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sábado, 20 de setembro de 2008
No momento em que começa a se construir no Brasil um Sistema Nacional de Saúde – o Sistema Único de Saúde (SUS), com a Constituição de 1988, nós navegávamos contra a maré. Isso porque o que se observava, desde os anos 80, nos países centrais, era um movimento de reforma de caráter neoliberal do Estado, não só com relação à política econômica, mas também quanto ao seu aparato administrativo e de proteção social, redefinindo o seu papel e as suas funções na economia. Contudo, a partir dos anos 90, ocorre uma profunda inflexão na política econômica do país, refletindo as mudanças no cenário internacional – intensificação da globalização financeira e hegemonia dos ajustes de corte neoliberal – o que nos deixou sem quase autonomia de política pública. Esse contexto, no qual o Brasil inseriu-se de forma passiva e tardia a partir de 1990, têm condicionado, de forma expressiva, os rumos da política social, de um modo geral, e, especificamente, da política de saúde.
Diante de subornos milionários, congressistas americanos fazem vista grossa com a saúde pública. Quanto pior no público, melhor para a saúde particular. O país tem dinheiro de sobra para pagar a dívida externa e não quer pagá-la; o Brasil é credor externo; o trem bala Rio-São Paulo vai sair do papel; quantidades enormes de ambulâncias do SAMU novíssimas encontram-se abandonadas no meio do mato entre Rio-São Paulo; aviões caças serão comprados à França; a PETROBRÁS é a terceira empresa produtora de petróleo do mundo; o Brasil vai ser membro da OPEP..., enfim, com certeza temos dinheiro suficiente para colocar a saúde pública brasileira como uma das melhores do mundo, porém, isso não está acontecendo. O que se tem observado é uma migração em massa para os planos de saúde. A indústria de saúde particular brasileira vai muito bem. A mídia está mostrando todo dia o caos na saúde pública e o congresso se comporta totalmente indiferente, não há nenhuma manifestação patriótica por parte dos parlamentares em relação a isso. Uma coisa é certa, há uma vista grossa, se não cega mesmo, por parte do parlamento brasileiro em relação a saúde pública. Não era o momento de haver uma grande manifestação do povo em favor de uma abertura de uma CPI para investigar a saúde pública no Brasil?
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