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sexta-feira, 27 de julho de 2012 - 14:18

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A Efetivação da Leitura pelos Caminhos dos Gêneros Textuais

por: Eliane de Oliveira Diel

A leitura é a chave que nos permite entrar em contato com outros mundos
A leitura é a chave que nos permite entrar em contato com outros mundos

A leitura possibilita a aquisição da maior parte dos conhecimentos acumulados pela humanidade e nos faz sentir as mais diversas emoções. É por meio dela que, desenvolvemos a imaginação e o raciocínio lógico.

A leitura é a chave que nos permite entrar em contato com outros mundos, ampliar horizontes e desenvolver a compreensão e a comunicação. Desse modo a palavra escrita nos transporta às mais variadas realidades, nos faz “viajar” e descobrir pessoas e idéias novas, nos ajuda a ser cidadãos, ao mesmo tempo em que nos coloca mais à vontade em um mundo simbólico e abstrato.

A necessidade de incentivos e desafios aos educandos quanto à prática de sua identificação com a leitura, bem como a presença de certos profissionais com práticas pedagógicas fragmentadas, no qual o texto é visto como um pretexto ou como um bom modelo de formas acabadas e não enquanto um material que expressa um ponto de vista sobre o real, a partir de uma leitura da realidade, é que nos levou ao interesse pelo tema, no sentido de estimular os alunos à prática e ao gosto pela leitura, utilizando para tanto a diversidade de gêneros textuais de que se dispõe no dia-a-dia, em sala de aula.

Quando se tem clareza de que a leitura (não a simples decodificação das letras) constitui uma dimensão fundamental do domínio da linguagem, torna-se urgente repensar a prática que a escola tradicional vem fazendo, envolvida numa perspectiva utilitarista e moralista reduzindo-a a mais uma formalidade, a mais um ato burocrático, sem a busca da capacidade aguçada de perceber e pensar a realidade.

Reverter esta prática implica, antes de tudo, na compreensão de que o leitor maduro não é sujeito passivo, mas alguém que constrói, concordando ou discordando do autor do texto, ou seja, a sua interpretação numa relação de diálogo íntimo com aquilo que lê.

E um dos caminhos para se chegar a esse nível de autonomia é expor o educando aos variados gêneros textuais que se tem alcance: romances, contos, reportagens, textos científicos, artigos, poesia e muitos outros.

A partir desse contato com a diversidade é possível estabelecer um contraponto, mostrando aos educandos que cada texto tem uma especificidade e uma forma revelando uma determinada interpretação sobre o real, pois o texto escrito não é a representação da verdade absoluta.


A IMPORTÂNCIA DA LEITURA
Linguagem é a capacidade que têm os seres humanos de usar qualquer sistema de sinais significativos, expressando seus pensamentos, sentimentos e experiências. O domínio da linguagem oral e escrita é imprescindível para o homem se comunicar no mundo em que vive. Por isso, a escola precisa ensinar o aluno a ler, a escrever e a expressar-se oralmente em todas as situações em que se encontrar, sendo tudo essencial para o exercício da cidadania. Qualquer tipo de linguagem sempre possui um referencial de mundo/realidade, onde o leitor seja capaz de aprender os referenciais inscritos num texto, isto é, compreender a dinâmica do real e compreender-se como um ser que participa dessa dinâmica.A leitura é um dos meios mais importantes para a aquisição do conhecimento. O conceito de leitura na concepção de Rangel é que: “Ler é uma prática básica, essencial para aprender.” (1990, p.09). A leitura é parte essencial do trabalho, do desempenho, da perseverança e da dedicação em aprender.

Muitas vezes, a leitura só possui um espaço na vida das pessoas quando aparece a necessidade em ocupá-la. Para quem quer trabalhar dentro da área da educação, a leitura torna-se um instrumento indispensável. Com tantos acontecimentos novos, é necessário que estejamos sempre atualizados, com todas as informações que são notícias. A leitura não deve ficar só no estritamente necessário. Devemos criar o hábito de ler sempre.

As pessoas leem quando há uma necessidade, quando se deparam com uma certa imposição, nos estudos ou até mesmo quando a profissão exige. Encontramos mais afinidade com a leitura quando se trata de revistas, jornais e outros artigos que nos interessam naquele momento, mas o prazer da prática da leitura como aquisição de informação, conhecimento e cultura, ainda não é comum.

Uma das consequências mais visíveis da falta de leitura é a dificuldade na produção da escrita, visto que ambas estão estritamente relacionadas. A falta de um vocabulário mais adequado é o maior problema que as pessoas enfrentam. A dificuldade em expor no papel argumentos referentes a qualquer fato, ocorre justamente pela falta do hábito à leitura.

Quando lemos, nossa mente se conecta com diversas áreas de conhecimento, conhecemos diversas palavras e seus significados, as ideias se expandem, porque a verdadeira leitura é aquela que nos coloca mais dúvidas do que certezas, abrindo várias possibilidades para um novo conhecimento.

O ato de ler, antes restrito a ambientes fechados, hoje acontece em todos os lugares. Lê-se em casa, mas lê-se também nos bancos, nas praças, nas ruas, nos ônibus, nos aviões. E além de textos nas mãos, o indivíduo recebe outras mensagens escritas: placas, avisos, luminosos, outdoors. São muitas e diferentes as circunstâncias da vida e por isso as pessoas produzem suas leituras de modo diversificado. Todas as formas de ler são relevantes, devendo, pois, ser contempladas.

