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1 de janeiro de 2008
Ângelo César ROSA* angelocesarrosa@ig.com.br
Cirurgião-Dentista, Graduado na Faculdade de Odontologia da PUC Minas. Belo Horizonte/MG; Pós-Graduando em Saúde Coletiva na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
1. Introdução:
O taurodontismo constitui uma alteração de desenvolvimento dos dentes na qual o formato anatômico dentário encontra-se alterada (Amorin 2001). O termo taurodontia foi proposto inicialmente por Sir Arthur Keith em 1913 (Amorin 2001) este padrão de formação do molar foi encontrado em antigos homens de Neanderth e os portadores desta alteração possuem semelhanças com dentes de touro e outros animais ungulares e ruminantes. O termo taurodontismo é derivado do latin taurus, pois é uma condição semelhante à encontrada nos dentes de animais ruminantes. (GISELA. et. al. 2005)
2. Caso Clínico
O paciente A. P. N. N. do sexo masculino da raça melanoderma nascido no ano de 1995 no dia 24 de março, com a idade de 11 anos residente na cidade de Belo horizonte MG, se apresentou na faculdade de odontologia da PUC Minas com queixa de várias lesões de cárie, e que os dentes “nasceram ruins”. Na história médica do paciente foi constatado que sua mãe apresentou complicações no parto e na gravidez, apresentando na época infecção recorrente do sistema urinário, chegando a quase abortar o feto, chegou inclusive a tomar medicamentos anti-abortivos. O paciente possuiu bronquite na infância e já foi internado com desidratação. Pesquisando sua história familiar, foi estabelecido que seu avô faleceu com câncer de intestino. Sua história social mostra que o paciente mora em local com boa situação geral. Em sua história odontológica foi verificado que o paciente possui higienização bucal precária e não usa fio dental. No exame intra-oral foi verificado que o paciente possui lesões de mancha branca, e cicatrículas e fissuras profundas com manchamento; existe suspeita de cáries iniciais, e ainda possui os primeiros pré-molares inferiores com forma taurina, caracterizando taurodontismo, após a verificação do taurodontismo foi feita uma avaliação mais profunda para a verificação das causas do taurodontismo, e identificamos uma possível alteração cutânea freqüente.
3. Revisão de literatura
As principais características clínicas radiográficas encontradas nestes dentes são a forma retangular exibindo câmaras e corpos pulpares aumentados com a altura ápico-oclusal significamente aumentada e bifurcação próxima do ápice. Os dentes acometidos apresentam forma, estrutura, cor, e textura normais, exceto quando ocorre associado à amelogênese imperfeita (Amorin 2001) o taurodontismo pode afetar a dentição decídua, mas é mais comum na dentição permanente envolvendo frequentemente os molares podendo ocorrer também em pré-molares ainda que em casos raros e isolados. A taurodontia pode ser uni ou bilateral (CICHON & PACK, 1985), várias hipóteses tem sido citadas tentando-se estabelecer as possíveis causas da taurodontia dentre elas, forma dentária primitiva, caráter recessivo, mutação resultante da deficiência odontoblástica durante a dentinogênese das raízes, entre outras. Entretanto até então não há consenso a respeito da etiologia desta alteração. Uma vez detectada esta alteração é dever do profissional investigar uma possível associação de síndromes. Segundo (Neville, 2004) existem várias síndromes associadas à taurodontia como exemplo a amelogênese Imperfeita hipoplásica IE; amelogênese imperfeita-taurodontia tipo IV; Cranioectodérmica; displasia ectodérmica; Hiperfostatasia; Klinefelter; microdontia-taurodontia-dente invaginado; Nanismo microcefálico-taurodontia; Displasia oculodentodigital; oral-facial-digital tipo II; Rapp-Hodgking; Cabelo-oligodontia-taurodontia rara; Aberrações do cromossomo sexual (XXX, XYY); Down; Tricodentoóssea tipo I, II e III; Tricoonicondental.
4. Discussão
Poucos casos são relatados onde dentes com taurodontismo são encontrados, isto ocorre devido a esta alteração não estar relacionada com sintomatologia dolorosa, e também por passar despercebido pelo clínico, que poderá ser ater mesmo surpreendido ao fazer um tratamento endodôntico do mesmo. No caso do paciente deste estudo, não foi verificada nenhuma síndrome conjunta, mas parece que o paciente possa ter uma displasia ectodérmica já que este apresenta lesões alérgicas recorrentes na sua pele cutânea.
A literatura ainda é muito escassa nessa área, mas sabe-se que este fenômeno é pesquisado desde épocas mais remotas, pois há relatos de achados desta anomalia em fósseis de hominídeos.
O exame radiográfico é de extrema importância para o auxílio do tratamento de dentes com estas características, pois ele nos mostrará a forma das raízes, patologias existentes e seu estado de avanço, evitando assim complicações desagradáveis e surpresas desagradáveis no pós-operatório.
Neste caso clínico o paciente apresenta taurodontia moderada dos elementos 34 e 44, e ainda apresentam os dentes em questão em infraoclusão.
5. Conclusão
O taurodontismo é classificado como um distúrbio hereditário caracterizado por um aumento ocluso-apical da câmara pulpar dos dentes molares. É um achado que pode ocorrer tanto isoladamente quanto associado a outras síndromes. O clínico tem o dever de identificar esta anomalia do desenvolvimento dentário, pois a sua não descoberta pode acarretar uma série de complicações durante o tratamento dentário.
Ainda devem ser feitos estudos para que se avalie esta condição na dentição decídua, pois estudos sobre esta são escassos.
6. Referências Bibliográficas:
AMORIN, R.F.B. Taurodontia. 2001. Disponível em: http://www.carvalho.odo.br/patologia/tauro.html. Acesso em 25 maio 2006.
GISELA, A.P. et al Taurodontismo. RGP. P.Alegre V.53, Nº 2. P. 85-164, Abr/Mai/Jun 2005.
NEVILLE, B.W. et al. Patologia Oral e Maxilofacial. 2 ed., Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2004, 820 p.
TOLEDO, O. A. Odontopediatria. 3ª ed. São Paulo: Premier, 2005.
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