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Contribuições da Web 2.0 para a Educação a Distância

Artigo por Enilton Ferreira Rocha - sexta-feira, 29 de junho de 2012

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Contribuições da Web 2.0 para a Educação a Distância
Contribuições da Web 2.0 para a Educação a Distância
A complexidade da sociedade contemporânea, a velocidade de acesso a novos conhecimentos, o avanço das tecnologias de comunicação e informação estabelecem uma nova ordem para o modelo educacional vigente e sua prática tecnológico-pedagógica; não só pela influência deste cenário sobre a prática docente e a discente, mas também, pelo que isso pode significar em termos de resultados concretos para a melhoria da qualidade no processo ensino-aprendizagem e seus reflexos no cotidiano do aluno.

Segundo Moran (2007, p.145-146): Estamos caminhando para um conjunto de situações de educação on-line plenamente audiovisuais. Caminhamos para processos de comunicação audiovisual, com possibilidade de forte interação, integrando o que de melhor conhecemos da televisão (qualidade da imagem, som, contar histórias, mostrar ao vivo), com o melhor da Internet (acesso a bancos de dados, pesquisa individual e grupal, desenvolvimento de projetos em conjunto, à distância, apresentação de resultados) e do celular (mobilidade). Tudo isto exige uma pedagogia muito mais flexível, integradora e experimental diante de tantas situações novas que começamos a enfrentar.

Do ponto de vista da educação a distância percebe-se um avanço no uso dessas tecnologias no ambiente web 2.0 e suas respectivas ferramentas. Entretanto, ainda observam-se resistências, em relação ao modo como esses ambientes se apresentam para a docência virtual cujas metodologias requerem um processo de interação e colaboração flexível e a distância. Embora o cenário atual da EaD seja positivo, diante dos recentes resultados publicados pelo MEC, percebe-se uma insatisfação dos atores principais (professores e alunos) quanto aos métodos e quanto à mediação tecnológico-midiática utilizados nesse processo.

A maioria dos cursos à distância no ensino superior público, está apoiada em modelos pedagógicos, utilizando o Moodle como Ambiente Virtual de aprendizagem (AVA) na interface, na comunicação e na mediação da aprendizagem. Nos últimos dois anos, as possibilidades tecnológicas dessa ferramenta na EaD apresentam algumas dificuldades e facilidades, convergências e melhorias do ponto de vista da dialógica virtual e isso, de certa forma, cobra um novo design didático-tecnológico na profissionalização de professores para a docência em ambiente virtuais de aprendizagem pela internet.

Há de se creditar que se esse ambiente estiver bem contextualizado, utilizando-se de uma boa convergência tecnológica, como ambiente de ensino-aprendizagem a distância, pode oferecer um grande avanço na comunicação, organização dos processos, publicação de conteúdos, gestão da aprendizagem e gestão acadêmica a distância, em comparação com outros recursos da web 2.0 que são utilizados de forma isolada.

Observa-se também que as práticas atuais com a utilização do Moodle, são, em alguns casos, retratos da concepção e dos vícios do ensino presencial e, muitas vezes, aquém do modelo cobrado para uma educação com qualidade, interferindo diretamente na aprendizagem e em suas métricas de avaliação.

Aliado a este fato, nota-se que, muitas vezes a falta de conexões com recursos da tecnologia digital-interativa da internet, com recursos de áudio e vídeo, e a falta de customizações no Moodle para ampliar a sua convergência e os seus espaços colaborativos e interativos educacionais contribuem para esse cenário, de modo a oferecer resultados de baixa qualidade no ensino-aprendizagem à distância.

Nesse contexto, acredita-se que reavaliar o potencial da web 2.0 e as suas conexões e convergências tecnológico-midiáticas como possibilidade didático-pedagógica de melhoria da EaD, pode trazer grandes resultados, tendo em vista a necessidade de reorganizar, aperfeiçoar e otimizar os recursos didático-tecnológicos do AVA, Ambiente Virtual de Aprendizagem, e a prática docente dos professores que utilizam esse ambiente como espaço de interação e colaboração na aprendizagem a distância. A Web 2.O na humanização da EaD .

Conceitualmente, alguns autores acreditam que a Web 2.0 tem sido considerada como a segunda geração de comunidades e serviços, que visa incentivar a criatividade, o compartilhamento e a colaboração de conteúdos e serviços entre os usuários da rede (Costa e Marins. Aula 4a - Ferramentas da Web 2.0 e as Comunidades de Prática). Embora as teorias da aprendizagem apontem para o conhecimento construído de forma coletiva, marcado pela cultura de cada pessoa ou grupo social (Vygotsky, 1978), essa teoria parece não estar sendo explorada adequadamente diante do potencial das ferramentas da Web 2.0.

