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EUA financiam estudos para avaliar efeitos da medicina alternativa


14 de outubro de 2008


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Estima-se que mais de 80 milhões de adultos nos Estados Unidos façam uso de algum tipo de medicina alternativa, de ervas a supervitaminas, de ioga a acupuntura.

 

Mas apesar de haver muitos defensores desses tratamentos, a evidência científica quase sempre fica a dever: estudos e experimentos clínicos, quando existem, podem ser de má qualidade e muito limitados para emitir conclusões confiáveis.

 

Agora o governo federal está trabalhando duro para elevar os padrões de evidências, buscando distinguir entre o que é eficaz, inútil e prejudicial ou até mesmo perigoso.

 

"A pesquisa tem feito progressos constantes", disse Dr. Josephine P. Briggs, diretora do National Center for Complementary and Alternative Medicin, uma divisão do National Institutes of Health. "É razoavelmente novo que métodos rigorosos estejam sendo usados para estudar essas práticas de saúde".

 

A necessidade de que haja rigor pode ser impressionante. Por exemplo, um estudo do ano de 2008 feito em Harvard identificou 181 artigos de pesquisa sobre terapia por ioga relatando que ela poderia ser usada para tratar um leque impressionante de enfermidades - incluindo asma, doenças cardíacas, hipertensão, depressão, dor nas costas, bronquite, diabetes, artrite, insônia, doenças pulmonares e pressão alta.

 

Descobriu-se, no entanto, que apenas 40% dos estudos usaram testes randômicos controlados - a forma usual de estabelecer conhecimentos confiáveis sobre se determinada droga, dieta ou outro tipo de intervenção é realmente segura e eficaz. Nesses testes, cientistas designam pacientes aleatoriamente a tratamentos ou grupos de controle com o objetivo de eliminar a influência de decisões clínicas e de pacientes.

 

Sat Bir S. Khals, autor do estudo e pesquisador do sono na Harvard Medical School, disse que uma complicação a mais era que "a grande maioria desses estudos é pequena", com cerca de 30 pacientes ou menos para cada segmento do teste randômico. Quanto menor o tamanho da amostra, ele alertou, maior o risco de erros, incluindo resultados falso-positivos e falso-negativos.

 

Críticos da medicina alternativa se aproveitam dessa fraqueza. R. Barker Bausell, metodologista de pesquisa sênior da Universidade de Maryland e autor de "Snake Oil Science" (Oxford, 2007), afirma que estudos em pequena escala geralmente têm um conflito de interesses implícito: eles precisam mostrar resultados positivos para receberem incentivos para pesquisas mais amplas.

 

"Tudo isso conspira em favor de falsos positivos ", disse Bausell em uma entrevista. "Isso faz com que os resultados sejam extremamente questionáveis".

 

É esse tipo de névoa que Briggs e o National Center for Complementary and Alternative Medicine, com uma verba de US$ 112 milhões este ano, estão tentando eliminar. Seus testes tendem a ser mais longos e mais amplos. E se um tratamento se mostra promissor, o centro estende os testes para muitos centros, diminuindo assim as chances de falso-positivos e influência do pesquisador.

 

Por exemplo, o centro está conduzindo um amplo estudo para ver se extratos da planta do ginkgo biloba podem desacelerar a progressão do mal de Alzheimer. Os testes clínicos envolvem centros na Califórnia, Maryland, Carolina do Norte e Pensilvânia. Foram recrutados mais de 3 mil pacientes, todos eles com mais de 75 anos. O estudo deve ser concluído no próximo ano.

 

Outro grande estudo envolveu 570 participantes para ver se a acupuntura oferecia alívio à dor de coluna e melhorava as funções para pessoas com osteoartrite no joelho. Em 2004, os resultados foram positivos. Dr. Brian M. Berman, diretor do estudo e professor de medicina da Universidade de Maryland, disse que a pesquisa "estabelece que a acupuntura é um complemento eficaz para o tratamento convencional da artrite".

 

Em uma entrevista, Briggs afirmou que outra boa maneira de melhorar os testes clínicos é garantir uniformidade do produto, especialmente tratamentos fitoterápicos. "Achamos que realmente influenciamos os padrões", ele disse.

 

Ao longo dos anos, laboratórios descobriram que até 75% das amostras de ginkgo biloba não continham os níveis informados do ingrediente ativo. Cientistas que realizam testes clínicos são incentivados a reportar esse tipo de inconsistência.

 

Briggs disse que esses investimentos provavelmente se pagariam no futuro por documentar benefícios reais de pelo menos alguns tratamentos não-convencionais. "Acredito que à medida que a sensibilidade da nossa avaliação melhora, vamos fazer um trabalho melhor em detectar esses efeitos modestos, porém importantes para a prevenção e a cura de doenças."

 

Uma questão em aberto é quão longe essa nova onda irá. Os altos custos de bons testes clínicos, que podem chegar a milhões de dólares, significam que relativamente poucos são feitos no campo de terapias alternativas e relativamente poucas das afirmações extravagantes em relação a essas terapias são realmente investigadas de perto.

 

"Em uma época de verbas apertadas, isso vai piorar ainda mais", disse Khalsa, de Harvard, que conduz testes clínicos para descobrir se a ioga pode combater a insônia. "É um grande problema. Esses incentivos financeiros ainda são muito difíceis de obter e a ênfase ainda é dada à medicina convencional, à pílula mágica ou procedimentos que eliminem todas essas doenças"....

 

 

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Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

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