O desenvolvimento tecnológico e científico dos últimos anos provocou mudanças sociais de todas as ordens e é unânime o fato de que a Educação precisa acompanhar de perto esse processo. A crescente produção de conhecimento em todo o mundo exige das escolas e universidades novas competências, nova organização. A universidade precisa ser reconstruída e a Educação a Distância é uma das facetas dessa reconstrução. Daí que a proliferação dessa modalidade de ensino tornou-se acirrada. Ano a ano, universidades em todo o país obtêm autorização do Ministério da Educação para oferecer cursos ou parte de seus cursos a distância.
O mais preocupante neste cenário é que a busca esquizofrênica pelo lucro tem levado muitas instituições a acreditar que essa modalidade de ensino pode aumentar expressivamente a quantidade de alunos por um custo baixíssimo. Além de isso ser uma falácia, o pior é que a qualidade de seus cursos é negligenciada. Esse é o tema central em debates sobre a Educação brasileira, por isso também o é quando falamos em Educação a Distância.
Existe uma polêmica entre pesquisadores em torno dos conceitos de Educação ou Ensino a Distância. Eduardo Chaves, por exemplo, sugere o uso do termo ensino, pois
a educação, como a aprendizagem, de que ela depende, é um processo que ocorre dentro do indivíduo, e, que, portanto, só pode ser gerado pela própria pessoa. Mesmo que admitamos, porém, que a educação possa ser decorrente do ensino, a aprendizagem continua sendo algo que se passa dentro da pessoa.
Por isso, prefiro dizer que o que pode ocorrer a distância é o ensino, não a educação ou a aprendizagem: estas ocorrem sempre dentro do indivíduo e, portanto, não podem ser "remotizadas". O ensino, entretanto, pode. Daqui para frente, portanto, vou falar apenas em Ensino a Distancia, nunca em Educação a Distância ou Aprendizagem a Distância, que são expressões que, para mim, não fazem sentido.
Em muitos sentidos concordo com o pesquisador, mas neste artigo prefiro usar o termo Educação a Distância (EaD), pois vou tratar do diálogo e não da entrega ou transmissão ou distribuição de conteúdos. Estou abordando, então, a educação dialógica proposta por Paulo Freire. Para o autor,
educação é comunicação, é diálogo, na medida em que não é transferência de saber, mas um encontro de sujeitos interlocutores, que buscam a significação dos significados.
Por essa razão, ainda segundo Paulo Freire, a tarefa do educador é a de problematizar aos educandos o conteúdo que os mediatiza, e não a de dissertar sobre ele, de dá-lo, de estendê-lo, de entregá-lo, como se se tratasse de algo já feito, elaborado, acabado, terminado.