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Escola convencional ou bilíngue? Eis a questão

Vale a pena as crianças terem aulas em outro idioma e carga horária maior para falar uma segunda língua impecavelmente?


27 de janeiro de 2012


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Escola convencional ou bilíngue? Eis a questão

Escola convencional ou bilíngue? Eis a questão

A neces­si­dade de falar uma ­segunda lín­gua para ter ­sucesso na vida pro­fis­sio­nal é indis­cu­tí­vel. ­Ciente dessa impor­tân­cia, o mer­cado ofe­rece cada vez mais alter­na­ti­vas. Os cursos de lín­guas ino­vam na meto­do­lo­gia e, há ­alguns anos, sur­gi­ram esco­las bilín­gües, com a pro­mes­sa de um ­ensino mais efi­ciente. A idéia é edu­car crian­ças e ­jovens em um outro ­idioma desde os pri­mei­ros anos de vida, para que assi­mi­lem a lín­gua com natu­ra­li­dade, em um ­ambiente de quase total imer­são.


Uma das prin­ci­pais dúvi­das na hora de esco­lher entre uma ­escola con­ven­cio­nal e uma bilín­güe é o medo de a ­segunda lín­gua inter­fe­rir no apren­di­zado do por­tu­guês. Hoje se sabe que esse risco é ­mínimo. "A aqui­si­ção de um novo ­idioma cos­tuma aju­dar as crian­ças a enten­der a estru­tura da lín­gua-mãe, faci­lita a assi­mi­la­ção de ­outros idio­mas e até ­melhora o desem­pe­nho esco­lar, uma vez que as célu­las cere­brais ficam mais esti­mu­la­das. A cria­ti­vi­dade tam­bém ganha, já que esses alu­nos per­ce­bem desde cedo que há diver­sas manei­ras de se expres­sar", diz Bette Rodri­gues ­Roselli, pro­fes­sora do curso de for­ma­ção de pro­fes­so­res de ­inglês para crian­ças e ado­les­cen­tes, da PUC de São Paulo. O que pode ocor­rer são peque­nas con­fu­sões de orto­gra­fia, que se des­fa­zem rapi­da­mente. Para evi­tar o pro­blema, o ideal é alfa­be­ti­zar pri­meiro em por­tu­guês e, só no ano ­seguinte, em ­inglês.


A velo­ci­dade com que uma ­criança ­pequena ­apren­de uma ­segunda lín­gua é inegá­vel. Nos pri­mei­ros anos de vida, a quan­ti­dade de novi­da­des assi­mi­la­das e re­gis­tra­das pelo cére­bro chega a ser impres­sio­nante. É muito maior que a capa­ci­dade de um ­adulto. As crian­ças apren­dem mais rapi­da­mente não só pelas carac­te­rís­ti­cas bio­ló­gi­cas do cére­bro, mas tam­bém por fato­res psi­co­ló­gi­cos e ­sociais, ou seja, pelos estí­mu­los."De um modo geral, a ­criança ­aprende por­que é natu­ral­mente ­curiosa e moti­vada", ­afirma Bette ­Roselli. Isso sig­ni­fica que, ao estar ­rodeada de estí­mu­los, o apren­di­zado ­ocorre de forma ­rápida e natu­ral. A ­criança inte­rage e assi­mila o novo ­idioma sem se sen­tir obri­gada ou ­cobrada por isso. "Ao apren­der a nova lín­gua com uma fun­ção real, que é de se comu­ni­car ­naquele ­ambiente, ela nem per­cebe a dimen­são do pro­cesso", diz ­Eliana Rah­mi­le­vitz, dire­tora da ­Stance Dual, uma ­escola bilín­güe de São Paulo.


Fluência e Pronúncia impecáveis


Nas déca­das de 60 e 70, estu­dan­tes de lín­guas se sen­tiam frus­tra­dos ao sair da sala de aula e não con­se­guir levar ­adiante uma con­versa mais ela­bo­rada ou enten­der os diá­lo­gos de um filme. A sen­sa­ção era de ­dinheiro e tempo joga­dos fora. Se o obje­tivo dos pais é fazer os ­filhos se comu­ni­ca­rem oral­mente, as esco­las bilín­gües de boa qua­li­dade dão resul­tado. Os alu­nos saem com fluên­cia. A pro­nún­cia é outro ganho de quem ­aprende uma ­segunda lín­gua bem cedo. Como o apa­re­lho fona­dor ainda está em for­ma­ção, o sota­que fica simi­lar ao dos nati­vos. Mas será que isso basta para o ­futuro?


