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Artigos de Nutrição


Consumo de alimentos de risco e proteção para doenças cardiovasculares entre funcionários públicos 1


5 de outubro de 2009


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Consumption of protective and promotive foods in cardiovascular diseases among public employees

 

 

Africa Isabel de la Cruz Perez NeumannI, II,2; Mirian Matsura ShirassuII, III; Regina Mara FisbergIII

IDepartamento de Nutrição, Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo. Av. Dr. Arnaldo, 351, 6º andar, Sala 609, 01246-901, São Paulo, SP, Brasil
IIDivisão de Doenças Crônicas Não Transmissíveis, Centro de Vigilância Epidemiológica, Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil
IIIServiço de Medicina Social, Núcleo de Vigilância Epidemiológica, Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual. São Paulo, SP, Brasil

INTRODUÇÃO

Doenças do aparelho circulatório no município de São Paulo, segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde1, referentes ao ano de 1998, foram responsáveis por 21.044 das 62.895 mortes, ou seja, 33,5%. Destas, 10.717 eram do sexo masculino (50,9%) e 10.327 do sexo feminino (49,1%).

Atualmente, admite-se que as condições e a exposição aos fatores de risco (sedentarismo, sobrepeso/obesidade, tabagismo e doenças do aparelho circulatório) cuja associação às doenças cardiovasculares (DCV) está suficientemente demonstrada (elevação dos lipídios séricos e suas frações, da glicose e insulina sangüínea, da pressão arterial, os fatores trombogênicos, a obesidade, o tabagismo e a inatividade física, entre outros) - tenham um efeito não apenas aditivo, mas potencializador entre si2. Os atributos biológicos, como idade e sexo, não podem ser modificados, porém, outros fatores de risco genéticos que tampouco são modificáveis têm uma interação com o ambiente2.

Nos últimos 30 anos, a atenção tem-se voltado cada vez mais sobre a relação da nutrição com as doenças cardiovasculares. Inúmeros estudos epidemiológicos realizados nas últimas décadas têm demonstrado a estreita relação entre a causalidade de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e fatores dietéticos3.

As principais mudanças detectadas no padrão alimentar ao longo de três décadas foram: aumento contínuo e intensificação do consumo relativo de carnes, leites e derivados (exceto manteiga) e declínio no consumo de ovos; ascensão do consumo de açúcar refinado e refrigerante; redução do consumo de leguminosas, raízes e tubérculos; diminuição da participação relativa de carboidratos complexos na dieta; substituição da banha, toucinho e manteiga por óleos vegetais e margarina4.

Considerando a importância da elaboração de ações de prevenção e controle para as DCNT, este estudo teve como objetivo descrever as freqüências de consumo de alimentos de risco e proteção para doenças cardiovasculares entre funcionários públicos estaduais do município de São Paulo, visto que, em levantamento feito pelo Serviço de Medicina Social do Instituto de Assistência Médica do Servidor Público Estadual (IAMSPE), Hospital do Servidor Público Estadual Francisco Morato de Oliveira (HSPE/FMO) verificou-se que, dentre as principais causas de internações, excluindo partos, as doenças cardiovasculares e as neoplasias, corresponderam a um terço das 13.688 internações ocorridas entre agosto de 1996 a julho de 19975. Os resultados desse estudo visam fornecer subsídios que possam contribuir com os programas de intervenção que já estão em andamento nas sedes das referidas secretarias, propondo modificações no estilo de vida - cessação do hábito de fumar, aumento da atividade física - e ênfase na mudança da conduta alimentar.

 

 

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