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Inglês na educação básica: por quê e para quê?


8 de junho de 2011


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Não há como negar que frequentar a escola dentro da atual sociedade é fundamental, ou ainda, indispensável para o desenvolvimento dos indivíduos e da sociedade. Mas, será que realmente se sabe para que estudar, por que estudar ou aprender, com qual finalidade?

Em relação à disciplina de Língua Inglesa, será que professores, alunos e sociedade em geral reconhecem ou sabem como tem funcionado essa disciplina no currículo escolar, tendo em vista as condições reais de nossa sociedade e do exercício profissional?

É comum ouvirmos – "preciso aprender inglês para conseguir um bom emprego", "para viajar para o exterior" ou, ainda, muitos justificam sua presença no currículo escolar, por estar inserida no cotidiano dos alunos, se fazer presente na linguagem do computador, dos jogos virtuais, no vocabulário nosso de cada dia.

Contudo, aprender inglês vai muito além. Não podemos reduzir o seu ensino-aprendizagem a uma abordagem instrumental. Aprender língua não é apenas dominar o código - as suas regras ou estruturas gramaticais. Aprender língua não é apenas ter fluência, saber falar como um nativo.

Ao se apropriar de uma língua estrangeira, o indivíduo pode olhar o mundo de uma forma diferente, ver outros modos de ressignificá-lo. Isso porque, ao aprendermos uma língua, aprendemos além de seu código, aprendemos tudo aquilo que a constitui – a cultura, outros modos de retratar a realidade. É por meio da linguagem que nos colocamos no mundo, que produzimos sentidos, que nos relacionamos, que mediamos nossas relações com o outro, que exercemos poder.

Por isso, pensar no ensino de língua estrangeira evoca ressignificar sua presença no currículo fazendo valer sua função social, é preciso deixar a margem a ideia de um ensino de língua pautado na concepção de língua como sistema, como estrutura inflexível e invariável, como código e fazer valer o ensino que leve o aluno a usar a língua para compreender a realidade e situar-se na vida social.

O objetivo tão discutido da escola, o de formar cidadãos críticos, equivale a dizer que, na disciplina de língua inglesa, é concebível ao se tomar a linguagem como fenômeno social.

A sala de aula torna-se, dentro dessa perspectiva, um ambiente propício para se analisar os vários discursos que circulam socialmente e como esses discursos carregam valores, ideologias, forças que são exercidos por meio da linguagem.

É possível levar o aluno a ver que aprender língua não é apenas aprender gramática, é muito mais complexo e significativo, na medida em que entendemos que todas as relações humanas são realizadas por meio da linguagem e que agimos, nos constituímos com a mesma. Só, assim, fará sentido a aprendizagem dos elementos gramaticais, não como uma decoreba de nomes que só servem para tirar nota boa na prova, mas como elementos que são mobilizados nos textos para produzir sentidos.

Dessa forma, ao ensinar e aprender língua tem-se a possibilidade de ampliar percepções de mundo, de se posicionar criticamente em relação a si e em relação ao outro, de ter consciência da própria cultura e também da cultura do outro.

Mas, não pense que se encerram aqui as vantagens de se aprender inglês. Pesquisadores do Reino Unido e Itália fizeram imagens por ressonância magnética funcional do cérebro e constataram que os bilíngues têm uma densidade maior da chamada "massa cinzenta" na região cerebral conhecida como córtex parietal inferior esquerdo.

Sob o ponto de vista neurológico, aprender uma segunda língua modifica a anatomia do cérebro. E, quanto mais cedo se aprende, maior a modificação, segundo pesquisa relatada pela Revista Científica Britânica Nature, em 2004.

Portanto, não há como negar a importância da presença dessa disciplina no currículo escolar, mas precisamos, por meio das práticas escolares, permitir que seja vista com sua real função e relevância.


Juliana Orsini da Silva

Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Londrina, professora de língua inglesa nos ensinos fundamental, médio e superior

http://www.odiario.com/opiniao/noticia/427208/ingles-na-educacao-basica-por-que-e-para-que

 

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