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Prática de Ensino


30 de junho de 2008


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O significado da experiência escolar para segmentos das camadas médias



Isabel Lelis

Programa de Pós-Graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, isabell@edu.puc-rio.br


 

 

Este texto tem como objetivo revelar o sentido da experiência escolar para jovens de camadas médias, alunos de uma instituição privada confessional, da zona sul da cidade do Rio de Janeiro. Algumas questões serviram de ponto de partida para a pesquisa realizada de 2001 a 2003: como alunos com esse perfil socioeconômico e educacional constroem o seu ofício de estudante? Como articulam as relações com professores e colegas? Que relações estabelecem com as práticas de avaliação e os processos de ensinar e aprender? Relações instrumentais? Relações as quais permitem que os significados de seus grupos de referência aflorem? Que modelos de socialização são veiculados por essas escolas? O foco de análise apoiou-se em algumas das condições de produção e expressão do ofício do aluno como a caracterização socioeconômica das famílias, a trajetória escolar dos estudantes ao longo do ensino fundamental, o papel do estudo em suas vidas e práticas culturais e o lazer dos jovens.





Com o objetivo de conhecer como o jovem de camadas médias vive a experiência escolar, nas estratégias que manifesta como aluno, iniciamos em março de 2001 uma pesquisa1 em uma escola privada da zona sul da cidade do Rio de Janeiro.

Nossa intenção era a de verificar como adolescentes se relacionavam com as práticas escolares, com as tarefas cotidianas, tendo como hipótese o fato de que um conjunto de disposições nasce na família a partir dos investimentos feitos pelos pais na escolarização da prole.

Trata-se de estudo que dá continuidade à pesquisa coordenada por Zaia Brandão "Trajetórias escolares e processos de socialização", voltada para o conhecimento das práticas educacionais das camadas médias na transmissão do capital cultural e escolar a seus filhos.

Sendo ou não conscientes, as estratégias educativas desenvolvidas pelas famílias têm a capacidade de sedimentar habitus2, ajudando a entender como alunos se mobilizam diante dos estudos, das tarefas escolares, de suas preferências quanto aos estilos de ensinar dos professores etc.

Algumas questões serviram de ponto de partida para o estudo: como os alunos, filhos de camadas médias, imersos em escolas particulares constroem a experiência escolar? Como fabricam as relações com professores e com seus colegas? Que tipo de relação estabelecem com as práticas de avaliação e os processos de ensinar e aprender? Seriam relações instrumentais? Quais relações permitem que os significados culturais de seus grupos de referência aflorem? Que modelos de socialização são veiculados por essas escolas?

Com essas perguntas, a intenção era a de compreender o sentido da escolarização, que é pessoal e coletiva, e que confere ao aluno/ator a possibilidade de construir significados, efetuar escolhas, mover-se no interior da escola mediante um saber fazer, pois a escola não produz apenas qualificações e competências, ela contribui para que os indivíduos tenham disposições e atitudes (Dubet, Martuccelli, 1996), isto é, serem também sujeitos de sua própria educação.
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Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

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