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1 de janeiro de 2008
*Gilda Lück
Luiz estava com pressa. Já era quase meio dia e meia, logo teria de se locomover para outra escola onde tinha atividades no turno da tarde. Sua horinha do almoço estava sendo gasta nos últimos preparativos do evento noturno, quando um famoso pesquisador do comportamento adolescente proferiria uma palestra com um super tema, interessante para jovens de todas as idades. Entrou rapidamente na sala dos professores, afinal, ainda tinha alguns pontos para acertar quando... "O que é isso?"
Em seu armário havia um bilhete mais ou menos assim:
"Luiz, preencha o quanto antes esta ficha de eventos e encaminhe para a secretária para que ela fique ciente. Não deixe de acompanhar os preparativos, certo? Temos de garantir que nada vai faltar no dia da palestra. E tudo tem de estar organizado!"
Aquele bilhete vindo da coordenação era simplesmente um balde de água fria. Professor comprometido, muito responsável, com alguns anos luz de experiência, sempre preocupado em fazer o melhor e... Como você professor se sentiria nessa situação? Quantas vezes você já enfrentou algo assim? Onde está o respeito aos anos de carreira, ao conhecimento e prática do profissional?
Muitas vezes, coordenadores e diretores são uns freios de mão ligados à inovação e criatividade do professor. Muitos nesse caso pensariam: "Por que vou me incomodar em fazer algo diferente se sou tratado como uma criança irresponsável? Vou fazer a mesmice de todos os dias e não me incomodo."
Na realidade, todos nós professores trabalhamos com o principal recurso que nosso Brasil possui que é seu povo e temos plena consciência da importância de nosso trabalho
Ora, por que as pessoas são o principal recurso do Brasil? Poderíamos citar alguns pontos:
Porém, nossa profissão como um todo está cada vez mais sendo desvalorizada e muitas vezes por alguns parceiros de profissão.
Nos séculos XV e XVI media-se a importância de um país pela sua quantidade de ouro. No século XVII, países com maior número de colônias eram os que se destacavam.
Já no século XX, eram os com a maior produção industrial. Mas hoje, século XXI, são os países com as melhores escolas.
Se analisarmos nossa realidade veremos que nossas escolas estão melhorando, mas o problema é que a melhoria não é sistêmica, previsível, mensurada na rapidez exigida pela sociedade e pelos empregadores. Se lembrarmos que o resgate do "ser mestre" passa pela própria necessidade de numa nação que quer ser considerada um referencial no mundo, teremos de pensar que "Educação é um gasto que se faz apenas uma única vez" e que "Ignorância é um custo para toda a vida."
*Gilda Lück é assessora pedagógica do grupo Dom Bosco,
mestre em Educação pelo Lesley College (EUA)
e doutora em Engenharia da Produção.
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