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segunda-feira, 31 de agosto de 2009 - 19:29

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Diagnóstico de Vírus

por: Colunista Portal - Educação

A virologia teve uma história notável ao passar dos anos. Os vírus, devido à sua natureza predatória, moldaram a história e a evolução de seus hospedeiros. Todos os organismos vivos que conhecemos, quando estudados com atenção, possuem parasitas virais. Assim, estas entidades exercem uma força significativa em todas as formas de vida, incluindo os próprios vírus. Antes do surgimento da teoria dos germes, de Louis Pasteur (1822-1895), em 1857, que mostrava que esses agentes eram a causa de muitas doenças, acreditava-se que as infecções eram causadas por venenos. O termo em latim para veneno é vírus.

A teoria dos germes causando doenças é a mais importante contribuição da ciência da microbiologia para o bem-estar geral da população mundial, sendo talvez a ajuda mais importante de qualquer disciplina científica moderna. Fortemente controversa no princípio, hoje é uma pedra angular da medicina e da microbiologia clínica, o que conduziu a importantes inovações, tais como antibióticos e práticas de higiene.

Na última metade do século XIX, a existência de um mundo microbiano diversificado de bactérias, fungos e protozoários estava muito bem estabelecida. O anatomista alemão Jacob Henle de Gottingen observou a hipótese da existência de agentes infecciosos que eram muito pequenos para serem observados com o microscópio óptico e que eram capazes de provocar doenças específicas. Na ausência de provas diretas para tais entidades, no entanto, suas ideias não conseguiram ser aceitas.

Porém, em meados do século XIX, Pasteur designava como vírus os agentes causadores de infecções, mesmo as causadas por bactérias. Em alguns casos, todavia, não era possível identificar o agente causador da infecção. No final daquele século, evidências mostraram que alguns agentes causadores de doenças humanas e de plantas poderiam passar por filtros, ao contrário de bactérias. Desta forma, estes agentes foram denominados inicialmente de “vírus filtráveis”, porém o termo filtrável acabou se perdendo pelo desuso.
Adolf Mayer (1843-1942) foi um cientista alemão treinado no campo da tecnologia química. Em 1879 começou suas pesquisas com a doença do tabaco e apesar de não ter sido o primeiro a descrevê-la, nomeou a “doença do mosaico do tabaco” após visualizar as manchas escuras e claras em folhas infectadas. Neste mesmo ano realizou uma das mais importantes experiências de transmissão viral. Ele inoculou em plantas saudáveis o suco extraído de plantas doentes. Esta foi a primeira transmissão experimental de uma doença viral de plantas e relatou que “em nove de cada dez casos (de plantas inoculadas) vai ser um sucesso no sentido de tornar a planta saudável... pesadamente doente".

As consequências das infecções virais nos seres humanos e nas plantas modificaram a nossa história e deram origem a esforços extraordinários por parte de virologistas para estudar, compreender e erradicar estes agentes. Muitos dos conceitos e ferramentas da biologia molecular foram derivados do estudo de vírus e suas células hospedeiras.

O diagnóstico das infecções virais emergiu nas últimas décadas como uma importante ferramenta na medicina, contribuindo de forma efetiva na identificação do patógeno, direcionando o tratamento da doença. Até recentemente o diagnóstico das viroses não era realizado em laboratórios clínicos ou hospitais, pois as técnicas utilizadas eram muito lentas e caras, os reagentes não estavam disponíveis e não se tinha ainda tratamento para as infecções virais, limitando a utilidade dos testes diagnósticos.

O diagnóstico laboratorial das viroses tem sido dividido em diagnóstico clássico, que inclui as técnicas e identificação de vírus, e a sorologia e o diagnóstico rápido das viroses, que visa à demonstração direta do vírus, de antígenos ou de ácidos nucleicos virais em amostras clínicas. A amplitude do uso dos métodos diagnósticos tem várias explicações. Primeiro, a epidemia do vírus da imunodeficiência humana (HIV) e o sucesso dos transplantes de medula óssea e de órgãos sólidos aumentaram o número de pacientes sujeitos a infecções virais oportunistas. Segundo, o uso dos agentes antivirais depende da detecção precisa do patógeno. Terceiro, o desenvolvimento tecnológico (anticorpos monoclonais e ensaios de detecção de ácido nucleico) tornou o diagnóstico virológico rápido e preciso. Além disso, o desenvolvimento da PCR em tempo real permitiu a aplicação de um método quantitativo no diagnóstico laboratorial das infecções virais.

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