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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011 - 14:39

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Avaliação da Aprendizagem: A avaliação formativa e seus desafios

por: Potira Pereira Machado Albinati

Deixar de pensar a avaliação como uma barreira entre aluno e professor
Deixar de pensar a avaliação como uma barreira entre aluno e professor
1 INTRODUÇÃO

A avaliação acompanha os indivíduos durante toda a vida (CATANI & GALLEGO, 2009). Está presente nos mais variados contextos em que uma pessoa pode estar inserida: relações familiares, sociais, profissionais, escolares e vida acadêmica. Avaliar é um procedimento complexo, pois envolve imposições culturais que implicam em comparar, classificar e selecionar. Mas a avaliação da aprendizagem tem por objetivo verificar o que o aluno efetivamente aprendeu e fornecer subsídios para a atividade docente (BORBA et. al., 2007).

Uma avaliação da aprendizagem bem empregada pode ser uma ferramenta para a melhoria do ensino, levando o aluno ao sucesso, e não mais ao fracasso (SCHON & LEDESMA, 2008). Busarello (2000) sabiamente comenta que por trás da escolha do tipo de avaliação a ser praticada, está a decisão quanto ao tipo de ser humano pretende-se formar: submisso ou autônomo, passivo ou ativo.

Para Schon e Ledesma (2008), avaliar não é só medir o conhecimento e classificar, avaliar é respeitar o tempo de cada indivíduo e mostrar que do erro podemos sempre encontrar o caminho para o acerto. Dias Sobrinho (2004), vê a avaliação não só como tendo um papel técnico, mas também ético e político muito importante, tanto para as mudanças da educação como da própria sociedade. As práticas avaliativas podem ser estimulantes ou desestimulantes, promover ou frustar; em suma, "a avaliação poderá melhorar a aprendizagem ou simplesmente produzir resultados ou respostas sem sentido" (SCHON & LEDESMA, 2008, p.2).

Isso se deve também ao fato de a avaliação assumir diferentes significações para o avaliador e o avaliado (CATANI & GALLEGO, 2009). Nesse sentido, é valiosa a observação de Andrade (2001, p. 4) ao concluir que A avaliação representará sempre a ótica ou olhar de quem avalia, e quem avalia tem uma visão da realidade, uma competência científica e técnica e um engajamento político que irá se refletir na forma de avaliar e no critério definido que pode não ser o mais ético e o mais atento em promover as potencialidades de cada pessoa humana; do aluno enquanto cidadão.

Assim, fica fácil perceber o quanto importante é o engajamento do professor em rever suas práticas avaliativas, e ainda mais, o quanto pode ser difícil romper com antigos paradigmas para assumir uma nova postura ante o processo avaliativo e os avaliados. Deixar de pensar a avaliação como uma barreira entre aluno e professor, como o momento do acerto de contas e passar a encarar a avaliação como uma possibilidade: possibilidade de o aluno ser ajudado nas dificuldades e encorajado a continuar no sucesso.

Existem, segundo Borba et. al. (2007), diversos instrumentos de avaliação, entre os quais podem ser citadas as provas orais, escritas e práticas, entrevistas, relatórios, seminários, estudos de caso, resenhas, exercícios, entre outros. Para Borba et. al. (2007, p. 43), o estudo da avaliação da aprendizagem requer "reflexões sobre as concepções e os procedimentos vigentes, bem como sobre os paradigmas propostos na literatura educacional".

Schon e Ledesma (2008) completam que tais reflexões tem contribuição fundamental para melhorar a qualidade da educação. Além disso, salientam que a prática de "dar" notas ao fim de cada bimestre, muitas vezes não é condizente com o desempenho do aluno durante todo o processo de aprendizagem. "Refletir sobre avaliação não pode se limitar aos aspectos técnicos (ao 'como fazer'), mas exige a consideração das dimensões éticas e políticas" (CATANI & GALLEGO, 2009, p. 15).

