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1 de janeiro de 2008
Dra. Maria Isabel Monteiro Briote
Cirurgiã-Dentista
Você deve estar perguntando: por que falar sobre chumbo em um site de odontologia? A resposta é simples: o envenenamento pelo chumbo pode ocasionar manifestações orais. A mucosa bucal responde com sinais e sintomas característicos. Portanto, é importante reconhecer estes sinais para dar-lhes o correto significado, eventualmente preveni-los, ou, de qualquer modo, se precaver do seu possível surgimento, mesmo com a finalidade de atenuar-lhe as conseqüências.
É comum, no consultório, atendermos a pacientes de profissões distintas e que apresentam um risco maior de envenenamento pelo chumbo, como indivíduos que trabalham com montagem de veículos, recuperação de baterias, soldagem, mineração, manufatura de plásticos, vidros, cerâmicas, indústrias de tintas e oficinas de artesanato.
Existem ainda situações em que o local de trabalho é a própria moradia, o que leva à exposição a vizinhança e as crianças que podem ingerir lascas de tinta em casas velhas, além de ficarem expostas ao gás ou pó durante o lixamento e restauração.
O chumbo é o metal pesado mais abundante na crosta terrestre e um dos primeiros a ser trabalhado pelo Homem, sendo conhecido desde 3.500 a.c, segundo descobertas arqueológicas feitas no Egito. A intoxicação ocasionada por absorção prolongada de chumbo ou de sais é denominada Plumbismo ou Saturnismo e, atualmente, ocorre principalmente como risco ocupacional.
Os primeiros sintomas consistem em perda do apetite, cólicas abdominais, náuseas, neurite periférica com paralisia dos nervos extensores das mãos e dos pés. As manifestações orais incluem estomatite ulcerativa e uma linha de chumbo gengival. A linha de chumbo apresenta-se como uma linha azulada ao longo da gengiva marginal, conseqüência da ação do sulfeto de hidrogênio bacteriano no chumbo, no sulco gengival, produzindo um precipitado de sulfeto de chumbo. Áreas cinzentas também podem ser observadas na mucosa jugal e na língua.
Como manifestações clínicas associadas, podemos ter: sialorréia (salivação excessiva), gosto metálico na boca, tremor da língua na impulsão, doença periodontal avançada e linfadenopatia satélite. Os medicamentos de eleição no tratamento em casos de envenenamento por chumbo incluem agentes quelantes, como dimereaprol (BAL), ácido dimercaptossuccínico, EDTA-cálcio, D-penicilamina e cálcio dissódio edatamil, além da rigorosa higiene bucal. É de suma importância mencionar que o tratamento das lesões da boca é secundário ao tratamento sistêmico e o prognóstico depende da condição geral do paciente.
Referências Bibliográficas:
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3. NEVILLE,B.W.,DAMM,D.D.,ALLEN,C.M.et al. Patologia Oral & Maxilofacial.Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,1998.
4. SHAFFER, W.G., HINE, M.K., LEVY, B.M. Tratado de Patologia Bucal. 4° ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1985.
5. TOMMASI, A.F. Diagnóstico em Patologia Bucal. 3° ed.São Paulo: Pancast,2002.
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