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Oralismo

Artigo por Colunista Portal - Educação - segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

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A oralização foi imposta a fim de que eles fossem aceitos socialmente
A oralização foi imposta a fim de que eles fossem aceitos socialmente
Surgiu por volta do século XVIII e a partir das resoluções do Congresso de Milão (1880). Na época a língua de sinais foi oficialmente proibida nas escolas e a comunidade surda foi excluída da política e instituições de ensino.

Essa proposta pretendia que os surdos fossem reabilitados, ou “normalizados”, pois, a surdez era considerada uma patologia, uma anormalidade. Eles deveriam comportar-se como se ouvissem, ou seja, deveriam aprender a falar.

A oralização foi imposta a fim de que eles fossem aceitos socialmente. Como nem todos eram capazes de desenvolver a oralidade, muitos eram excluídos da possibilidade educativa e do meio social. Portanto, a maioria dos surdos vivia de forma clandestina.

Para os oralistas, a linguagem falada é prioritária como forma de comunicação dos surdos, sendo indispensável para o desenvolvimento integral das crianças.

Sinais e alfabeto digitais são proibidos, recomenda-se que a comunicação seja feita pela via auditiva e pela leitura orofacial.

Por quase um século essa abordagem não foi questionada, embora a maioria dos surdos profundos não desenvolvesse a fala satisfatoriamente, conforme era exigido pelos ouvintes.

Essa filosofia educacional desencadeava um atraso global no desenvolvido, que resultava em falta de estímulo e evasão escolar. Os alunos frequentavam a escola mais para aprender a falar do que propriamente para receber os conteúdos escolares.

Houve o incremento do uso de próteses, mesmo assim, os métodos eram basicamente treinamentos de fala, desvinculados de contextos dialógicos propriamente ditos.

Por volta de 1960, surgiram alguns estudos sobre a língua de sinais utilizada pelas comunidades surdas. Apesar da proibição, era natural encontrarem em escolas ou instituições de surdos a comunicação por sinais de modo velado.

O pioneiro trabalho de William C. Stokoe (1919 – 2000) revelou que as línguas de sinais eram verdadeiras línguas, preenchendo em grande parte os requisitos das línguas orais.

Comunicação Total
O insucesso do Oralismo deu origem a novas propostas em relação á educação da pessoa surda. A abordagem que surgiu por volta de 1970 foi chamada de Comunicação Total. Nessa abordagem educacional foi permitida a prática de uma série de recursos: língua de sinais, leitura orofacial, utilização de aparelhos de amplificação sonora, alfabeto digital. Os estudantes surdos poderiam então expressar-se como achassem mais conveniente.

O objetivo era que a criança pudesse se comunicar com todos: familiares, professores, surdos, ouvintes, e assim não sofresse consequências do isolamento que a surdez proporciona. A surdez então não era entendida como patologia, mas como um fenômeno com significações sociais.
Poderiam ser utilizados os sinais da língua de sinais da comunidade surda, assim como sinais gramaticais modificados. Igualmente, tudo que era falado poderia ser acompanhado de elementos visuais. A intenção também era facilitar a aquisição da língua oral e da leitura e escrita.

Os alunos então utilizavam os sinais em contato com outros surdos fluentes. Nos ambientes escolares o uso dos sinais ocorria, porém, obedecendo à estrutura da Língua Portuguesa. Eles chamavam essa estratégia de “português sinalizado”. Mesmo com a pretensão de facilitar a aprendizagem, o português sinalizado produzia certa confusão para o aluno surdo.

Em relação ao Oralismo, a Comunicação Total trouxe benefícios, fazendo com que houvesse melhora na comunicação dos surdos. Entretanto, verificaram-se alguns problemas em relação à comunicação fora da escola. As dificuldades escolares continuaram. Alguns casos bem-sucedidos, mas a maioria com resultados acadêmicos muito abaixo do esperado.

Entre os surdos era possível desenvolver a língua de sinais propriamente dita, e nos ambientes escolares havia um misto de sinais e língua oral.
Então, estudos sobre a língua de sinais foram cada vez mais apontando para propostas educacionais alternativas que orientavam para uma educação bilíngue.
CreativeCommons

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