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A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO E SEUS REFLEXOS NO ENSINO INFANTIL

Artigo por Loraine Sibele de Lima Cortez - quarta-feira, 30 de novembro de 2011

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Todo e qualquer processo educacional leva a um fim
Todo e qualquer processo educacional leva a um fim
Resumo

O presente trabalho discute as mudanças que têm ocorrido ao longo do tempo no âmbito da educação, como se deu a trajetória sócio-histórica, desta forma, buscando contribuir para uma reflexão que a ponte para a importância da interface do universo infantil. Inicialmente, delimita configurações sobre os primeiros passos da educação e como esta evoluiu ao longo do tempo, o que proporcionou aos indivíduos características que se refletiram ao longo das sociedades.

Também delimitaremos o conceito de Educação e as funções do processo educacional no interior da sociedade, para então considerar as abordagens que dão conta da relação Educação e Sociedade e ver quais os fatores sociais que intervieram nos processos educativos e como se integram. Ainda discutiremos sobre o contexto social no mundo e no Brasil. Em seguida, faz-se uma abordagem sobre a importância da política, o que garantiu direito às crianças a um ensino de qualidade, situando famílias à assistência social devida.

Conclui discorrendo como a interface dos grandes idealizadores que contribuíram para um caráter social e educativo, apontando atribuição profissional dos educadores e das grandes ideias que surgiram ao longo dos anos, que vieram garantir uma educação de qualidade para as nossas crianças.

Introdução

Segundo Noé (2000), a gênese da Educação Infantil parte de uma retomada histórica, que orienta o próprio pensamento educativo. Na antiguidade não existia um conceito formado sobre a infância, o que resultaria na falta de conhecimento quanto às peculiaridades infantis. Sendo assim, com as mudanças sociais e o avanço crescente da ciência, há diminuição do índice de mortalidade infantil, isso traz transformações no âmbito familiar, e a família passa a exercer a função de educar, surgindo assim, um sentimento diferente que considera a criança ingênua, gentil e graciosa, servindo muitas vezes como distração ao adulto.

A educação é em suma um processo universal, por se tratar de um processo que escraviza e liberta simultaneamente. Na verdade todo e qualquer processo educacional leva a um fim, conduz à formação de um ser humano e tem uma teoria e uma prática social determinada, tenha ou não o educador consciência disso (Dewey, 1971). A partir dos pressupostos citados acima, a história da educação é escrita junto à história da humanidade, isso nos mostra que os homens primitivos conviviam de forma social, embora em estado rudimentar de civilização, portanto, é a educação que mantém viva a memória de um povo e dá condições para sua sobrevivência (Cambi, 1999).

Até o inicio do século XX no Brasil, no que tange a educação, a preocupação do governo era a formação da elite, o que levou a concentrar seus esforços apenas na educação secundária e superior. Apenas na década de 20, o modelo existente "da Elite", é substituído pelo sistema nacional de educação, que tinha por objetivo dar suporte à educação básica, ou seja, educação para todos de forma igualitária (Saviani, 2008)

A educação é algo recente na história da sociedade brasileira, uma constatação evidente é a de que, investigar os processos dos aprender é fundamental para ampliarmos a compreensão das formas, de como em tempos e espaços distintos homens e mulheres organizam sua vida (Borges, 1987).

A compreensão das mudanças ocorridas ao longo do tempo é tema atual e desafiador para a instauração de um trabalho de qualidade social junto às crianças e famílias usuárias de creches e pré-escolas. As transformações do ponto de vista legal, social e educacional, determinam diretrizes e parâmetros de atuação, que suscitaram a necessidade de um reordenamento na estrutura funcional e organizacional do sistema, principalmente naquelas voltadas para o atendimento de crianças pobres, pois a sua abrangência, além da esfera da Assistência Social, alcançou a da educação, tendo esta um papel primordial.

Desta forma o objetivo deste trabalho é percorrer a trajetória sócio-histórica de diferentes desenvolvimentos teóricos sobre a questão Educação e Sociedade e como estes processos influenciaram o decorrer da educação infantil. O Homem Primitivo e suas fontes históricas de Educação A educação é um fato primitivo social tão antigo quanto o próprio homem, sua prática se dá desde que este apareceu na terra, ou seja, desde que se formou a família humana. Assim, inicia-se a História da Educação com o da História da Humanidade.

ra tanto, não consideramos o homem primitivo como um ser animalizado, incapaz de raciocinar, desconhecendo qualquer convenção ou norma social, mas um ser perfeitamente caracterizado, embora em estado rudimentar de civilização (Bello, 1978). Para Bello (1978), fontes históricas são todos os elementos que de algum modo possam contribuir para o conhecimento, a interpretação ou a autentificação de um fato da história.