O Ava, por exemplo, ainda continua utilizando interface essencialmente textual, explorando exaustivamente o Fórum como a sua principal mídia interativa em detrimento de outros recursos tais como: Google, Dropbox, Google Docs, Facebook, Twitter, Wikipédia, Blog e Webconferência, que do ponto de vista pedagógico-andragógico poderiam incrementar, incentivar e estimular a dialógica aluno-aluno, e aluno-professor.

O risco de crescimento de ambientes virtuais de aprendizagem meramente informativos ou instrucionais é um fato que vem sendo observado. Nesse sentido, MORAES, Maria Cândida et al (Pesquisando Fundamentos para Novas Práticas na educação online, 2008, p.34), destaca o caráter informativo e individualista, bem como o incentivo à passividade do educando nos ambientes digitais de aprendizagem, quando diz: Na maioria das vezes, temos ambientes mais centrados nos conteúdos e nas atividades tutoriais ou mesmo no preenchimento de formulários enviados por e-mails e que dão suporte a sistemas de controle.

A interação praticamente não existe e toda participação ou relação aluno/professor é individual. Nesses ambientes a maioria das informações é transmitida de maneira tradicional e os alunos continuam sendo mais espectadores do que autores e construtores de seu próprio processo de aprendizagem. Nesse contexto, a Web 2.0 é muito mais que tecnologia, é também uma questão de atitude.

Atitude Web 2.0 é agilidade de desenvolvimento, é não tentar fazer como sempre foi feito, mas aproveitar as possibilidades da visão da Web como plataforma voltada para facilitar a vida do usuário (Costa e Marins. Aula 4a - Ferramentas da Web 2.0 e as Comunidades de Prática). Do ponto de vista da EaD, a busca pelo desenvolvimento de ambientes de aprendizagem que estimulem uma relação mais humana e mais aberta e flexível, no ensino-aprendizagem, tem incentivado novas pesquisas e análises no campo das conexões tecnológicas de suporte a novos "design" didático-pedagógicos. Nesse contexto, as possibilidades do Moodle, como AVA, na visão do "Conectivismo" podem ser uma boa alternativa para explorar adequadamente novos métodos de aprendizagem mediatizada.

Entende-se que na era do "nativo digital" ou da geração "y", em que, o armazenamento da informação em bancos de dados e mídias alternativas da web 2.0 é muitas vezes transformado em conhecimento; desenvolver alternativas pedagógicas baseadas na conectividade entre multimeios educacionais pode significar um grande passo rumo à era digital na aprendizagem colaborativo-interativa a distância.

Segundo George Siemens (dezembro de 2004) em seu artigo - Conectivismo: Uma teoria de aprendizagem para a Era Digital: A inclusão da tecnologia e do fazer conexões como atividades de aprendizagem começam a mover as teorias da aprendizagem em uma era digital. O conectivismo fornece uma percepção das habilidades e tarefas de aprendizagem necessárias para os aprendizes florescerem na era digital.

Desse modo, a reflexão sobre esse novo modo de aprender, conectado em redes digitais, tem relevante significado no contexto da investigação e exploração do Moodle como ambiente de múltiplas possibilidades no campo do fazer a conectividade como atividade, e na atividade, do ensino e aprendizagem a distância.

Nesse sentido, Silva, Adelina (Processos de ensino-aprendizagem na Era Digital, Universidade Aberta), alerta para a necessidade de revisão dos espaços de aprendizagem, sobretudo, pela importância da inclusão do educando na cibercultura, na sociedade do conhecimento e pelo impacto da era digital no processo de ensino-aprendizagem: Na sociedade do conhecimento de hoje o "espaço escolar" é muito maior do que a escola.

Os novos espaços da formação (media, rádio, TV, vídeo, espaço familiar, Internet...) alargaram a noção de escola e de sala de aula. A educação tornou-se comunitária, virtual, multicultural e ecológica e a escola estendeu-se para a cidade e o planeta. Pensamos em rede, pesquisamos em rede, trabalhamos em rede.Na rede, aprender é descobrir significados, elaborar novas sínteses e criar elos (nós e ligações) entre parte e todo, unidade e diversidade, razão e emoção, individual e global, relacionados com a realidade.

Moran, (Moran, 1996, p. 21) chama a atenção para a importância de um ambiente de aprendizagem inovador, mediado por novas tecnologias como alternativa para o professor devido às possibilidades de prender a atenção do aluno e melhorar a sua aprendizagem: ...sensibilizam para novos assuntos, trazem informações novas, diminuem a rotina, nos ligam com o mundo, com as outras escolas, aumentam a interação (redes eletrônicas), permitem a personalização (adaptação do trabalho ao ritmo de cada aluno) e se comunicam facilmente como aluno, porque trazem para a sala de aula as linguagens e meios de comunicação do dia a dia.

