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Artigos de Nutrição


Alergia Alimentar como Agente Etiológico de Doenças de Difícil Tratamento


19 de fevereiro de 2008


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Alergia Alimentar como Agente Etiológico de Doenças de Difícil Tratamento

Dr. Jose de Felippe Junior

Introdução

Alergia ou intolerância a alimentos pertence ao importante capítulo da "Má Adaptação ao Meio Ambiente" ou "Ecologia Clínica", onde algum alimento é o responsável pelo aparecimento de sintomas físicos ou psíquicos alguns dias após a sua ingestão (cansaço, fadiga, depressão, pânico, irritabilidade, alucinações, gastrite, colite, doença fibrocística de mama, enxaqueca, etc.) e a sua retirada é acompanhada pelo desaparecimento dos sintomas ou da doença.

Histórico e Conceito

A partir de 1935, Theron Randolph iniciou exaustiva pesquisa clínica, procurando descobrir se existia algum alimento ou substância química responsável pelos sintomas físicos e psíquicos dos seus pacientes. Após estudar mais de 5000 pacientes durante 25 anos, com muita paciência e utilizando a técnica da dieta rotatória de restrição e adição do alimento suspeito, chegou à importante e crucial conclusão de que havia relação de causa e efeito entre o alimento ingerido e as queixas físicas e psíquicas de muitos de seus pacientes. O que dificultou a descoberta era que tais sintomas somente apareciam alguns dias após a ingestão do alimento , porém o que mais alegrou o pesquisador foi constatar que os sintomas ou a doença desapareciam com a retirada do agente causal.
Nas palavras de Randolph " Milhões de pessoas estavam doentes sem causa aparente. Eram doentes crônicos que não apareciam nas estatísticas, que iam de médico em médico à procura de soluções e no final eram rotulados como psiquiátricos. Estas pessoas estavam simplesmente apresentando : MÁ ADAPTAÇÃO AO MEIO AMBIENTE " .
Eram pessoas com má adaptação a algum alimento comum e inócuo para a maioria das pessoas , porém, reagiam a esse alimento com a produção de anticorpos por exemplo da classe IgG, de formação tardia e que provocavam portanto, sintomas também tardios.
Theron Randolph é considerado o pai da Ecologia Clínica, porque foi o primeiro a correlacionar a ingestão ou a inalação de substâncias exógenas ( alimentos, químicos, inalantes ) com as doenças degenerativas e os distúrbios emocionais. Foi o primeiro a descobrir que existe a chamada Alergia Cerebral e já naquela época dava valor aos testes provocativos.
Em 1970, Marshall Mandell e David King , publicam o primeiro estudo duplo cego com os testes provocativos nas doenças emocionais, iniciando o suporte científico da Alergia Cerebral e da Ecologia Clínica .
Ficou assim estabelecido que certo número de pacientes com doenças de difícil tratamento apresentam na verdade intolerância ou alergia a um ou mais dos alimentos comuns, ou a substâncias químicas ou a inalantes, os quais provocam mal funcionamento de células, tecidos e orgãos. Os sintomas não se manifestam como vermelhidão ou prurido e também não aparecem logo após a ingestão do alimento prejudicial. Os sintomas aparecem horas ou dias após a ingestão ou o contato e se manifestam como : fadiga, cansaço, depressão, irritabilidade, alucinações, gastrite, colite, dores de cabeça, etc. dependendo da individualidade bioquímica de cada um.
Existem muitos casos de mastopatia fibrocistica com nódulos e cordões coalescentes, provocados por alergia ao leite e que melhoram completamente após a retirada do agente causal. Nas figuras 1 e 2 , vemos um caso descrito por Raphael Nogier.

Fig.: 1                          Fig.: 2

Figura 1 e 2 : Evolução radiológica de um fibroadenoma de mama em mulher com 43 anos (Fig 1) e 5 anos após a exclusão de leite e laticínios ( Fig 2). Á esquerda, a mama em 1991 é densa e à palpação revela-se uma mama "empedrada". A doente sofria de dores muito fortes. À direita, a mama em 1996 após dieta sem leite e laticínios mostrando que as imagens radiológicas melhoraram muito. A palpação da mama é normal, sem cordões ou nódulos

A seguir vemos nas figuras 3a , 3b e 3c , mais um caso do grande médico francês Raphael Nogier que nos relata a melhoria total de uma alopécia em placas, não responsiva ao tratamento dermatológico convencional, retirando alguns alimentos da dieta. A cabeleira voltou ao normal após 2 anos , inclusive com a sua coloração original.



Figuras 3a, 3b e 3c . Paciente com alopécia não responsiva ao tratamento convencional , que melhorou totalmente ao se retirar alguns alimentos da dieta.


