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Psicofármacos em Cardiologia


31 de janeiro de 2009


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Há, inegavelmente, uma profunda relação entre os transtornos afetivos e os sintomas e doenças cardiológicas. Essa comorbidade entre a psiquiatria e a cardiologia faz do cardiologista um dos especialistas médicos que mais prescreve psicofármacos, depois do próprio psiquiatra.

A ansiedade, em suas formas patológicas, muito embora tenha uma identidade psicoemocional, tem também manifestações físicas que quase sempre repercutem sobre o sistema cardiocirculatório. Há ainda um contundente significado simbólico sobre o coração, culturalmente supervalorizado. Vê-se essa relação ansiedade-cardiologista principalmente nos casos de Transtorno do Pânico, quando o primeiro profissional a ser procurado, depois do pronto-socorro, é o cardiologista.

Por outro lado, a depressão é reconhecida como um importante fator de risco para a ocorrência de Doença Arterial Coronária. Suspeita-se que, mesmo quando são controlados outros conhecidos fatores de risco para infarto do miocárdio, como a hipertensão arterial, o tabagismo, sedentarismo, etc, a depressão passa a ser um fator agravante determinante.

A comorbidade inversa, ou seja, de cardiopatas que apresentam transtornos afetivos também é verdadeira. Alguns autores referem que os quadros de depressão grave podem acometer de 16 a 22% das pessoas que sofreram infarto do miocárdio recente. A depressão mais grave coexiste também em pessoas portadoras de doenças coronarianas que não infarto do miocárdio. Nesses casos a prevalência é estimada em 18%, contra cerca de 5% na população geral de características semelhantes (Marco A.D. Silva, 2000).

A cardiologia clínica tem dispensado especial atenção para a associação entre transtornos depressivos e cardiopatias, quer esta relação seja de causa ou de conseqüência. Isso significa que a depressão aparece como fator de risco para a ocorrência de Doença Arterial Coronária e, igualmente, há maior prevalência da depressão entre os portadores da Doença Arterial Coronária.

Dessa forma, a cardiologia não nega a influência da depressão sobre o prognóstico das doenças coronarianas, sabendo-se que ela duplica o risco de evolução fatal dos cardiopatas com idade entre 40 e 60 anos (Aromaa, Raitasalo, Ruinanen, 1999). Na Doença Arterial Coronária, a presença de sintomas depressivos intensos é importante fator de mortalidade no pós-infarto do miocárdio, podendo ter até uma influência maior que o número de artérias comprometidas (Menica, Leães, Frey, Jumena, 1999).

Medicamentos Psicofármacos

A prescrição de psicofármacos tem uma freqüência muito grande entre os pacientes da cardiologia e, quando não for assim, é mais provável que o erro seja mais do médico que da doença.

Os medicamentos mais prescritos são, principalmente, ansiolíticos e antidepressivos e será muito importante que o cardiologista esteja familiarizado com a farmacodinâmica, farmacocinética, posologia, efeitos colaterais e interações possíveis desses psicofármacos.

Fonte: PisiqWeb

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