Sendo assim, são constituídas pelos restos e produtos pré-históricos, e principalmente, pela vida e costumes dos selvagens atuais. É inteiramente informal essa educação, processando-se através da imitação natural e espontânea das atividades dos adultos por parte da criança, revestindo-se também, de um sentido essencialmente místico. A Importância da História da Educação O eixo acerca da história e da pedagogia passa por reflexões sobre teorias que têm por objeto a ação humana.

A história é dada como a interpretação ativa, transformando o homem através do tempo. A pedagogia parte da teoria crítica da educação, isto é, da ação do homem quando transmite ou modifica a herança cultural (Aranha, 1996). Segundo Aranha (1996), a partir das relações que se estabelecem entre si os homens criam padrões de comportamento, instituições e saberes, o que lhes permite assimilar e modificar os modelos valorizados em uma determinada cultura.

Portanto, é a educação que mantém viva a memória de um povo e dá condições para sua sobrevivência. Esse processo, no entanto, não é isento de distorções. Nas sociedades tribais a cultura global é transmitida de maneira informal pelos adultos, dessa forma atinge todos os indivíduos. Nas sociedades mais complexas, com o passar do tempo, a educação formal assume um caráter intelectualista, cada vez mais distanciado da atividade concreta, destinando-se apenas à elite.

As demais classes têm preterida a sua formação, pois a elas é destinado o trabalho braçal (Saviani, 2008). Ao longo dos tempos operou-se uma profunda transformação metodológica na pesquisa histórico-educativa, levando a uma radical mudança de orientação. A história da pedagogia no sentido próprio nasceu entre os séculos XVIII e XIX e desenvolveu-se no decorrer deste último como pesquisa elaborada por pessoas diretamente ligadas a escola, empenhadas na organização de uma instituição cada vez mais central na sociedade moderna.

A história da pedagogia nasce com uma história ideologicamente orientada, que valoriza a continuidade dos princípios e dos ideais, representada, sobretudo pela Filosofia (Cambi, 1999).

A Educação Infantil no Mundo

A educação das crianças pequenas, durante muito tempo, era percebida como tarefa das famílias, principalmente da mãe e das mulheres. Após os desmame, quando esta já alcançava certo grau de independência, era inserida no mundo adulto. Somente no século XIX é que será atribuído à pré-escola uma conotação educativa, como forma de compensar as carências socioculturais negligenciadas às crianças pelas famílias. Borges (1987), afirma que: ..."A pré-escola, nesse caso, é um recurso benéfico, enquanto se propõe a ser um ambiente intermediário, entre o lar e a escola, no período de vida em que a personalidade começa a se formar. Cabe ao professor proporcionar um ambiente agradável que facilite a adaptação da criança, nesse primeiro contato com a escola, demonstrando que gosta dela e se interessa por ela, uma vez que a transição dá um impacto muito grande e, por isso mesmo, exigirá, tanto do professor como dos pais, grande compreensão e paciência." Durante muitos séculos a criança não tinha nenhuma identidade, a educação primária era disponibilizada somente para elite, porém no século XX, cresce a ideia de respeito à criança, isso gera intenso movimento das Escolas Novas. Passado esse tempo, com a segunda Guerra Mundial, surge a ideia de que as crianças são portadoras de direitos. Então, em 1959, a ONU promulga a Declaração dos Direitos da Criança, tornando este um fator importante, permeando a criança como sujeito de direitos (Oliveira, 2005).

A Educação Infantil no Brasil

A educação no Brasil começou com a vinda dos jesuítas em 1549, os quais fundaram, em 1950, o "Colégio dos Meninos Jesus", na Bahia, ao qual se seguiram o de São Vicente e muitos outros, essas escolas eram primárias passando depois a secundárias. Com a expulsão dos Jesuítas, em 1759, a educação brasileira ficou completamente em abandono, sendo os seminários católicos as quase únicas escolas existentes (Bello, 1976). Segundo Piletti & Piletti (1990), no campo do ensino de primeiras letras, poucas foram às iniciativas da União durante o Império.

Em 1823, através de decreto de 1º de março, foi criada no Rio de Janeiro uma escola que deveria trabalhar segundo o método Lancaster, ou do ensino mútuo. Segundo esse método, baseado na obra de Joseph Lancaster (Sistema monitorial, 1798), haveria apenas um professor por escola e, para cada grupo de dez alunos, haveria um aluno menos ignorante que ensinaria os demais.

Porém, a Constituição outorgada em 1824 limitou-se a estabelecer que a instrução primária seja gratuita a todos os cidadãos (art. 179). Para Manacorda (2010), a Pedagogia é uma ciência nova que tende a definir-se através de teorias e normas e lhe parecia que uma geração mais vigorosa e mais segura de si, não deveria ter necessidade de tantos estudos sobre as crianças. Dessa forma, não é por acaso, que os dois fatos novos, o ensino mútuo e as escolas infantis, nascem na Inglaterra industrializada.

