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terça-feira, 1 de janeiro de 2008 - 00:00

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O estress na sala de aula, e suas conseqüências para a aprendizagem

por: Colunista Portal - Educação

    Rita de Cássia Menezes de Mattos



Resumo: O objetivo deste artigo é socializar aos docentes de Educação Infantil, a temática ainda pouco divulgada, sobre o estress na sala de aula, bem como suas conseqüências para á aprendizagem; de modo que estes profissionais possam agir com propriedade e autonomia diante dos fatores que contribuem para o desencadeamento do estress na sala de aula. As pressões atuais sobre as crianças para crescerem depressa começam desde a infância. Uma delas é a pressão por uma aquisição intelectual precoce. A causa do estresse sempre esteve presente na sala de aula, mesmo de forma camuflada, o aluno demonstra que algo está errado ou mal explicado, seja no relacionamento com a família com os professores ou mesmo com os colegas. A maior dificuldade dos professores em detectar o estress nas crianças é as sua semelhança dos sintomas com o mau comportamento, rebeldia e até hiperatividade. Sendo assim, se faz necessário conhecimento de como lidar com as crianças estressadas na sala de aula, pois pode não ser o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, e sim estress. O instrumento de socialização sugerido é a realização de oficinas¹ com os docentes, na busca de fazer com que esses professores conheçam ou aprimorem os conhecimentos sobre os fatores que podem desencadear o estresse na sala de aula.

(1) Atividade sugerida pela autora, em projeto de intervenção apresentado como discente na disciplina Fundamentos Biológicos da Educação, sob a orientação da Prfª Kenya Anjos, no curso de Pedagogia 3º semestre na Universidade Estadual de Feira de Santana.


Palavras Chaves: estress infantil/sala de aula/mau comportamento/

O estress infantil

O estress é um estado de tensão emocional que produz um estado psicológico desagradável caracterizado por distúrbio do sono, dificuldade de concentração, irritabilidade, etc. Quando nosso cérebro se manifesta de forma independente de nossa vontade, interpretar alguma situação como ameaçadora (estressante), todo nosso organismo começa a desenvolver uma série de alterações denominadas em seu conjunto, de Síndrome Geral da Adaptação ao Estress, onde todas as respostas corporais e psicológicas tendem a entrar em estado de alerta geral, ou seja, todo organismo é envolvido sem que haja uma exclusividade ou especificidade de algum órgão em particular, assim cita a Revista PsiqWeb, em seu caderno especial sobre o estress, esses são alguns dos sintomas desse mal que atinge também crianças... Nas últimas décadas, mudança nos níveis da sociedade passou a exigir do homem, da mulher e da criança uma grande capacidade de adaptação física, mental e social.
As pressões atuais sobre as crianças para crescerem depressa começam desde a infância. Uma delas é a pressão por uma aquisição intelectual precoce. Várias décadas atrás, a precocidade era encarada com desconfiança. Segundo Elkind (2004), a criança prodígio - assim se pesava - transformava-se em um adulto neurótico; daí a expressão "amadurecimento precoce, deteriorização precoce!". Diziam-se aos pais que se eles não começassem a ensinar as crianças quando pequenas seria perdida uma oportunidade para a aprendizagem. "As crianças precisam de tempo para crescer, para aprender e para se desenvolver. Trata-las diferente dos adultos não é discriminá-las, mas reconhecer sua condição especial" (ELKIND, 2004).

Estress na sala de aula

A causa do estresse sempre esteve presente na sala de aula, mesmo de forma camuflada, o aluno demonstra que algo está errado ou mal explicado, seja no relacionamento com a família com os professores ou mesmo com os colegas. Isso nos dias atuais tem sido tema de pesquisa de psicólogo, neurologista e, preocupação da família, de diretores e professores. Uma sociedade que cobra o cidadão a contemplação de várias habilidades é a mesma que contribui para que as crianças não suportem a pressão e cobranças dos adultos a sua participação nas diversas atividades que não condizem com a estrutura física e psicológica da criança.
Além das responsabilidades do estudo da convivência na escola, a criança hoje vive em uma sociedade que exige um sujeito competente e que possua um alto índice de conhecimento, ao mesmo tempo essa sociedade apresenta um percentual de marginalidade e violência muito grande, fazendo assim, surgir sintomas desencadeantes para o estresse na sala de aula. A criança passa a demonstrar vários medos, falta de concentração, agressividade, irritação constante ou momentos de isolamento, mudanças bruscas de comportamento e outros males que atingem as crianças em idade escolar.
Segundo reportagem da revista Nova Escola, edição 167, do mês de novembro de 2003, o excesso de atividades (cursos, esportes e outros) causadores do estresse na classe média alta, também atinge a criança das classes populares que precisa trabalhar cada vez mais cedo seja para ganhar dinheiro e ajudar a família ou cuidar de irmãos mais novos, ir para escola com fome, viver em locais que trazem riscos e não ter quem ajudem nas tarefas escolares. Mesmo assim a sociedade cobra delas desempenho e responsabilidade.


