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1 de janeiro de 2008
Biocerâmica, desenvolvida em Minas, revoluciona cirurgias ortopédicas e não provoca reações tóxicas
A biocerâmica pode mudar a vida de quem teve perdas ósseas irreversíveis, como um esmagamento ou de grande parte do crânio. O material atua no processo de reconstituição ósseo, aproveitando-se de um processo natural do organismo. Há muito utilizada na odontologia, vem ganhando projeções cada vez maiores na ortopedia.
O princípio do material é a capacidade de induzir a transformação de células tronco, ou seja, indiferenciadas, produzidas pelo corpo, em osteoblastos, células especializadas em produção de osso. O processo de regeneração acontece naturalmente, sem cessar. Nele, os osteoclastos, tipo de célula óssea, fazem a remoção de tecido velho e os osteoblastos fazem a construção de células novas.
O diferencial da biocerâmica está na sua composição. O material, de origem mineral inorgânica, tem biocompatibilidade com o osso humano, além de ser semelhante à matriz mineral óssea dos vertebrados. Por isso, uma das principais vantagens é não provocar reações tóxicas ou orgânicas indesejáveis, como processos inflamatórios, imunológicos e outros. Isso elimina também o risco de doenças infecto-contagiosas.
Em grânulos, pequenas peças ou próteses personalizadas, o material é o mesmo com comportamentos diferentes, e seu uso vai depender do osso a ser recomposto. A recomposição dos ossos da face e crânio foi a principal beneficiada com as próteses personalizadas. \"São partes mais difíceis de se encaixar e moldar por causa do formato particular da face de cada um\", afirma o cirurgião e traumatologista especialista em buco-maxilo-facial, Rubens Domingues. Assim, quando a demanda é por algum desses ossos, pode-se encomendar uma prótese que caberá exatamente no local.
Para a produção da peça, é necessária uma imagem tridimensional da área a ser reconstituída, obtida por meio da tomografia computadorizada. A prótese será fabricada por equipamentos computadorizados. Na cirurgia, será feito o encaixe da peça e as características macro e microporosas do material permitem a vascularização do tecido ósseo que se formará.
Quando existe a necessidade de osso para algum implante dentário, podem ser utilizadas as pequenas peças padronizadas de biocerâmica. Já os grânulos, servem para a reconstrução de outros ossos, os mais comuns são os da perna, fêmur e tíbia. O procedimento é um pouco mais complexo, pois depende de várias etapas: o preenchimento dos espaços com material, sua compactação, contenção e fixação. O mais importante é que o material apresente resistência mecânica para refazer uma estrutura anatômica.
É possível entender o processo por meio da comparação com a construção de uma casa. De acordo com o médico ortopedista Francisco Wycrota, que desenvolveu a biocerâmica Osteosynt da Einco, o material funciona como o suporte, ou seja, as vigas e a estrutura da casa.
Instalação
"É feito um suporte, que funciona como uma calha de cerâmica. A partir da instalação do material, ele permite que o próprio organismo faça a vascularização, no caso os tubos e as fiação elétrica da casa, preparando-a para funcionar e viabilizando o processo", explica Wycrota. A neoformação do tecido ósseo é o “cimento”, que será a última etapa.
Até que o novo tecido ósseo se forme, leva um certo tempo, varia de quatro a seis meses até dois anos. "Por isso, é fundamental que o material não se 'desmanche' até que o novo tecido ósseo formado fique maduro", detalha o ortopedista. Depois, a biocerâmica é substituída naturalmente pelo processo natural de regeneração celular óssea.
Ideal na reconstrução da face
Na odontologia, a biocerâmica é utilizada há mais tempo. Principalmente na área de implantes, quando existe necessidade de ossos para fixá-los. Na área de cirurgia buco-maxilo-facial, a biocerâmica vem revolucionado as reconstituições da face.
Quando se fala de reconstituição buco-facio-maxilar, é preciso pensar na anatomia e na funcionalidade da peça que será inserida. Peças de titânio, enxertos ósseos e banco de ossos são também feitos na odontologia, mas nem sempre devolvem funcionalidade ao paciente.
No exemplo da mandíbula, ao inserir uma peça de biocerâmica devolve-se o aspecto não só anatômico, mas também funcional. Assim, é possível colocar próteses dentárias no paciente.
"Oferecemos aos pacientes todas as alternativas que dispomos, dependendo de cada caso. Hoje, a biocerâmica é mais um recurso, principalmente para casos de grandes ossos faciais", detalha o cirurgião-dentista , Rubens Domingues.
Com dois casos operados recentemente, um de reconstituição de mandíbula e outro para corrigir uma seqüela causada por um tumor na face, Domingues já consegue ver os resultados.
As agressões dessa cirurgia são menores que a de enxerto, por exemplo. A cirurgia plástica é outra área que aproveita os benefícios da biocerâmica. O objetivo é, principalmente, mexer na arquitetura dos ossos, em especial os do rosto. Os queixos com osso curto e as maçãs da face introjetadas são exemplos de onde o material pode ser inserido para corrigir alguma distorção.
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