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Artigos de Pedagogia


A educação passa quatro vezes pelo mesmo rio do conhecimento: mergulha depois no oceano de sabedoria


1 de janeiro de 2008


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Professor Dirceu Moreira
é psicólogo, pedagogo, conferencista e

Eniete Ap.Mondoni Moreira
é psicóloga, psicoterapeuta e conferencista. 



“Educar é desenvolver todas as potencialidades do indivíduo. É comprometer-se com a moral, o respeito e o amor. É formá-lo para o verdadeiro exercício de cidadania”. Prof. Maria do Carmo.

“Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende.” Guimarães Rosa.

"Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre". Paulo Freire.

“A educação é a única capaz de formar homens com ampla visão das necessidades de um povo e que acreditam que ela é a base sólida na construção de uma sociedade justa e igualitária”. Prof.ª Maria Emília-Secretaria de Educação.

A educação passa quatro vezes pelo mesmo rio do conhecimento humano para depois desaguar num oceano de sabedoria. Todos seus afluentes são ramos deste imenso saber que forma o arcabouço da educação e cultura de um povo. A primeira vez que adentramos a este rio somos ainda muito jovens, às vezes até demais, estamos ainda na cabeceira ou nascente deste rio. A nascente de água cristalina e pura deste rio nos faz lembrar nossa infância. Assim como o rio, nós nascemos para a vida e temos que seguir nosso caminho e, provavelmente ao longo dele tenhamos que receber outros afluentes. É um caminhar pedagógico com respeito às individualidades, as diferenças e peculiaridade no jeito de SER de cada um. O rio que recebe um afluente e o inclui em seu leito é porque está preparado para isso. Quando a escola acolhe seu aluno, ele adentra no rio pela primeira vez e, como tal é inexperiente: está puro e cristalino. A didática do ensinar com base no amor, passa a ser a pedagogia mestra desta escola. Se não cuidáramos da nascente de um rio ele morre, assim também ocorre com o ser humano, que sem amor, carinho e atenção, se não morrer sofrerá sérios danos em sua personalidade e em seu físico. Finalmente vemos hoje a educação infantil, a primeira entrada no rio do conhecimento, sendo valorizada. Na primeira entrada em um rio que o educador desconhece, requer dele uma capacitação importantíssima, porque se defronta com a fase primordial do desenvolvimento de uma criança. Ele não apenas educa, mas ajuda a criar como sugeria o prof. Henrique José de Souza, a fim de que a escola se torne num ambiente acolhedor e alegre para se aprender. A educação municipal vem se preparando para isso, tal qual tem acontecido em vários municípios e neste caso na cidade de Passa Quatro, onde o caçador de esmeraldas Fernão Dias Paes Leme cruzou o rio por quatro vezes. Ele buscava as esmeraldas, mas encontrou turmalinas. Chegou ao rio do conhecimento, mas se seguisse o leito encontraria o oceano de sabedoria. Turmalinas no Hindu significa pedra preciosa de grande valor comercial, já a esmeralda no Espanhol significa pedra preciosa de cor esverdeada. Na escola todas as pedras são preciosas mesmo que aparente ser cascalhos. Educadores são bandeirantes e tal qual Borba gato genro de Fernão Dias, seguem seu caminho até encontrar ouro. O ouro expresso em potencial de cada criança esta ainda em forma bruta, mas será através do amor e sabedoria dos seus mestres que ela gradativamente seguirá um caminho que a conduza da dependência para a autonomia. A escola prepara para a vida, para a cidadania. A segunda vez que adentramos ao mesmo rio (escola, ensino) é quando já estamos alfabetizados e como pequeno riacho aumentamos o nosso conhecimento sobre o mundo em que vivemos. Há uma pequena queda de água expressa nesta passagem do pré para a 1.º ano. Continua o brincar, mas um brincar mais elaborado onde as responsabilidades vão sendo incorporadas de forma adequada e, neste momento como o anterior a presença dos pais é fundamental. A lição de casa não é apenas dos filhos, mas também dos pais. O ensino fundamental faz com que o jovem aprendiz tenha que adentrar a este rio do conhecimento por duas vezes. Em uma delas é quando se dá na passagem do 5º ano para o 6º, não temos uma queda de água, mas uma cachoeira. O rio vinha em um leito de certa forma tranqüilo, mas de repente suas águas se precipitam e ao cair no fundo da cachoeira recebe um volume de água bem diferenciado. São as novas matérias, novos professores, parece que tudo se multiplica. Não sei se a didática como fazemos esta passagem está coerente, ou se acreditamos demais na readaptação dos jovens ou se temos que fazer uma terraplanagem pedagógica no interregno do 5º para o 6º ano, uma espécie de preparatório. Não que esse jovem de 10 ou 11 anos de idade não tenha esta maturidade, mas talvez porque o método pedagógico tem que ser revisto e, não é algo que tenha que partir de uma estrutura federal ou estadual. Ela pode ocorrer ainda de forma efetiva pelos professores de uma escola. Se bem que esta ruptura vai ocorrer também no ensino médio e na universidade. Prosseguimos com nosso rio que acaba de aprender que existem percalços, quedas, desvios ao longo de um caminho que pode ser tortuoso, sendo tudo isso parte inerente no processo do ensino e aprendizagem. Para que isso ocorra de forma harmoniosa este jovem rio deverá contar sempre com a presença efetiva dos seus pais. A escola ensina e dá as ferramentas para que o pequeno rio possa traçar seu caminho, mas é a família que dará a ele o apoio e o acompanhamento. Quando este jovem rio já adolescente adentra no rio do conhecimento pela 3ª vez, já está no meio do seu caminho. Irá percorrer agora alguns trechos de terreno plano que o deixa lento em seu leito (diria mesmo dormir) para de repente entrar num terreno irregular cheio de corredeiras (agitados), para depois se acalmar e vice versa. Foi realizada uma pesquisa com mil adolescentes onde por volta das 9 horas foi coletado sangue e feito uma análise. Constatou-se que um número muito grande destes jovens apresentava na corrente sangüínea uma substância chamada de melatonina que estimula o sono, ao invés de serotonina (ficar acordado). Então porque em todas as escolas as aulas continuam iniciando às 7h ou 7h10, 7h30? Pior ainda é quando o aluno tem como sua primeira aula a matemática ou português. Já que não há nada tão ruim que não possa ser piorado, vamos lá na lei de Murphy. Que horas os jovens vão dormir, sendo que necessitam no mínimo de 8 horas de sono? E nos finais de semanas as baladas? Questão pedagógica? Talvez apenas bom senso de quais serão as matérias da primeira aula e isto é com a escola. Já a outra parte é com os pais e isto é questão de disciplina. É claro que de acordo com o temperamento existirão aqueles que já acordam ligados, mas os outros nem tanto. E cadê o conhecimento destas ferramentas psicológicas por parte dos educadores, para que possam utilizá-las em sala de aula e como isso possam maximizar os relacionamentos. Talvez isso não tenha, mas existem especialidades para “violência na escola”, “inclusão”, mas não vi nenhum sobre especialidade no “amor”.