Os outros países podem gloriar-se de ter um Rousseau, um Pestalozzi, um Felbiger, um Humboltd ou um Condocert, mas em todos os países a discussão e a iniciativa convergem sobre o método e a didática. Todavia, a batalha didático-pedagógica atingiu todos os níveis de instrução, das escolas infantis, que começam a difundir-se as escolas elementares, para as quais se discutem o novo método de ensino mútuo.

No ano de 1827, uma lei determinou que deveriam ser criadas escolas de primeiras letras em todas as cidades, vilas e lugarejos, e escolas de meninas nas cidades mais populosas, dispositivos que nunca chegaram a ser cumpridos. Em 1854, o ensino primário foi dividido em elementar e superior. O ensino primário era pouco difundido, pois, os orçamentos provinciais eram escassos, os escravos eram proibidos de frequentar a escola, o curso primário nem era exigido para ingresso do secundário (Piletti & Piletti, 1990).

Isso se deve, pois a principal preocupação do governo, no que diz respeito à educação, era a formação da elite, objetivo este que levou a concentrar seus esforços no ensino secundário e superior. A década de 20 marcou um momento de grande discussão na educação brasileira. O modelo existente, que dava ênfase a formação das elites, foi colocado de lado. Em seu lugar propunha-se a instituição de um sistema nacional de educação, com ênfase na educação básica, no ensino primário, mas formando um todo articulado, do primário ao nível superior.

Os educadores que participavam dos debates e discussões acerca desse processo, tinham um grande entusiasmo pela educação, eles acreditavam que através dela poderiam modificar a própria sociedade (Saviani, 2008). Com a revolução de 30, alguns dos reformadores educacionais da década anterior, passaram a ocupar cargos importantes na administração do ensino.

Portanto, a primeira inciativa no campo da educação, foi à criação do Ministério da Educação e das Secretarias de Educação dos Estados. Essa revolução foi um grande passo, pois, propiciou um clima de muita discussão e de agitação de ideias em todos os campos (Piletti, 1990). Em 1934, aparece pela primeira vez o direito à educação fundamentada na Constituição, art. 149, que estabelece o seguinte: a educação é direito de todos.

Eliminado a Carta de 1937, voltaria para ficar em 1946. Apesar de reconhecido constitucionalmente, o direito a educação ainda não se transformou em realidade para grande parte dos brasileiros. É nesse período também que aparece pela primeira vez o estabelecimento da responsabilidade solidária da família e dos poderes públicos pela educação, que atribui competência aos Estados e ao Distrito Federal de organizar e manter sistemas educativos nos territórios respectivos, respeitadas as diretrizes da União (art. 151).

Com o golpe do Estado Novo e a Constituição imposta ao país em 10 de novembro de 1937, Vargas assumiu um controle ditatorial sobre a sociedade brasileira. O ensino primário passou a ter finalidades a iniciação cultural, o desenvolvimento da personalidade e a preparação para vida familiar, a defesa da saúde e o trabalho. Dividia-se em fundamental e supletivo (Cotrim & Parisi, 1984).

De 1946 a 1964, houve um avanço da participação popular e, consequentemente, da educação popular. Nesse período foram organizadas numerosas campanhas visando à ampliação e a melhoria do atendimento escolar. A Lei de Diretrizes e Bases da educação Nacional (Lei nº 4 024 de 20 de dezembro de 1961) foi a primeira a englobar todos os graus e modalidades do ensino. Tem como características principais: objetivos do ensino inspirados nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana; Estrutura dividida em pré-primário (até sete anos), primário (quatro a seis anos de duração), ensino médio: ginásio de quatro anos e colegial de três anos, ambos abrangendo diferentes modalidades - secundário, técnico -industrial, agrícola e comercial - e normal, superior - graduação e pós-graduação (Kramer, 2003).

Promulgada em 5 de Outubro de 1988, a nova Constituição inclui parcialmente dispositivos educacionais que dão às famílias e ao Estado direitos e deveres. A partir da nova Constituição, os educadores e suas entidades representativas mobilizaram-se para oferecer propostas à nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que deve englobar todos os níveis e modalidades de ensino e favorecer o avanço da sociedade e da escola (Piletti, 1990).

Para Rocha (1999), a mudança social na escola pode ocorrer através do processo de descoberta, invenção, conjuntos, espontaneidade, liberdade e participação: "A descoberta é o conhecimento de algo que já existe. A invenção é a soma do conhecimento já existente com o objetivo de obter um novo conhecimento resultante de uma nova experiência. A invenção pode ser incentivada por jogos em sala, processo de escrita, composição de arte visual e contato com a música e manifestações artísticas em geral. No conjunto a escola deve estar aberta para a comunidade, a cultura local e própria de cada aluno, e aberta para a realidade que a cerca como forma de integrar todos no conceito e elaboração de ensino.


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colunista

Loraine Sibele de Lima Cortez

Possuo Graduação em Ciências Biológicas (licenciatura e bacharel), Licenciatura Plena em Pedagogia e uma Pós-Graduação em andamento na área de Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável.