A relevância da Educação Infantil
1 de janeiro de 2008
A relação custo–efetividade do programa indicou benefícios estimados em sete vezes o custo original do programa. Os benefícios ocorreram como resultado da economia produzida pela redução nos gastos de educação primária (pela diminuição da evasão e da repetência), saúde, previdência social e sistema prisional combinada com o aumento da produtividade ao longo do tempo.
O PAPEL DA IMPRENSA
O Seminário A Cidadania Antes dos Sete, promovido pela Fundação Orsa e ANDI, realizado em São Paulo nos dias 24 e 25 de setembro de 2001, reuniu 40 profissionais de mídia de 20 Estados brasileiros para debater a cobertura jornalística do tema Educação Infantil no País. Os participantes elaboram ainda recomendações para estimular a qualificação e a ampliação dessa cobertura. As sugestões aprovadas são as seguintes:
# Realizar uma cobertura menos pontual, abordando o tema da Educação Infantil de forma sistemática, ética e responsável. Trazer a criança para o centro da pauta, mesmo que ela ainda não figure como prioridade na agenda das políticas públicas. Relacionar a Educação Infantil a economia, cultura, história, política, saúde e ambiente, situando a educação e o cuidado da primeira infância como ponto estratégico para o desenvolvimento humano e social.
# Contextualizar a importância dessa fase educacional nas várias pautas relacionadas aos direitos humanos e ao desenvolvimento humano.
# Informar a sociedade sobre a revolução conceitual que ocorreu em relação à Educação Infantil e aos direitos das crianças nas últimas duas décadas. Utilizar exemplos claros para que leitores, ouvintes e telespectadores compreendam seus direitos e as mudanças na legislação.
# Tratar do direito ao acesso a creches e pré-escolas, destacando o direito a uma educação de qualidade. Por exemplo, se as mães estão protestando por falta de vaga nas creches, pode-se utilizar esse “gancho” para produzir matérias mais elaboradas e provocativas, tanto em relação ao acesso quanto à qualidade.
# Revelar diferenças entre a Educação Infantil oferecida às crianças de famílias de alta e de baixa rendas.
# Ressaltar a igualdade de direitos das crianças com necessidades educativas especiais, combatendo preconceitos até mesmo na própria família, o que restringe as possibilidades da criança e seu interesse pela educação.
# Buscar conhecimentos legais, científicos e pedagógicos que subsidiem debates e questionamentos das informações oficiais. Estreitar relações com especialistas que rapidamente possam esclarecer pontos específicos sobre legislação e gestão, o que possibilita uma diversificação de enfoque na cobertura da Educação Infantil.
# Investigar o real benefício que as ações governamentais possam trazer para as crianças. Questionar como serão investidos os recursos, quantas crianças serão atendidas e quantas ficarão fora da creche e da pré-escola. Fiscalizar a aplicação correta dos recursos financeiros destinados à criança, por meio da consulta ao Conselho Municipal de Educação.
# Romper com o vício de destacar apenas o número de vagas disponíveis, a segurança e a merenda escolar na instituição pública, deixando de lado aspectos pedagógicos e relacionais. Por exemplo, ao cobrir a inauguração de uma creche, em vez de valorizar apenas a estrutura física e o número de vagas, levantar informações sobre o projeto pedagógico, a formação dos profissionais, a opinião de mães, pais e da criança. Incluir a família como um dos principais sujeitos das matérias.
# Priorizar matérias “de campo” – saindo da redação –, para captar melhor os elementos que cercam a realidade da criança e podem ser decisivos para sua formação.
# Ao visitar um estabelecimento, observar se os desejos e as necessidades das crianças estão sendo respeitados. Prestar atenção na forma como elas interagem entre si e com os profissionais desses estabelecimentos, nos diferentes espaços, e com os materiais pedagógicos. Tratar a criança como fonte protagonista, com características e raciocínio peculiares. Não induzi-la a respostas nas entrevistas, considerando que ela possui um tempo de compreensão próprio.
# Cobrir experiências de qualidade de ensino, tanto da iniciativa privada quanto do poder público. Contemplar e respeitar diferenças regionais e experiências locais. Divulgar projetos de Educação Infantil, permitindo que a sociedade se torne parceira no desenvolvimento e na fiscalização dessas ações.
# Consultar diferentes atores, mesmo quando o principal argumento da reportagem seja oriundo de fontes oficiais. Dar visibilidade a conselhos escolares, conselho municipal de educação, de direitos da criança e do adolescente e conselhos tutelares, chamando a atenção da sociedade para o papel de cada um. Utilizar lideranças comunitárias como fonte, buscando os vários lados de uma mesma história. Buscar a posição do Legislativo em questões como gestão e financiamento da Educação.
# Abordar a realidade das crianças de 0 a 6 anos em outras áreas, como saúde, assistência social, justiça, lazer e cultura. Ampliar a investigação sobre as condições de desenvolvimento da criança em locais como residências e espaços comunitários.
Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.