Acho que quando Fernão Dias adentrou o mesmo rio pela 4ª vez na garganta do Embaú em Minas gerais, fundou um pouso e lhes deu o nome de Passa Quatro, acabava de simbolizar o período que adentramos no caudaloso rio universitário e, como ele neste momento é hora de concretizarmos as etapas anteriores através desta. É hora do pouso, de aterrissar para a grande realidade da vida e das responsabilidades que sobre si irá recair. Agora é um rio caudaloso, mas ainda não chegou ao oceano, nem no estuário e talvez este seja o 5º momento no oceano da sua vida, profissional, afetiva, financeira, social, familiar e etc.

Quando a professora Maria do Carmo diz que “educar é desenvolver todas as potencialidades do individuo”, provavelmente se refira a estas quatro entradas no grande rio do conhecimento humano, quando ela complementa: “comprometer-se com a moral, o respeito e o amor. É formá-lo para o verdadeiro exercício de cidadania”.

Com isso podemos complementar com uma frase do professor Henrique José de Souza: “A inteligência é o espírito de Deus no homem”. Será então esse potencial que a educação tem que estar atenta e qualificar cada ser humano independente de cor, raça, credo ou nacionalidade. O oceano existe porque o rio lhes depositou suas águas, e os rios receberam águas de outros rios e assim sucessivamente até as nascentes. Ai está o principio de “um por todos e todos por um”. Na escola não tem o professor mais importante nota 10, todos têm que ser nota 10. Por isso dizemos: alunos bons fazem bons professores e vice-versa. A partir deste ponto temos uma visão mais social da educação quando a professora Maria Emília a ela se refere desta forma: “A educação é a única capaz de formar homens com ampla visão das necessidades de um povo e que acreditam que ela é a base sólida na construção de uma sociedade justa e igualitária”.

Temos lido e convivido com professores e ouvimos coisas bonitas e sabias, se tudo isso fosse catalogado deixaria muitos teóricas da educação (estrelas) de boca aberta.
Quando os educadores deste imenso Brasil se conscientizarem de que são estes caudalosos rios do conhecimento a semear estrelas de amor e sabedoria em suas escolas, em cada sala de aula, e potencializar cada um destas crianças como bem disse o professor Henrique ao referir-se à inteligência como o espírito de Deus no homem, teríamos um oceano sem praias porque a inteligência é tão infinita quanto Deus.

Finalizando queremos lembrar as palavras de dois poetas: “não pode ser feliz um mundo onde todos os seres ao nascer, choram”. Vanderley C. Martins. Caro poeta um dia haverão de rirem, mas também dizem que as águas choram. “Desde o parto que eu parto para a vida”. Javan O. Laurindo. Assim é o rio de nossa vida, pois da nascente para o oceano tudo é vida, mas também morte porque morrer é transformar-se, tanto que o verbo amar deriva-se do latim mor=morte. O amor mata a morte porque é sabedoria, porque nos dá a possibilidade da transformação, da superação e de transcendermos nossas dificuldades do dia-a-dia.

Por isso na vida de um educador “não se cria expectativas, se cria oportunidade”, como está contido de forma sintética, clara e objetiva nesta frase da estudante de psicologia e Gerente Comercial Márcia Doval. Por isso não ficamos observando o rio, mas entramos nele tantas vezes quantas forem necessárias, pois no universo do conhecimento, existe um oceano sem praias para que possamos nadar nas imensas e profundas águas da sabedoria.
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Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

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