CURSOS ONLINE GRÁTIS NA COMPRA DE UM DOS 1400 CURSOS ONLINE

Obturação dos canais radiculares em segundos - Realidade ou Ficção?

Artigo por Colunista Portal - Educação - terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Tamanho do texto: A A

Obturação dos canais radiculares em segundos – Realidade ou Ficção?

Prof. Eduardo Tanaka de Castro
Mestre em Endodontia – FOB-USP/Bauru.
Disciplinas de Endodontia, Clínica Integrada e Urgência da UNIOESTE-Cascavel/PR.
Disciplinas de Endodontia e Clínica Integrada da UNIPAR-Cascavel/PR.
Cursos de Atualização, Especialização e Avançado em Endodontia da UNIOESTE.
Prof. Convidado Cursos Endodontia ABCD – Campo Grande/MS e IPEO – Cuiabá/MT.


     Há tempos a Endodontia desenvolve novos materiais e técnicas de obturação dos canais radiculares, com o objetivo de acelerar esta fase do tratamento endodôntico que consome, em média, 30% do tempo total de trabalho1.
    Na década de 60, Schilder2 preconizou a técnica da compactação vertical com a guta-percha aquecida por meio de condensadores verticais e, desde então, novos métodos surgiram modificando a forma de aquecimento e compactação da guta-percha.

    McSpadden3, no início da década de 80, iniciou a condensação termo-mecânica, a qual utiliza um instrumento de aço inoxidável semelhante a uma lima tipo Hedström, com a lâmina invertida, denominado condensador de McSpadden. O condensador, girando no sentido horário dentro do canal radicular, plastifica a guta-percha devido ao calor produzido pelo atrito. Quando o material se plastifica, o mesmo é condensado em direção ao ápice. Nesta técnica emprega-se somente o cone principal, o que ocasiona o extravasamento apical do material obturador em diversos casos.

     Em 1984, Tagger4 sugeriu uma modificação na técnica de McSpadden, substituindo o condensador de guta-percha. Assim, o formato de uma lima Hedström invertida é substituído por uma lima tipo Kerr invertida (Engine Plugger). Além disso, na obturação são aplicados cones secundários/acessórios no terço apical do canal, criando a chamada técnica híbrida.
Com a dificuldade de se encontrar comercialmente no Brasil o condensador de McSpadden e o Engine Plugger, e com a distribuição nacional do Gutta Condensor pela Maillefer (Suiça), adaptou-se este instrumento no método preconizado por Tagger, denominando-se técnica híbrida de Tagger modificada.

    Também no início dos anos 80, foi desenvolvida uma técnica de obturação, em que a guta-percha recobre uma haste condutora antes de ser aquecida e aplicada no canal.5  As técnicas que empregam este princípio de obturação são ThermaFil (Tulsa Dental Products, Tulsa, Okla), Densfil (Caulk/Dentsply, Milford, Del) e SuccessFil (Hygienic Corp., Akron, Ohio).

    Assim, as técnicas podem ser divididas em termomecânica (a guta-percha é aquecida e plastificada dentro do canal radicular, com a geração de calor ocasionada pelo atrito) e termoplástica (a guta-percha é aquecida e plastificada fora do canal radicular, empregando-se aquecedores elétricos).

    Na década de 90, houve um grande aperfeiçoamento das técnicas de obturação já existentes. A evolução da técnica de Schilder ocorreu com o System B, e Touch’n Heat (EIE/Analytic Technology, San Diego, CA), em que o condensador vertical é aquecido por uma fonte elétrica e não mais por chamas de lamparinas.

     O avanço da técnica híbrida de Tagger modificada iniciou-se em 1992, novamente com McSpadden6, com o lançamento do sistema Multi-Phase (NiTi Co., Chattanooga), o qual utiliza dois tipos de guta-percha: beta e alfa. O tipo beta possui maior temperatura de fusão, baixo escoamento e pouca adesividade às paredes do canal. O tipo alfa tem menor temperatura de fusão, alto índice de escoamento e adesividade. Um detalhe importante é que os tipos beta e alfa são praticamente idênticos em relação à composição química, diferenciando-se apenas a estrutura molecular. No tipo Beta a estrutura é mais cristalina e no tipo Alfa, mais linear, o que determina as diferenças clínicas entre elas. A técnica do Multi-Phase introduz a guta-percha beta e alfa no canal por meio de um condensador e, conseqüentemente, não utiliza cone principal. Para evitar extravasamento apical de material obturador, várias regras foram preconizadas, porém, pelo desconhecimento desses cuidados, esse sistema é desprezado por muitos profissionais.

