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Objetivos Educacionais - Objetivos operacionais e eficiência da aprendizagem

Artigo por Colunista Portal - Educação - domingo, 31 de agosto de 2008

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João Alvécio Sossai

Do Departamento de Prática de Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da USP – Av. Dr. Arnaldo, 715 – São Paulo, SP – Brasil

 

 Foi verificado em que medida a aprendizagem pode ser significativamente influenciada pela informação aos estudantes antes do ensino, sobre o que é esperado deles como resultado do ensino. Os sujeitos que participaram deste estudo eram alunos de 4 classes de 5a série do 1º Grau. Dos 140 sujeitos, 69 de duas classes constituiram o grupo experimental (GE) e 71 de duas outras classes constituiram o grupo de controle (GC). Os sujeitos do GE receberam objetivos operacionais redigidos claramente enquanto que os do GC não receberam nenhuma informação sobre objetivos. Foram comparados os GE e GC como um todo, os GE e GC de nível socio-econômico alto e baixo, os GE e GC com notas altas e baixas, levando em conta, de um lado, mudanças em conhecimentos, atitudes e práticas e, de outro, mudanças apenas em conhecimentos. Embora os GE apresentaram consistentemente maior aprendizagem do que os GC, os resultados não foram conclusivos. Quando se comparou os diferentes grupos, observou-se que diferenças significativas na aprendizagem ocorreram em alguns, mas distribuídas ao acaso.


INTRODUÇÃO

A determinação daquilo que se pretende com a educação é um problema que sempre interessou os responsáveis pela orientação dos mais jovens. Enquanto esta questão estava circunscrita à esfera do lar e da família, não apresentava maiores preocupações para os diversos grupos sociais como ocorre em grande parte até hoje. À medida que parte considerável do papel educativo da família e dos grupos de referência primários foi sendo transferida para o Estado ou para as organizações formais (escolas), a determinação dos objetivos da educação passou a ser preocupação de filósofos e educadores. Aquilo que era pretendido pela Escola em relação a seus alunos passou a ter relação com o destino de um país ou nação.

Com o desenvolvimento da tecnologia e com a crescente modificação de toda a estrutura social, novos valores surgiram exigindo mudanças sucessivas do sistema de ensino dos diversos países. Enquanto os ideais da educação medieval eram voltados para valores humanistas, de ordem filosófica e religiosa, uma sociedade tecnocrata preocupa-se com a formação do homem eficiente, que produza o máximo com o mínimo de esforço. Enquanto os ideais humanísticos se constituiam em algo difícil de ser definido, a adaptação ao mundo das máquinas refere-se a coisas exatas e mensuráveis.

Diante desta revolução drástica na sociedade e que se evidenciou principalmente na segunda metade deste século, modificações profundas tiveram que ser introduzidas nas organizações educacionais tendo em vista as novas exigências de uma sociedade altamente industrializada.

Como não poderia deixar de ser, o início desse processo de modificação deveria se iniciar pela redefinição dos objetivos da educação. A preocupação agora é a de educar o homem para um mundo onde predominam a mecanização e a automação, para um mundo que exige alto nível de especialização como condição para uma adaptação razoável. Nestas circunstâncias o indivíduo deve preparar-se para funcionar como uma peça dentro de um sistema, onde a precisão e a eficiência são características fundamentais.

Este novo esquema, no qual deve estar incluído o homem, exige, portanto, que as agências educacionais encontrem uma nova forma de determinar seus objetivos, de maneira a ser possível especificar, com clareza e precisão, os comportamentos desejáveis ao final de um período em que o indivíduo for submetido a um conjunto de estímulos previamente planejados.

Novas estratégias de ensino derivadas de tecnologia do ensino têm demonstrado a eficácia de se determinar de antemão os comportamentos esperados após uma sessão de ensino ou conjunto de sessões. Diversas razões justificam a maior eficiência de um programa de ensino planejado em função de objetivos claramente definidos. Entre elas, pode-se citar a possibilidade de seleção de estratégias adequadas à consecução dos objetivos e de organização de seqüências ótimas do conteúdo de ensino.

Uma questão, entretanto, que parece de capital importância para o ensino e a aprendizagem, não tem recebido a devida atenção dos pesquisadores. Esta questão refere-se à possibilidade de se conseguir maior eficiência no processo de modificação do comportamento, informando aos indivíduos sobre os objetivos pretendidos pelo instrutor, antes de submetê-los às situações estimuladoras específicas, tendo em vista conseguir as mudanças esperadas.