O uso de medicamentos

Esse quadro de instabilidade e estresse nas crianças tem levado muitos pais a procurar nos consultórios médicos soluções rápidas, para resolver problemas que muitas vezes possuem um histórico de comportamento familiar ou de afetividade. Em reportagem na Revista Época, dezembro de 2006 diz: "Estamos dando remédios demais para as crianças"? Mostra os riscos de uma geração que toma remédio até pelo mau comportamento, tem contribuído para que crianças iniciem precocemente o uso de substancias químicas (drogas) desde muito sedo para que consigam ter aprendizagem, segurança e bom comportamento. "Parece que a medicina tem o poder de curar tudo. Ninguém pode ter uma decepção, ficar triste. Hoje todos querem uma pílula" diz o neurologista Eduardo Genaro Mutarelli, professor da USP.
De acordo com o psicólogo Bob Jacobs, essa geração tem crescido encorajada a fazer uso de drogas psiquiatras antes mesmo de descobrir suas emoções, inseguranças e frustrações, que sendo de forma sadia contribuem para a formação do indivíduo. A ciência não tem como diagnosticar com precisão e detectar o transtorno, fazendo assim só uma avaliação comportamental da criança. Isso tem contribuído para que muitas crianças estejam sendo medicadas sem que haja necessidade.
Muitos desses medicamentos pode até ajudar no início do tratamento, porém os efeitos colaterais e danos futuros não podem ser previstos, pois, "hoje já se sabe que os lobos frontais - a região do cérebro que gerencia os sentimentos e pensamentos - não ficam completamente maduros antes dos 30 anos". Com isso tem deixado cientistas em alerta sobre o uso de medicamentos mais usados por crianças e adolescentes como a Ritalina e o Prozac e outras que possuem efeitos maléficos em longo prazo.

Professores atentos

A maior dificuldade dos professores em detectar o estress nas crianças é as sua semelhança dos sintomas com o mau comportamento, rebeldia e até hiperatividade. Segundo Marilda Lippe, diretora do Centro Psicológico de Controle de Estress, situada na cidade de Campinas - São Paulo, a qual (CALVALCANTE, 2003), faz referência afirma que o estress não é uma doença, mas um conjunto de reações físicas e psicológicas que senão tratadas a tempo podem resultar em doenças". É por isso que os professores devem está atentos aos seus alunos na sala de aula, para que possam ajudá-los de forma correta, uma vez que, estão mais próximos das crianças. Vale ressaltar que o professor não é habilitado para tal diagnóstico, o educador pode se tornar um facilitador para tal compreensão e futura ajuda mediante o problema em questão. Na verdade, o reconhecimento das necessidades especiais de um grupo e a acomodação a essas necessidades são as únicas maneiras de lhe garantir realmente igualdade e oportunidade.
Sendo assim, se faz necessário conhecimento de como lidar com as crianças estressadas na sala de aula, pois pode não ser o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, e sim um comportamento usado para chamar atenção das pessoas, nada que um pouco mais de atenção e afetividade não possam resolver, visto que "a elaboração da agressividade é tão importante quanto à da afetividade na vivência transferencial pedagógica para fazer o vinculo emocional professor-aluno a grande condição de aprender a amar o saber na Pedagogia Simbólica Junguiana" (BYINGTON, 2003). Afinal, os problemas enfrentados pelas crianças hoje são muito mais do que elas podem suportar e identificá-lo no seu estado nascente é a grande contribuição social do educador.

Referências


BYINGTON, Carlos Amadeu Botelho. A construção amorosa do saber: O fundamento e a finalidade da Pedagogia Simbólica Junquiana - 1ª.ed. - São Paulo: Religare, 2003.

ELKIND, David. Sem tempo para ser criança: a infância estressada. Trad. Magda França Lopes - 3ª.ed. - Porto Alegre: Artmed, 2004.

Revista Época - edição 446 - dezembro de 2006. SEGATTO, Cristiane; PADILLA, Ivan; FRUTUOSO, Suzane. Infância Medicada. (caderno de saúde)

Revista Nova Escola On-line - edição número: 167 - novembro de 2003. CAVALCANTE, Meire. Calma, isso pode ser estress. E tem jeito. (http://novaescola.abril.com.br/index.htm?ed/167_nov03/html/estresse) último acesso em (30/11/06).

Revista PsiqWeb - Caderno especial Estress. Estress
(http://www.psiqweb.med.br/cursos/estresse.html) último acesso em (11/12/06).


*Graduanda do curso de Pedagogia 4º semestre, da Universidade Estadual de Feira de Santana/UEFS.
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Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

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