Mais de 900 cursos online com certificado em diversas áreas

esqueci minha senha
Sala de aula
Confira o regulamento Promoção do Mês

Artigos de Pedagogia


E-learning Brasil


1 de janeiro de 2008


definir tamanho aA aA


Renata Costa
Congresso de Educação a Distância tratou dos desafios para o futuro



Teve início ontem, em São Paulo, o Congresso E-learning Brasil 2005 e o Fit Educ 2005 (Fórum Internacional de Tecnologia aplicada à Educação), cuja palestra de abertura contou com a presença do secretário de Educação a Distância do MEC Ronaldo Mota, do professor da Escola do Futuro da USP e presidente da ABED (Associação Brasileira de Ensino a Distância) Fredric Litto, e do diretor da ONG (organização não-governamental) americana Puget Sound Center, Les Foltos.

O secretário Ronaldo Mota confirmou o que já havia sido anunciado na segunda-feira, dia 13, após reunião do Fórum das Estatais para a Educação. A Universidade Aberta Brasileira - UAB, como já vem sendo chamada - deve mesmo sair do papel ainda este ano. O vestibular está previsto para setembro ou outubro e as aulas devem começar em março de 2006. ( Leia mais sobre isso clicando aqui). "A proposta vai passar pelo Congresso, não será via MP (medida provisória). Parece que ninguém é contra, o que já é positivo", brincou. ( Leia mais sobre o projeto da Universidade Aberta aqui).

Ele apresentou ainda alguns dados interessantes sobre a EAD no país. Dos 3,9 milhões de alunos matriculados em cursos de Graduação, apenas 50 mil são por meio do ensino a distância (o correspondente a apenas 1,3% do total), distribuídos em 52 cursos aprovados pelo MEC. "Estes números não devem nos desanimar, porque a EAD ainda não tem crescido na graduação, mas sim na formação continuada, pós-graduação, etc", disse.

A EAD no Brasil está em uma fase importante, já que se encontra em discussão o texto que regulamentará o setor. "Este marco legal será regulatório, mas não proibitivo quanto ao crescimento. Acredito que o decreto estará pronto no final de julho", disse Mota, que lembrou a importância desta modalidade para a expansão do acesso ao Ensino Superior. "Seria um crime não usar novas tecnologias no processo educacional".

Os desafios que o secretário destacou foram, entre outros, as barreiras internas e externas. "Precisamos retomar a andragogia, pois não podemos nos esquecer que EAD é para a formação de adultos. Outro ponto é que ainda há preconceito em relação a esta modalidade de ensino, o que é um absurdo", afirmou. (Clique aqui e leia mais sobre Andragogia)

Tendências para EAD no futuro

O professor e presidente da ABED Fredric Litto fez, ainda na abertura da FIT, uma apresentação sobre as tendências para EAD nos próximos anos e deu um "puxão de orelha" nos professores e profissionais que trabalham no setor. "Me preocupa muito a distância entre a prática de EAD e a leitura de artigos científicos. Improvisação só é boa até certo ponto. Deve-se conhecer o que vem sendo publicado para ter bases para discutir o assunto", disse.

Ao falar sobre o que vem sendo publicado, ele destacou trabalhos que já provam cientificamente que graduação em EAD - quando bem feita - é mais eficaz que a graduação tradicional, pois os alunos são mais ativos e colaboradores. A taxa de conclusão deste tipo de curso a distância é de 80% a 90%. "Até mesmo na USP há uma taxa de conclusão no presencial de apenas 50% a 60%", destacou.

O professor Litto lembrou ainda que a tecnologia é importante, mas não só ela. "Muitas pessoas migraram da área de computação e engenharia e não se preocuparam com a pedagogia. Não podemos nos esquecer de boas experiências que devem ser levadas e adaptadas ao ensino a distância".