Toda leitura da palavra pressupõe uma leitura anterior de mundo e toda leitura da palavra implica a volta sobre a leitura de mundo, de tal maneira que, “ler mundo” e “ler palavra” se constitui num movimento em que não há ruptura, em que você vai e volta. E “ler mundo” e “ler palavra”, no fundo, para mim, implicam reescrever o mundo. Reescrever com aspas, quer dizer, transformá-lo. (FREIRE, 2000, p.21).

O mundo da leitura tem muitas facetas. Lê-se para ampliar os limites do próprio conhecimento, para obter informações simples e complexas: lê-se para saber mais sobre o universo; lê-se em busca de diversão e descontração e, por meio da literatura da ficção e da poesia, lê-se para chegar ao “prazer do texto”. Prazer que resulta em um trabalho intelectual intenso, de um corpo-a-corpo, em diferentes níveis que se instauram entre o leitor e sua experiência prévia de mundo e o autor em seu texto de arte. Verifica-se esta posição a partir de Silva, que afirma: “Eu colocava as várias leituras que comumente faço em três categorias: informação, conhecimento e prazer.” (1986, p.53).

São muitos os gestos de leitura e diferentes textos que circulam nas instituições e grupos sociais. Textos literários refinados acabam convivendo com escritas voltadas ao puro entretenimento. Versões simplificadas de obras clássicas dividem o mesmo espaço com originais que lhe deram vida. Além de revistas, quadrinhos e jornais, os textos que aparecem na mídia eletrônica estreitam mais e mais seus laços com os produtos “tradicionais”. Diante de tal visão caleidoscópica, é preciso administrar diferenças e proceder a escolhas cuidadosas para orientar as múltiplas leituras possíveis.

A definição do que venha ser o ato da leitura não pode ser dada de forma única e definitiva. Isso porque dependerá do enfoque que será dado a ela, isto é, lingüístico, psicológico, social, fenomenológico, dentre outros (LEFFA, 1996). Parece claro que definir leitura não é muito fácil. Talvez uma das maiores dificuldades em defini-la advenha do fato de ser difícil incluir ou excluir aquilo que parece mais objetivo, mais claro e coerente para uma definição.

Conforme Leffa (1996), a leitura é um processo de representação. Essa idéia significa que a leitura está essencialmente ligada ao sentido da visão. Sendo assim, ler é olhar para algo e ver outra coisa que não seja apenas aquela que está sendo percebida pelos olhos. O que eles captam são imagens icônicas, representações simbólicas. O que é visto são acontecimentos, fatos, realização.

Apesar de a leitura se processar através da língua, também é possível a realização de outras leituras cujos sinais são não linguísticos. Dessa forma, é possível que se faça a leitura da tristeza de alguém, pelas expressões faciais, por exemplo, ou ainda é possível que uma criança faça a leitura dos gestos, da voz e da atitude de pessoas que a cercam, percebendo a presença de afeto e amor. Não se lê, então, apenas o que é escrito, mas também o mundo que nos cerca.

Ler textos escritos não é uma atividade muito simples. Primeiro, pelo fato de ser uma habilidade aprendida e não adquirida, diferente da linguagem, que é adquirida conforme indicações de que o homem seja geneticamente pré-programado para isso (LYONS,1987,p.26). Segundo, porque envolve uma série de problemas culturais, ideológicos, filosóficos e semânticos. Isso significa que a leitura de um texto em sala de aula pode gerar discussões por causa dos conhecimentos ideológicos dos alunos. Por exemplo: Um texto que discuta a explosão da igreja católica carismática no Brasil em uma escola de doutrina católica convencional pode ir de encontro às ideias não só dos alunos, mas também dos dirigentes da escola.

A interpretação de um texto é feita com base em hipóteses que o leitor cria sobre o que lê. Essas hipóteses resultam das relações que o leitor vai estabelecendo desde o início da leitura, continuamente entre os elementos visuais, as palavras, as frases de um texto e todas as informações que ele pode trazer para a leitura. Essa atividade está diretamente relacionada à predição, que consiste em antecipar o sentido do texto, eliminando previamente hipóteses improváveis.

A confirmação ou rejeição das hipóteses depende em grande parte, dos dados textuais, da forma como eles estão organizados e articulados no texto. Na verdade a interpretação ocorre quando há confluência entre o reconhecimento de elementos do código linguístico e a projeção dos conhecimentos do leitor no texto.

Nesse contexto, precisamos enfatizar a leitura no âmbito educativo, da qual se torna uma atividade precípua no processo de ensino-aprendizagem, pois permite ao educando elaborar seu mundo de referências, formar opiniões e fazer intervenções. Tais possibilidades aguçam-lhe uma percepção mais consciente do que está ao seu redor, como também da interpenetração entre os vários horizontes – cultura, história e ciência o que faz da leitura um passaporte para a aquisição de experiências significativas ao indivíduo e ao grupo a que pertence.

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Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

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colunista

Eliane de Oliveira Diel

Eliane de Oliveira Diel, licenciada em Letras com habilitação em: Português/Inglês e respectivas Literaturas e ainda Pós-graduada em Linguística Aplicada ao Ensino do Português como Língua Materna pela Universidade do estado de Mato Grosso (UNEMAT). Professora de Língua Portuguesa dos anos finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio na Escola Estadual Manoel Soares Campos na cidade de Cláudia/MT.

Educação e Pedagogia