O presente trabalho tem por finalidade primordial o estudo deste problema cuja importância para a educação em geral e para a educação em saúde, em especial, será discutida oportunamente.

 

2. TERMINOLOGIA

Os diversos especialistas que desenvolveram trabalhos relacionados à determinação de objetivos educativos utilizam uma terminologia variada que, com freqüência, provoca discussões desprovidas de sentido. Essa terminologia inclui as mais variadas expressões para indicar o que chamaremos de "objetivos educativos". Entre os termos ou expressões utilizados podemos citar: fins educacionais, metas educacionais, objetivos gerais, objetivos específicos, objetivos instrucionais, objetivos operacionais.

Com base na literatura tradicional pode-se afirmar que, na determinação dos objetivos da educação, se procurava distinguir dois tipos: os objetivos a longo prazo e os objetivos a curto prazo. Os primeiros eram chamados de "fins ou metas educacionais" e os segundos simplesmente de "objetivos educacionais". Outra nomenclatura que é encontrada com freqüência para indicar objetivos a longo e a curto prazo é a de chamar os objetivos a longo prazo de "gerais" e os a curto prazo de "específicos".

Trabalhos mais recentes introduzem os termos "instrucional" e "operacional" para indicar objetivos a curto prazo e ao mesmo tempo redigidos de maneira clara e precisa, expressando comportamentos observáveis.

Atualmente tem-se definido objetivo educativo como o comportamento esperado de um indivíduo ou grupo após submetê-lo a uma situação de ensino-aprendizagem.

Os objetivos educativos podem expressar de maneira mais ou menos genérica um comportamento; podem ser, portanto, mais gerais ou mais específicos. Não há um critério absoluto para se determinar o nível de generalidade ou de especificidade de um objetivo. Um objetivo específico é específico em relação a outro mais genérico que é chamado de geral. Por outro lado, este mesmo objetivo geral pode ser específico em relação a outro.

A relação entre objetivos gerais e específicos só pode ser observada quando comparamos os objetivos de um determinado programa ou quando comparamos objetivos do mesmo programa proposto em vários níveis, tais como nacional, estadual e municipal.

Os termos "instrucional" e "educacional" se equivalem: o termo "instrucional" é traduzido do inglês "instructional" que, literalmente, significa "da instrução" ou "do ensino". Ora, a educação ocorre através do processo de ensino-aprendizagem. Embora nem todo ensino leve à mudança de comportamento num sentido educativo, pode-se dizer que sempre que houver educação há ensino. Do ponto de vista de um sistema, todo ensino deve ser no sentido educativo. Daí poder-se dizer que o professor enquanto ensina está educando. De maneira geral, portanto, pode-se considerar os termos ou expressões "objetivo educacional" e "objetivo instrucional" como significando a mesma coisa, pois quando alguém ensina em nome de uma Instituição, sua intenção é a de educar. Pelo exposto, preferimos o termo "educacional" ou "educativo" (um equivale ao outro) ao invés de "instrucional".

Fundamentando-se na literatura sobre o assunto e, principalmente, tendo em vista a experiência prática, pode-se concluir que a terminologia mais simples e mais funcional deve levar em conta os seguintes conceitos:

a. Objetivo educativo ou educacional é qualquer sentença ou enunciado que expresse um comportamento esperado de um indivíduo ou grupo após submetê-lo a uma situação de ensino-aprendizagem.

b. Um objetivo educativo pode ser geral ou específico. Um objetivo geral expressa de maneira global um comportamento. Os comportamentos expressos pelos objetivos gerais implicam processos mais complexos e são atingidos ao final de um período de tempo razoável, difícil de ser determinado. Os comportamentos expressos pelos objetivos específicos devem ser geralmente atingidos a curto prazo ou pelo menos, num espaço de tempo definido. Exemplos de objetivos específicos são os comportamentos esperados dos alunos de uma classe após uma sessão de estudo ou após uma unidade de ensino.

c. A operacionalidade de um objetivo refere-se à precisão de sua redação. Quando um objetivo, geral ou específico, expressa claramente um comportamento, de maneira a não permitir múltiplas interpretações, dizemos que é operacional, ou que está redigido de maneira operacional.

 

 

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