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Artigos de Odontologia


Os Defeitos Do Esmalte e a Erupção Dentária Em Crianças Prematuras


7 de janeiro de 2009


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INTRODUÇÃO


Avanços nas áreas de obstetrícia e pediatria neonatal, além do
monitoramento adequado nas unidades de terapia intensiva quanto
à prematuridade, têm proporcionado prognósticos perinatais alentadores.
Neste contexto, há uma diminuição não somente da mortalidade
como da incidência de seqüelas para o recém-nascido,
contudo, com custos extremamente elevados. Os partos prematuros,
apesar disso, ocorrem com uma freqüência de 5% a 15%
dos casos, tendo provavelmente como fatores predisponentes a
desnutrição intra-uterina, diabetes, rubéola, alterações da placenta,
idade materna, dentre outros3,17.
A prematuridade tem sido descrita como uma das causas para o
retardo na erupção dentária e aparecimento de defeitos no esmalte,
desde alterações de cor até danos mais severos, como agenesia
dental22. Uma das hipóteses para explicar o aparecimento dos defeitos
do esmalte em prematuros seria a imaturidade de órgãos, como fígado,
rins e glândulas da paratireóide, em metabolizar cálcio. Nesta situação,
a mineralização do esmalte é prejudicada formando dentes
hipocalcificados, manchados e com aspecto de giz, porém com espessura
normal, denominados opacidades5,9,12.
Isso ocorre não somente como resultado da própria
prematuridade, mas de várias complicações associadas a ela.
Nos distúrbios maternos como a desnutrição, a falta de vitamina
A, responsável pela função imunológica, crescimento das células
formadoras do esmalte (ameloblastos), assim como estados febris,
diabetes, rubéola, eclâmpsia, hipertensão, podem alterar a arquitetura
celular e o metabolismo durante a deposição da matriz orgânica,
gerando outro tipo de defeito com espessura reduzida, sulcados e
imperfeitos, classificados como hipoplasias4,6.
As crianças prematuras geralmente têm baixo peso ao nascer
(peso menor que 2.500 gramas)15 e, com a diminuição deste, há uma
maior propensão às doenças sistêmicas, ocasionando em 5% das
crianças desvantagens físicas e em 4% desvantagens intelectuais22.
O baixo peso pode estar relacionado a um menor período
gestacional e má-nutrição materna, com riscos de desenvolver
quadros de hipocalcemia, a qual está associada ao aparecimento dos
defeitos do esmalte7,8.
Ao nascimento, o prematuro freqüentemente tem uma deficiência
respiratória, requerendo uma ventilação mecânica através de tubos
nasotraqueais ou orotraqueais. Apesar disso, a entubação orotraqueal
e a laringoscopia podem provocar danos à laringe, provocar cistos
subglóticos, estenose bronquial, além das fendas palatinas, ranhuras
alveolares, dilaceração dos dentes decíduos, mordidas cruzadas, mordidas
abertas, problemas na fala e hipoplasia do esmalte19.
Para avaliar as condições vitais dos recém-nascidos, é utilizada uma
escala denominada Boletim de Apgar, cujos valores baixos em 1 minuto
e 5 minutos têm sido relacionados com defeitos do esmalte17.
A prematuridade e o baixo peso ao nascer podem influenciar o
inicio da erupção dentária na cavidade bucal. Verificou-se que crianças
196 Rev Assoc Med Bras 2005; 51(4): 195-9
CAIXETA FF ET AL.
prematuras têm em média seus dentes erupcionados na 39ª semana,
enquanto que as nascidas a termo, na 30ª semana25. Alguns outros
fatores como distúrbios endócrinos, hipotireoidismo, disostose
cleidocranial podem resultar em erupção tardia, assim como a
puberdade precoce em erupção avançada21,23.
Para estimar o período em que o distúrbio ocorreu, o conhecimento
da odontogênese se faz necessário. Os primeiros dentes
a se formarem são os incisivos, por volta da 14ª semana de vida
intra-uterina. Seu desenvolvimento completa-se no final do terceiro
mês de gestação, período este em que os caninos e molares iniciam
sua formação25.
Ao nascer, somente o terço incisal dos incisivos estão cobertos
com esmalte de espessura final. Nos demais dentes, as camadas
adicionais do esmalte só serão depositadas no período pós-natal.
Na dentição permanente, apenas a face oclusal das cúspides dos
primeiros molares tem tecido mineralizado14.
Orientações às mães dos pacientes prematuros quanto a alimentação
e higienização devem ser ressaltadas, pois o aparecimento de
defeito do esmalte ocasiona irregularidades na superfície dental,
criando nichos para um maior acúmulo de placa bacteriana. Adicionalmente,
a susceptibilidade à ação dos ácidos também é aumentada, pela
dificuldade de higienização, desenvolvendo doenças como a cárie16,27.
O objetivo principal do trabalho foi determinar possíveis relações
entre prematuridade e a existência de defeitos do esmalte e/ou
retardo no início da erupção dentária, equalizando conhecimentos,
diagnósticos e planejamentos terapêuticos entre pediatras e
odontopediatras, permitindo assim um desenvolvimento adequado
da saúde geral e bucal deste paciente.

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Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

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