribua para a conscientização reflexivo-crítica dos sujeitos históricos e se recriem as possibilidades de uma pedagogia humanizadora, "numa perspectiva crítica e transformadora" (PIMENTA; ANASTASIOU, p. 81, 2002).

É neste contexto da discussão dos saberes e da prática pedagógica que este estudo se inseriu e se desenvolveu, a partir de alguns questionamentos: será que, integrando o pensamento de Edgar Morin com situações e momentos vivenciais, isto favoreceria o processo ensino-aprendizagem? Como tratar de um assunto tão extenso, filosófico e complexo de modo que as pessoas se envolvessem e apreendessem os seus significados? Com base nestas questões buscamos desenvolver um trabalho que facilite a aprendizagem e compreensão dos sete saberes de Edgar Morin pela integração de: reflexão-ação, interação entre facilitador-aluno, aluno-aluno, sentimentos, percepções e conhecimento dos pressupostos do autor na prática pedagógica de seminário.

 
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