Nas figuras 4a , b, c ,d , observamos mais um caso descrito por Nogier. Trata-se de um eczema de difícil resolução que não melhorou com o tratamento convencional. Quando se afastou alguns alimentos ( dieta de exclusão) obteve-se a cura total do processo em 18 meses , o que se subentende um processo de intolerância escondida com hipersensibilidade retardada.

 

Figuras 4a, 4b, 4c e 4d de eczema não responsivo ao tratamento convencional que melhorou em 18 meses após a retirada de alguns alimentos, ditados pela dieta de exclusão.

Randolph relata o caso de Prof. Universitário que começou a apresentar alucinações auditivas e visuais terríveis, sendo internado em hospital psiquiátrico com o diagnóstico de esquisofrenia. Em 30 dias de internação não apresentou nenhuma crise e obteve alta. No terceiro dia, em sua casa, iniciaram novamente as alucinações. Nova internação e no hospital nada acontecia. Após 6 meses foi descoberto que era o leite o agente causal. Após a retirada do leite e derivados, nunca mais apresentou qualquer tipo de distúrbio psiquiátrico.
Recentemente, recebemos um paciente com gastrite de difícil resolução, que havia sido examinado por vários gastroenterologistas e que apresentava endoscopia e biopsia confirmando o diagnóstico. O arsenal farmacêutico, fitoterápico e nutricional já havia se esgotado sem sucesso. Foi o próprio paciente que descobriu a sua cura. Verificou que a gastrite aparecia nos fins de semana em Ilhabela , onde era preciso usar dispositivo anti inseto ligado à corrente elétrica. Notou que a gastrite se manifestava, somente quando ele permanecia no ambiente com o dispositivo anti inseto em funcionamento. Livrou-se do dispositivo e nunca mais apresentou gastrite.
William Philpott exalta os clínicos que nadam contra a corrente do conceito convencional de doença, onde se prescrevem medicamentos sintomáticos sem procurar a verdadeira causa. Devemos buscar e combater a verdadeira causa da doença que às vezes pode ser uma reação alérgica retardada a um alimento por mais inofensivo que ele possa parecer para nós.

Mecanismo de Ação:

Alimentos e bebidas ingeridos diariamente constituem-se na maior carga exógena de antígenos imposta aos seres humanos, estimando-se que exceda a várias toneladas no transcorrer da vida. O trato gastrointestinal dispõe de vários tipos de mecanismos, imunológicos e não imunológicas para diminuir a entrada de proteinas estranhas no organismo.
A barreira não imunológica inclui a secreção de ácido clorídrico pelo estômago, a digestão das proteínas pelas enzimas intestinais e do pâncreas, o peristaltismo, a camada de muco e as microvilosidades da mucosa intestinal. È por esta razão que as alergias alimentares são muito freqüêntes na infância (deficit enzimático) ou se manifestam bem mais tarde, após os 40 anos de idade, quando o sistema digestivo vai diminuindo progressivamente a produção das enzimas digestivas e de ácido clorídrico.
A principal barreira imunológica a proteínas estranhas é a secreção de moléculas IgA - secretora no interior do intestino, a qual se complexa com as proteínas estranhas e bloqueia a sua absorção. As proteínas estranhas que conseguem chegar à circulação são recebidas por anticorpos da classe IgA , IgM e IgG os quais são eliminados do organismo pelo sistema retículo endotelial.
Pessoas normais geram anticorpos da classe IgA, IgM e IgG em minúsculas quantidades em reação a antigenos alimentares.
Reações mediadas por IgE: Liberam histamina, prostaglandinas e leucotrienos ,produzindo uma reação alérgica típica imediata, com sintomas aparecendo em minutos . Não é o que estamos aqui discutindo.
Reações não mediadas por IgE: Envolve a classe dos anticorpos IgA, IgM e IgG produzindo os sintomas em horas ou dias.
Reações não mediadas por IgE e de mecanismo desconhecido: é um aumento da reatividade a um determinado alimento sem o envolvimento do sistema imune, às quais chamamos de intolerância alimentar a alimento comum.

Quadro Clínico

A seguir vamos enumerar os sintomas de Má Adaptação ao Meio Ambiente , elaborados por Randolph.

A- NÍVEIS DE ADIÇÃO ( estimulação)

Mais 1 : Raramente visto pelo médico: são pessoas alegres e de alto astral e medianamente excitados
São saudáveis ao extremo.