Como especialista, ele destaca a necessidade de pesquisar a possibilidade de conexões e criação de novos espaços para a aprendizagem a distância, mediados por convergência digital, em ambientes virtuais de aprendizagem, de modo a favorecer a flexibilização da aprendizagem e da comunicação na escola, pelas redes eletrônicas, criando novas formas de autonomia, de humanização e de auto cognição docente e discente.

A web 2.0 na visão sistêmica da EaD No âmbito da configuração sistêmica, da maioria dos ambientes digitais de aprendizagem utilizada na comunidade acadêmica brasileira, percebe-se que a visão do ensino-aprendizagem fica fragilizada diante do modo como essa prática desvaloriza a relação harmônica que pode ser criada entre o design didático, o ensino-aprendizagem e o subsistema de gestão de ensino na virtualidade.

Entende-se que a exploração do potencial sistêmico desses ambientes deve ser encarada como o grande diferencial na dialógica crítico-reflexiva da prática docente, incentivando a busca de melhores práticas não só, no ensinar aprendendo, mas, também, nas questões relacionadas à gestão da EaD.

Nesse sentido, a Web 2.0 como plataforma digital, possui ainda um grande potencial do ponto de vista da gestão de ensino, destacando funcionalidades que facilitam e articulam ações pedagógicas de gestão tais como: gestão da aprendizagem, gestão de resultados (indicadores e gráficos), gestão de acessos e controle de frequência virtual, gestão de atividades e entregas, etc. No campo da comunicação ela articula multimeios, informações e ações docentes otimizando o processo comunicacional vinculados à gestão de ensino.

Do ponto de vista da gestão da EaD, algumas práticas demonstram que a WEB 2.0 pode ainda mediar e otimizar os processos de Planejamento e Administração, o Processo Educacional, o Tecnológicos e o da Visão Sistêmica embutidos no Modelo de Gestão Integrada da EaD proposto pela WR3 EaD.

Em se tratando de educação à distância, WEB 2.0 como interface na mediação da aprendizagem e ações pedagógico-andragógicas oferece inúmeras possibilidades, tanto pelo seu potencial de convergência digital e conexões, quanto pela sua ação na articulação e inovação do design didático para a aprendizagem em rede, em processos de colaboração e interação.

Destaca - se como uma forte aliada na configuração e gestão dos processos administrativos e sistêmicos da EaD. Embora, no Brasil, essa realidade faça parte do cotidiano da educação acadêmica e corporativa a distância, a sua subutilização tem gerado resistências entre seus principais sujeitos da aprendizagem, que podem mascarar a riqueza das suas contribuições.

Assim, resinificar o papel do professor e dos gestores da EaD faz-se necessário, e com urgência, para que a WEB 2.0 não seja utilizada como mero espaço informativo, desarticulado, particionado, a serviço das funcionalidades do AVA, Ambiente Virtual de Aprendizagem, mas como uma verdadeira aliada do professor e do aluno, na busca de alternativas para uma aprendizagem significativa, inovadora e autônoma.


Referências: MORAN, J.M. (2007). A Educação que desejamos: Novos desafios e como chegar lá. Papirus, p. 167-169 MORAN, José Manuel. Interferências dos Meios de comunicação no Nosso Conhecimento. XXVIII Seminário Brasileiro de Tecnologia Educacional. Rio de Janeiro: ABT, 1996 MORAES, Maria Cândida, RUNO, Adriana Rocha, PESCE, Lucila. Pesquisando Fundamentos para Novas Práticas na educação online. São Paulo, RG Editores, 2008. SILVA, Adelina Maria Pereira da (Universidade Aberta). Processos de ensino-aprendizagem na Era Digital. Acesso em 16-06-2012, disponível em: http://www.bocc.uff.br/pag/silva-adelina-processos-ensino-aprendizagem.pdf SIEMENS, George (2004). Conectivismo: Uma teoria de aprendizagem para a Era Digital. Acesso em 16-06-2012, disponível em: http://wiki.papagallis.com.br/ George_Siemens_e_o_conectivismo COSTA, R. M. E. M.; MARINS, V. Aula 2 - Interfaces. [s.d.] Disponível em: . Acesso em: 04 jun. 2012. COSTA, R. M. E. M.; MARINS, V. Ferramentas da Web 2.0 e as Comunidades de Prática. Disponível em: . Acesso em: 16 jun. 2012. COSTA, R. M. E. M.; MARINS, V. Aula 4b - Ambientes Virtuais de Aprendizagem. Disponível em: . Acesso em: 16 jun. 2012.

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Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

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colunista

Enilton Ferreira Rocha

Professor universitário, Consultor em EaD corporativa e acadêmica. Autor de vários artigos sobre a EaD e Andragogia. Palestrante em Congressos Internacionais da ABED e Congressos e-Learning SP.Especialização em EaD, Docência do Ensino Superior, Sistemas de Informação e Finanças. Faz Especialização em Planejamento e Gestão da EaD na UFF. Coordenou o Polo Belo Hte da ABED. Parecerista na EDUFRO.