     As vantagens clínicas do emprego da guta-percha tipo alfa foram rapidamente reconhecidas e, assim, surgiu o sistema Microseal (Analytic Endodontics, Orange-CA), que passou a utilizá-la, com cone principal, visando evitar os inconvenientes do sistema Multi-Phase.

    Todos esses sistemas de obturação termoplástica foram desenvolvidos e produzidos em outros países, tornando a aquisição e a reposição de guta-percha um alto custo para a realidade nacional, sendo constatado pelo baixo número de cirurgiões dentistas e endodontistas que os utilizam rotineiramente na clínica.

      Em 2002 foi desenvolvido e patenteado um sistema de obturação termoplástica, o Sistema-TC (Tanaka de Castro & Minatel Ltda, Cascavel-PR), com o objetivo de tornar mais acessível esta técnica, preservando a qualidade do tratamento endodôntico.
    Este sistema utiliza apenas a guta-percha tipo alfa (de baixa fusão), sem o emprego do cone principal. O extravasamento apical de material obturador é totalmente controlado empregando-se uma fina camada de cimento endodôntico às paredes do canal, selecionando-se corretamente o diâmetro do condensador de guta-percha e respeitando-se o limite máximo de inserção do condensador dentro do canal.

    A plastificação da guta-percha é realizada pela ação de um aquecedor elétrico de baixa intensidade, ou seja, com temperatura baixa associada a um tempo maior de aquecimento, que produz a uniformização do material.  As vantagens, comprovadas clinicamente há 5 anos, são:

•      Consistência diferenciada da guta-percha, que facilita o trabalho;
•     Maior radiopacidade nas obturações, nitidamente visível na radiografia, quando comparada com os outros sistemas de termoplastificação;
•    Melhor relação custo-benefício do mercado, por empregar tecnologia nacional e por oferecer maior quantidade de guta-percha na seringa;
•   Simplificação da fase de obturação do canal radicular, podendo ser executado por graduandos, profissionais e especialistas;
•       Obturação rápida (em média 5 segundos), possibilitando maior produtividade clínica;
•    Aplicação possível de ser realizada em todos os casos clínicos (canais atrésicos, curvos, rizogênese incompleta e anatomia complexa).

Todas essas vantagens resultam na redução dos custos, do tempo e do estresse do tratamento endodôntico.

1. PORTO, FA. O consultório odontológico. São Carlos, Scritti: 1994. 152p.
2. SCHILDER, H. Filling root canals in three dimensions. Dent Clin North Am. 11: 723-44, 1967.
3. HARRIS, GZ; DICKEY, DJ; LEMON, RR; LUEBKE, RG. Apical seal: McSpadden vs. lateral condensation. J. Endod. 8(6): 273-276, 1982.
4. KATZ A, SZAJKIS S, TAMSE A, TAGGER M. Standardization of endodontic instruments and materials: expectations and reality. Part 1: Development of the system. Refuat Hashinayim. 1984 Jan; 2(1): 18-9.
5. JOHNSON, WB. A new gutta-percha technique. J. Endod. 4(6): 184-8, 1978.
6. MCSPADDEN, JT. Une nouvelle approche pour la preparation et l’obturation canalaire. Endo Revue Française d’Endodontie, V.12, n.1, p. 9-19, 1993.
CreativeCommons

Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

Comentários


colunista

Colunista Portal - Educação

O Portal Educação possui uma equipe focada no trabalho de curadoria de conteúdo. Artigos em diversas áreas do conhecimento são produzidos e disponibilizados para profissionais, acadêmicos e interessados em adquirir conhecimento qualificado. O departamento de Conteúdo e Comunicação leva ao leitor informações de alto nível, recebidas e publicadas de colunistas externos e internos.