Super-herói da Educação Itinerante
Super-herói da Educação Itinerante
A vida de “professor itinerante” é mais desafiadora do que a de um super-herói de cinema, pois, esse educador lida constantemente com todo tipo de situação real: ferroada de arraia, de moribundos, de abelhas africanas, mordida de cobras, de jacarés, picada de mosquitos da dengue, da malária, da leishmaniose, da febre amarela, de mosquitos hematófagos e até chupada de morcegos. E ainda podemos listar a jornada de longas viagens por trilhas traiçoeiras, viagens de barco e a árdua jornada pedagógica de planejamentos e o preenchimento do famoso diário de classe.
Embora a Secretaria Municipal de Educação tenha conseguido nos últimos anos melhorar as estruturas das escolas ribeirinhas e o meio de transporte que dá acesso a essas comunidades, ainda não foi possível solucionar todos os problemas enfrentados por esse profissional que atua nessas instituições.
A vida do professor itinerante, sobretudo nessas escolas da zona ribeirinha, é bem atípica a do professor da zona urbana, pois se ouve constantes relatos de professores que foram banhar-se no rio e tiveram os pés ferroados por arraias, outros que foram ferroados por moribundos e abelhas africanas. Também há relatos de professores que quase foram mordidos por cobras e atacados por jacarés. No caso dos mosquitos, muitos desses professores já contraíram malária, dengue, febre amarela e leishmaniose, e ainda houve o caso de um professor que foi chupado por um morcego na comunidade do Jatuarana.
Além disso, ainda existe a árdua jornada das viagens de barco, quando o professor tem que viajar no período noturno, dentro de uma rede num motor chamado barco de linha, muitas vezes debaixo de uma perigosa tempestade. Outra hora, por longas trilhas, onde tem que subir em árvores, morros, colinas, montanhas e até atravessar grandes pântanos da imensa floresta Amazônica.
Outro desafio do professor itinerante é o planejamento, quando este tem que fazer um planejamento por mês para cada escola em que trabalha, assim, como geralmente ele atua em três escolas, são necessários nove planejamentos, se ele não for convocado para trabalhar em mais uma ou duas escolas no decorrer do ano letivo. E ainda para complicar esse super-herói, tem o tal do famoso diário de classe, que até aqui tem sido uma pedra no sapato do professor na hora de preenchê-lo.
Por todos esses fatos mencionados, somos categóricos em afirmar que a vida de “professor itinerante” é muito mais desafiadora do que a de um super-herói de cinema, a única desvantagem está nos ganhos reais de salário. Porém, esse professor super-herói supera todas essas forças ameaçadoras com profissionalismo, amor e dedicação à educação dos alunos das escolas ribeirinhas, para assim, poder suportar as adversidades e construir junto com essas crianças e jovens um mundo que os levem a uma educação mais libertadora e significativa.