A avaliação da aprendizagem é, portanto, um assunto um tanto quanto complexo e interessante; apesar de parecer algo extremamente simples, existe muito debate e indagações sobre o tema. Assim, o presente estudo teve como objetivos descrever a avaliação da aprendizagem, e identificar a relação entre a avaliação da aprendizagem e o processo de construção do conhecimento. Foi utilizada a revisão sistemática de literatura, onde foram consultados artigos e livros que abordam a avaliação da aprendizagem em geral.

2 A AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM

O termo avaliação é usado corriqueiramente em diversas situações. Refere-se a mensurar, testar, verificar, entre outros, e avaliam-se objetos, pessoas, instituições, condições, preços, etc. O resultado da avaliação nos permite formar uma ideia ou agir de determinado modo em relação ao item avaliado. A avaliação, segundo Catani e Gallego (2009), pode ser aplicada para aferir conhecimento, desempenho, etc. em diversas esferas (pessoal, educacional, profissional, entre outras).

Na situação escolar, o ato de avaliar está comumente identificado com dar ou receber notas, fazer provas, exames ou passar de ano" (CATANI & GALLEGO, 2009, p. 10). A avaliação tem por objetivo analisar a evolução dos estudantes para auxiliar o professor a decidir o que fazer para assegurar a efetividade da aprendizagem. Várias técnicas podem ser aplicadas para avaliar, conforme o objetivo e a natureza do componente que está sendo avaliado (SUHR, 2008). A avaliação da aprendizagem é ainda um ponto vulnerável da atuação do professor e requer melhores e profundas reflexões e compreensões (ENRICONE & GRILLO, 2003).

Desde há muito, um dos grandes desafios a serem enfrentados no processo de democratização da educação consiste no debate sobre as formas de avaliar, já que estas podem se constituir num dos mecanismos legitimadores não só do sucesso, mas também do fracasso escolar tendo, muitas vezes, o pode de conformar e direcionar o "destino" dos alunos (CATANI & GALLEGO, 2009, p. 15).

A grande maioria dos professores avalia os alunos sem terem profundo conhecimento sobre avaliação. Seguem regras, normas, cartilhas e programas de forma mecânica e alienada (BORBA, 2003). Borba (2003, p. 12, grifo do autor) afirma que "um, entre outros, dos principais fatores, em termos de fracasso escolar é o surrealismo da situação do professor: salários de fome e exigências e cobranças de eficiência máxima".

E completa: "o retorno financeiro dos professores é mínimo face à riqueza que eles proporcionam ao social". Luckesi (2005) concorda nesse sentido, afirma que salários melhores fazem parte das condições básicas de trabalho para um professor, que por sua vez estaria mais motivado a trabalhar e desempenhar com primor seu papel de educador se fosse tão valorizado quanto merece.

O autor acredita que os professores brasileiros já fazem o bastante, visto as condições precárias em que são obrigados a trabalhar. Dessa maneira, falta ao professor subsídios para atualizar-se, o que prejudica inclusive sua prática avaliativa, que se mantém ultrapassada (BORBA, 2003). E, conhecer profundamente a avaliação da aprendizagem, estudar e prepara-se para avaliar é, segundo Furlan (2007, p. 20) importante para o "desenvolvimento da profissionalização docente". As avaliações são ainda realizadas segundo uma concepção conservadora, mesmo tendo subsídios teóricos modernos e atuais para a inovação do ato de avaliar.

A prática de avaliações rígidas e realizadas apenas com caráter classificatório, sem considerar o empenho do aluno durante o processo, resulta em um grave problema social caracterizado pela frustração do aluno com relação ao seu desempenho. Contudo, desde a década de 90, existem manifestações dos educadores em favor de mudanças nesse paradigma, defendendo a educação formativa como adequada. A educação formativa visa avaliar a aprendizagem real dos alunos e preocupa-se com a formação, não mais com a classificação. E, de acordo com Neves (2007), a avaliação formativa é uma prática interessante em todos os níveis de ensino, desde o ingresso da criança na vida escolar, até a sua formação no ensino superior e além.
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Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

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colunista

Potira Pereira Machado Albinati

Enfermeira docente, cursando Especialização em Saúde Pública e em Enfermagem do Trabalho. Professora e supervisora de estágio pela Escola São Judas no período de março a dezembro de 2011.

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