Mais 2 : Frequentemente visto pelo médico .
- Hiperatividade : criança e adulto
- Obesidade
- Alcoolismo

Mais 3 : Egocentrismo
Ansiedade
Nervosismo ao extremo
Tremores
Comportamento de alcoolizado com incoordenação motora

Mais 4 : Mania , com ou sem convulsões
Crise epiléptica
Reações catatônicas
Agitação psicomotora
Pânico
Pensamentos, movimentos e fala repetitivos( obsessivo- compulsivo)

B- NÍVEIS DE SUBTRAÇÃO ( abstinência )

Menos 1 : Sintomas físicos localizados
É o campo do alergista ortodoxo
- Sinusite, rinite, asma, urticária, eczema e dermatite de contato

Menos 2 : Sintomas físicos sistêmicos
Raramente diagnosticado pelos médicos
- fadiga, dor de cabeça, dores musculares, dores articulares, gastrite, colite

Menos 3 : Sintomas mentais e alterações do comportamento
- depressão leve
- confusão mental
- diminuição da memória
- indecisão
- "brain fag"
- mudanças do humor

Menos 4 : Sintomas mentais mais severos
- depressão grave
- psicoses
- reações mentais com alterações da percepção e da consciência

No Brasil, José Arnaldo Gaertner e Jorge Cavalcanti Boucinhas em experiência clínica de longos anos no estudo da alergia alimentar, relatam os principais sinais e sintomas da alergia alimentar:

I - Gastrointestinais
-náuseas, vômitos, diarréia, constipação, flatulência, eructação, gastrite, cólicas intestinais, cólon irritável, Doença de Crohn, prurido anal, língua saburrosa, sintomas aparentes de problemas da vesícula.

II- Dermatológicos
- erupções, assaduras, eczemas, dermatites herpetiformes, pele seca, caspa, unhas e cabelos quebradiços

III- Otorrinolaringológicos
- coriza e congestão nasal, lacrimejamento, visão turva, estalos, zumbidos e dor de ouvido, sensação de descer a serra, surdez, infecções de ouvido recorrentes, prurido e corrimento auditivos, dores de garganta, rouquidão, tosse crônica, prurido no céu da boca, sinusite recorrente.

IV- Cardiopulmonares
- palpitações, arritmias , taquicardia, asma, congestão no peito e bronquite

V- Outros sinais e sintomas
- fadiga crônica, artrites, dores musculares e articulares, edema de mãos, pés e tornozelos, sintomas urinários como polaciuria, ardência e urgência miccional, prurido e corrimento vaginal, variação rápida de pêso ( de 1 a 1.5 Kg ou mais, correspondendo a inchaço), bulemia e anorexia nervosa, dores de cabeça , enxaqueca, inchaço e rugas sob os olhos ("olheira"), tontura , vertigem , zonzeira.

Testes Diagnósticos para a alergia alimentar

Segundo Gaertner e Boucinhas , um alérgeno alimentar quando pesquisado por intradermo reação pode dar falsas reações positivas, pois a sua via de inoculação não é a mesma. Outro problema é que são testes dispendiosos e muito dolorosos.
O RAST no sangue é um método acurado para a identificação de alérgenos alimentares, principalmente porque a maioria das alergias alimentares se manifestam em um tempo não inferior a 1 dia após a ingestão, geralmente 2-3 dias, podendo chegar até 30 dias após a ingestão. O RAST do sangue, é especifico e tem boa reprodutibilidade, porém é dispendioso.
O FICA ( Food Imune Complex Assay ) , dosa a presença de anticorpos no sangue, é fidedigno, porem é muito caro.
Para Gaertner e Boucinhas o melhor método é o VEGA - RAST que dosa os alérgenos por bioressonância eletromagnética. Mede a presença dos alérgenos alimentares através da interação entre os alimentos alergênicos e os não alergênicos à passagem de uma corrente elétrica de amperagem e voltagem pré conhecidas e aplicada sobre um ponto de acupuntura ( TING - polpa do polegar ). O teste é prático e de um modo rápido podemos testar mais de 130 alérgenos no próprio consultório.
O VEGA - RAST do modo que ensinam Gaerthener e Boucinhas se correlaciona estatisticamente com o RAST no sangue.

Tratamento

Consiste no afastamento do alimento causal


Referências Bibliográficas

1- Theron G. Randolph : An Alternative Approach to Allergies : The New Field of Clinical Unravels the Environmental Causes of Mental and Physical Ills. Harper & Row, Publishers, New York,1989
2- José Arnaldo Gaertner e Jorge Cavalcanti Boucinhas: Introdução à Eletrocupuntura de Voll e ao Vegatest. Icone Editora Ltda, São Paulo, 2000.
3- Raphael Nogier : As Alergias Ocultas nas Doenças da Mama. Organização Andrei Editora Ltda,1998.
4- Shils, Olson and Shike: Modern Nutrition in Health and Disease. Lea & Febiger , Philadelphia,1994.
5- Willian H. Philpott : Brain Allergies ; Keats Publishing,Inc, Connecticut,1980.

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