Entre as tendências para os próximos anos, ele citou o "desempacotamento" das funções em torno de um curso de EAD. Segundo ele, hoje as instituições já estão "terceirizando" as etapas do processo e contratando profissionais qualificados para cuidar de diferentes partes, como avaliação, plataforma tecnológica, tutoriamento e outros, aquecendo o mercado e gerando empregos. Outra perspectiva para o futuro é que haja cada vez mais docentes "freelancers" que atuem em diversas instituições.

Formação de professores

Les Foltos, da ONG americana Puget Sound Center, cujo trabalho é com a formação de professores, afirmou que menos de 50% dos docentes estão preparados para o uso de tecnologias em sala de aula. (Clique aqui e leia mais sobre formação de professores). "É inocência pensar que basta comprar tecnologia para o professor usá-la. Deve-se investir na infra-estrutura humana, dando treinamento - no horário de trabalho dele, de preferência - para realmente mudar a visão do docente", disse.

O secretário Ronaldo Mota afirmou que o MEC vê o treinamento usando EAD como solução para a inibição do professor em saber menos de tecnologia que seus alunos. "Assim ele já aprende na prática", destacou. Foltos lembrou ainda que o professor deve "descer do palco" e aceitar que sabe menos. "Ele não precisa se sentir constrangido. Ele pode abrir espaço para que os alunos ensinem uns aos outros. E não há qualquer problema nisto", disse.

O professor Litto relacionou ainda o déficit de conhecimento tecnológico dos professores à formação dada pelas Faculdades de Educação. "Não conheço um único curso de Educação no Brasil onde seja obrigatória uma disciplina como informática".

E-learning Brasil

A palestra magna na manhã de quarta-feira foi proferida via videoconferência por Elliot Masie, diretor do Masie Center (centro de pesquisa focado em como as organizações podem dar suporte ao conhecimento e aprendizado para suas forças de trabalho) e editor do "Learning TRENDS by Elliot Masie" (site lido por mais de 46.000 executivos de todo o mundo).

Ele lembrou alguns pontos básicos - e nem por isso menos importantes - que não devem ser esquecidos na elaboração de um curso em EAD. Um deles é a rapidez na entrega do curso. "Em um mundo perfeito, três anos seriam o ideal para desenvolver um curso, mas nós não temos este tempo", disse. Destacou ainda a importância de o curso "envolver" o aluno e que isso, segundo ele, não inclui o ´power point`, uma ferramenta que lhe "dá sono". Por conta de sua "bronca" com o ´power point`, Elliot passou por uma situação engraçada com Bill Gates, cuja empresa foi a desenvolvedora do software. "Estava certa vez em um congresso com o Bill Gates, da Microsoft, e o Steve Jobs, da Apple. O Bill Gates veio me perguntar qual era a melhor ferramenta para ser utilizada no ensino, pensando que eu responderia ´power point`. Eu virei para ele e disse: ´o google`. Ele não gostou da minha resposta, mas o Steve Job ficou feliz".

Outros conceitos lembrados por Elliot foram a integração - "não podemos ver nossos alunos como se eles não soubessem nada" - e a personalização. "Os cursos devem ter a ver com a realidade do aprendiz, não podem ficar só na teoria", afirmou. E salientou que na era do "self-service" em que estamos, deve ser permitido ao aluno poder escolher por quanto tempo quer estudar, de qual maneira e como. O palestrante deixou, ao fim de sua exposição, uma "provocação" para os demais debatedores e para a platéia: "o que tira seu sono à noite?"

Algumas respostas:

"O desafio de levar diferentes conteúdos a diferentes pessoas" - Jonathon David Levy - estrategista sênior de Aprendizagem do The Monitor Company Group LP.

"A nossa produtividade enquanto profissionais. O e-learning deve ser mais pessoal e intenso" - Kevin Oakes, presidente da SumTotal Systems.

"Encontrar um jeito de não precisar mais viajar tanto, de estar mais conectado às pessoas" - Eric Shepherd, presidente e CEO da Questionmark Corporation.

"A frustração de ver a distância que existe entre a academia e o mundo dos negócios" - Fredric Litto, presidente da ABED.
Some Rights Reserved

Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

Comentários


Voltar para Pedagogia

Escolha sua área do conhecimento