Uma pes­quisa con­du­zida na Ingla­terra com 17 mil alu­nos que cur­sa­vam aulas de fran­cês mos­trou que, após cinco anos, os ado­les­cen­tes ­tinham um conhe­ci­mento mais pro­fundo das estru­tu­ras da lín­gua e um voca­bu­lá­rio mais rico do que as crian­ças meno­res. Ou seja, ape­sar da fluên­cia e da pro­nún­cia, os peque­nos pre­ci­sa­riam, no ­futuro, mer­gu­lhar mais uma vez nos estu­dos.


É incon­tes­tá­vel que pas­sando ­várias horas do dia num ­ambiente "­montado" em outro ­idioma o apren­di­zado ­ocorre mais rapi­da­mente do que fre­qüen­tando duas aulas sema­nais. Para ­Raquel Jelen Lam, pro­prie­tá­ria da ­escola de ­inglês Red Bal­loon, em São Paulo, a fluên­cia de um aluno de uma ­escola bilín­güe cer­ta­mente apa­rece mais cedo, por volta dos 10 anos de idade. Já nos seus estu­dan­tes (que pagam cerca de 300 reais men­sais), essa habi­li­dade acon­tece dois anos ­depois -período que ela con­si­dera insig­ni­fi­cante nessa fase da vida: "Não ­altera nada no desem­pe­nho pro­fis­sio­nal ou esco­lar", ­afirma ­Raquel, que tra­ba­lha com ­ensino infan­til desde 1969. Mui­tos edu­ca­do­res assi­nam ­embaixo dessa teo­ria. Para a maio­ria, se não ­existe uma neces­si­dade real ou uma urgên­cia em apren­der a ­segunda lín­gua, como a trans­fe­rên­cia dos pais para um outro país, por exem­plo, não há por­ que ter tanta ­pressa.


Mensalidades salgadas

Há ainda ­outros pon­tos a con­si­de­rar ao deci­dir em que tipo de ­escola matri­cu­lar seus ­filhos. Um deles é a ­maneira como as esco­las bilín­gües ensi­nam o por­tu­guês e ­outras maté­rias fun­da­men­tais para a apro­va­ção no ves­ti­bu­lar. Não se pode per­der de vista que esta­mos no Bra­sil. É pre­ciso ana­li­sar como estru­tu­ram o cur­rí­culo. Mui­tas vezes, a ­escola se diz bilín­güe ape­nas por ofe­re­cer a carga horá­ria de um ­segundo ­idioma um pouco maior. O que não sig­ni­fica que os alu­nos ­fiquem imer­sos na outra lín­gua.


Fora a qua­li­dade do ­ensino em si, os pais pre­ci­sam levar em conta o tipo de ­ambiente que pro­cu­ram. As esco­las bilín­gües ­atraem um ­público de ní­vel socio­econômico alto. As men­sa­li­da­des che­gam ao dobro das cobra­das em colé­gios con­ven­cio­nais. Pais e ­filhos devem se pre­pa­rar para essa rea­li­dade.


Como em qual­quer outro campo da edu­ca­ção, os pais têm papel fun­da­men­tal no apren­di­zado de uma ­segunda lín­gua. Não é neces­sá­rio que a famí­lia con­verse em outro ­idioma, mas ela pre­cisa deixá-lo apa­re­cer em casa. É que os peque­nos apren­dem com faci­li­dade, mas tam­bém per­dem o conhe­ci­mento adqui­rido com rapi­dez, caso não seja uti­li­zado. "A ­criança bra­si­leira raramente precisa usar a ­segunda lín­gua, e isso pode ser muito frus­trante para ela", ­alerta Bette ­Roselli, da PUC. Para os pais que não falam o ­segundo ­idioma, a reco­men­da­ção é pro­vi­den­ciar pro­gra­mas de TV, fil­mes, músi­cas ou ­livros para os ­filhos.


Outra opção são as esco­las inter­na­cio­nais, que aten­dem famí­lias de diplo­ma­tas e expa­tria­dos. A maio­ria segue o cur­rí­culo do outro país total­mente no seu ­idioma, acom­pa­nha o calen­dá­rio de ­férias e feria­dos de lá e, em por­tu­guês, ofe­rece ape­nas aulas de língua por­tu­guesa, geo­gra­fia e his­tó­ria do Bra­sil. Nes­sas ins­ti­tui­ções, o apren­di­zado da ­segunda lín­gua ­ocorre ainda mais rapi­da­mente, pois todas as ati­vi­da­des são rea­li­za­das nela - inclu­sive a pri­meira alfa­be­ti­za­ção. Mas é impor­tante res­sal­tar que mui­tas não têm uma preo­cu­pa­ção sig­ni­fi­ca­tiva com o ves­ti­bu­lar, já que um ­grande ­número de seus alu­nos ­deseja cur­sar uma uni­ver­si­dade fora do país.

Fonte: educarparacrescer.abril.com.br


TAGS: idiomas, crianças, capacidade, carga horparia, escolas

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