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Como confirmar o posicionamento adequado do tubo traqueal em pediatria?


7 de abril de 2008


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Como confirmar o posicionamento adequado do tubo traqueal em pediatria?
 

Werther Brunow de Carvalho; Cíntia Johnston

 
Um dos problemas na prática clínica é a dificuldade para a confirmação do posicionamento adequado do tubo traqueal em pediatria. Mahajan A. et al, 20071, realizaram um estudo prospectivo, não randomizado, com o objetivo de determinar as alterações da complacência pulmonar e das pressões das vias aéreas de crianças intubadas através de monitorização contínua da mecânica ventilatória. Avaliaram 40 crianças (idade: um mês a seis anos) após a intubação traqueal, monitorizando os sons respiratórios (ausculta pulmonar) e a espirometria (curva pressão/volume).

O posicionamento da cânula traqueal em pediatria foi confirmado através de broncoscopia com fibra óptica. Os autores verificaram que a intubação intrabronquial (seletiva) diminuiu a complacência pulmonar (CP) de 45% ± 11% das crianças (P d" 0,001) e aumentou o pico de pressão em via aérea (PIP) de 26% ± 17% (P d" 0,001). As alterações no PIP foram menores e com maior variabilidade comparativamente com as alterações da CP. A ausculta pulmonar foi falha em detectar a intubação intrabronquial em 7,5% dos casos. Concluíram que as alterações na CP são mais sensíveis e acuradas como indicador de intubação intrabronquial em pediatria.

Comentário


Apesar dos progressos da monitorização da criança submetida a intubação traqueal, não existe até o momento um método simples, rápido e de baixo custo para avaliar o posicionamento da cânula traqueal. O raio-x de tórax permanece como padrão-ouro para esta avaliação, entretanto submete o paciente à irradiação e um tempo variável para a sua execução.

Outros métodos que podem ser utilizados para esta avaliação incluem: ausculta pulmonar2, expansibilidade torácica, métodos de amplificação acústica, oximetria de pulso, capnografia, broncoscopia com fibra óptica, fluoroscopia, entre outros. Alguns estudos3,4 demonstraram resultados conflitantes referente às alterações da PIP, com o objetivo de detectar o posicionamento da cânula traqueal. Portanto, é fundamental termos uma medida prática que nos alerte sobre a possibilidade de intubação intrabrônquica antes que ocorra uma queda importante da saturação arterial de oxigênio (SaO2). Com base nos dados do estudo de Mahajan A. et al, 2007, a CP é uma ferramenta importante e de identificação precoce do posicionamento da cânula traqueal, entretanto nem sempre a diminuição da CP indica a intubação intrabrônquica, pois ela pode estar reduzida em pacientes com pneumotórax, com rolha de muco, acotovelamento do tubo traqueal e piora da doença de base.

 

Referências


1. Mahajan A, Hoftman N, Hsu A, et al. Continuous monitoring of dynamic pulmonary compliance enables detection of endobronchial intubation in infants and children. Anesth Analg. 2007;5:51-6.    

2. Verghese ST, Hannallah RS, Slack MC, Cross RR, Patel KM. Auscultation of bilateral breath sounds does not rule out endobronchial intubation in children. Anesth Analg. 2004;99:56-8.       

3. Campos C, Naguib SS, Chuang AZ. Endobronchial intubation causes an immediate increase in peak inflation pressure in pediatric patients. Anesth Analg. 1999;88:268-70.     
4. Rolf N, Cote CJ. Diagnosis of clinically unrecognized endobronchial intubation in paediatric anaesthesia: which is more sensitive, pulse oximetry or capnography? Paediatr Anaesth. 1992;2:31-5.    
 
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