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1 de janeiro de 2008
Parece estranho, mas é fato: pesquisadora da UPE (Universidade de Pernambuco) descobriu que o cimento Portland pode ser utilizado em restaurações dentárias. Gerhilde Callou Sampaio, professora de patologia bucal, identificou que o produto protege a polpa --camada do dente acima da raiz-- no caso de cáries profundas ou de tratamento de canal.
A pesquisadora aplicou o cimento, diluído em água destilada, em 15 dentes terceiros molares (os chamados "dentes do juízo") de homens e mulheres com idade entre 20 e 46 anos. "Não houve necrose do tecido e a polpa não foi perdida em nenhum dos casos; pelo contrário, o cimento promoveu seu reparo", explica Gerhilde.
De acordo com o cirurgião-dentista Silvio Nosé, existem vários tipos de cimento de forramento, a maioria deles à base de cálcio, que servem para proteger a polpa. "Em remoções profundas, se a polpa não for protegida, a saliva entra em contato com essa superfície, o que pode causar infecções", diz.
Para o presidente da Associação Brasileira de Odontologia, Norberto Francisco Lubiana, "toda nova pesquisa é vista com bons olhos". Ele explica que alguns cimentos são ideais para proteger a polpa, enquanto outros servem para "fazer um núcleo de preenchimento, em casos de canal ou quando o dente está muito destruído, para que se possa reconstruir o dente".
O uso do Portland pode beneficiar principalmente a população de baixa renda, já que, segundo Gerhilde, o produto mais utilizado hoje para esse tipo de intervenção é um pó importado que custa R$ 172 o grama. "Depois de patentearmos o produto e o adequarmos às condições de produção, ele deverá custar de R$ 20 a R$ 30 o grama", diz a pesquisadora.
Fonte: Folha de São Paulo
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