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Afetividade x Escola Pública

Artigo por Jaguaracy Conceição - quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

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Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola
Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola
O Art. 3º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional estabelece os princípios que devem ser ministrados pelo ensino. O seu inciso I nos mostra o seguinte: "igualdade de condições para o acesso e permanência na escola". Entretanto, basta observar algumas instituições públicas de ensino, para chegar-se à conclusão de que na prática esse inciso é constantemente desrespeitado, em razão do número de docentes conservados ou evadidos.

Contribui para a manutenção desse "status quo" a falta da afetividade entre docente x discente. Não é possível pensar em processo de aprendizagem ignorando-a. Sabe-se que a criança que não teve uma relação tônico-afetiva equilibrada com a mãe, poderá apresentar problemas na fase escolar, que dificultarão o relacionamento e a aprendizagem, assim, a escola deveria estar preparada para enfrentar essa situação.

Diante desse fato, mais do que nunca a interação família e escola deve ser reforçada, para que as informações sobre a criança possam ser passadas aos profissionais da escola que trabalharão no sentido de vencer as dificuldades no ambiente escolar. Caberá ao docente que vai interagir com a criança privada do afeto, manter uma relação de harmonia e cheia de emoções, para que a afetividade possa ser trabalhada.

Cegalla no seu Dicionário da Língua Portuguesa nos diz que afetividade é: "conjunto de fenômenos psíquicos que se manifestam sob a forma de emoções, sentimentos e paixões acompanhados de sensação de agrado ou desagrado. Todos os fenômenos acima estão presentes na sala de aula e têm que ser trabalhados para que a aprendizagem ocorra. A Neurociência tem mostrado a importância da emoção para o aprender, pois o córtex cerebral libera um neuro transmissor, a dopamina, quando sente que uma ação foi bem sucedida, advindo daí o aprender.

É comum ouvirmos nos dias atuais que a escola pública não dispõe dos aparatos tecnológicos que facilitam o aprendizado, vez que, os(as) docentes já detêm o domínio daqueles e não sentem-se motivados a acompanhar as aulas ministradas da maneira tradicional. No que diz respeito a esse aspecto Relvas (2012, p. 141) nos diz: Penso, que o novo caminho que o professor pode percorrer a fim de despertar o interesse do estudante diante das novas aprendizagens é por meio das conexões afetivas e emocionais do sistema límbico, ou melhor, ativando o cérebro de recompensa, isso sim é que precisamos provocar, porque as tecnologias sempre mudarão, outras ferramentas mais rápidas, mais eficazes e menores para atender às necessidades dos espaços físicos e ambientais serão recriadas ou reinventadas.

Para que nós docentes possamos entender melhor os(as) nossos(as) discentes, temos que mergulhar no oceano da neurociência que vem nos oferecendo novos conhecimentos sobre o cérebro e que levam-nos a entender as palavras da citação acima. Temos que estar atentos(as) ao que nos ensina Relvas (2012, p. 141): Porém, as relações afetivas precisam ser preservadas e respeitadas, pois são centelhas energéticas que provocam a liberação de substâncias naturais conhecidas como serotonina e dopamina relacionadas à satisfação, ao prazer e ao humor, sendo que, ao inverso o estresse na sala de aula provoca a liberação de adrenalina e cortisol, substâncias que agem verdadeiramente como bloqueadores da aprendizagem, pois provocam, uma alteração na fisiologia do neurônio, interrompendo as transmissões das informações sinápticas.

Daí a necessidade de aulas que proporcionem prazer para que os neurotransmissores químicos e elétricos sejam atendidos (RELVAS, 2012), e que possamos ouvir o(a) discente que apresente dificuldades quer de aprendizagem quer de relacionamento, em razão de que muitas vezes é através desse comportamento que ele ou ela quer chamar atenção para algum problema que está a enfrentar. Vivenciamos uma situação quando Gestor de uma Escola Pública que deixou bem claro a questão da falta de relação afetiva. Havia um discente que causava uma série de problemas em sala de aula e todos(as) docentes queixavam-se, sendo ele presença constante na Direção.

Passamos a conversar com o mesmo, na tentativa de trazê-lo para o nosso lado e modificar o seu comportamento. A partir daí, passou-nos a relatar os problemas que enfrentava em casa. Segundo ele, a avó recebia o Bolsa Família e não queria comprar nem um lápis; o seu pai só queria espancá-lo e em razão disso, aprontava na escola. Devido a essa atitude em relação ao discente, passamos a ser visto por parte do corpo docente, como defensor de vagabundo.

A confirmação de que ele necessitava de afeto ocorreu quando sentado junto a nós na Arquibancada do Ginásio de Esportes onde aconteciam os Jogos da Primavera, ele pôs a cabeça no nosso ombro chegando a cochilar. Resumo do fato: ele deixou a escola, aumentando a estatística da evasão. São fatos como esse que precisam acabar na escola pública, a Escola do Povo, para que possamos vislumbrar um futuro diferente para quem a ela procura na tentativa de ver cumprido o Art. 3º e o seu inciso I.
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colunista

Jaguaracy Conceição

Jaguaracy Conceição, Professor de Educação Física com Pós-Graduação em Fisiologia do Exercício e Psicopedagogia, exerço a função na Prefeitura Municipal de Lauro de Freitas, lecionando na Instituto Profissionalizante Eurides Sant'Anna. Conhecimentos básicos de Inglês e Espanhol.