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Renda sobe mais para quem não tem diploma

Remuneração do assalariado com ensino médio tem crescido, enquanto de quem tem curso superior estagnou


24 de outubro de 2011


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Enquanto empresas reclamam da falta de profissionais qualificados, pesquisas mostram que os maiores

Enquanto empresas reclamam da falta de profissionais qualificados, pesquisas mostram que os maiores

Enquanto empresas reclamam da falta de profissionais qualificados, pesquisas mostram que os maiores reajustes salariais têm sido destinados a quem não tem curso superior. Já a renda média de quem tem diploma universitário está praticamente estagnada.

Em 2007, quem tinha curso superior ganhava 168% mais do que aqueles que pararam no ensino médio, segundo um estudo da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico). Dois anos depois (dado mais recente), o número caiu para 156%.

Isso ocorre porque a remuneração dos menos instruídos tem subido mais do que a dos diplomados. De 2003 a 2010, a renda dos que têm curso superior aumentou apenas 0,3%, enquanto a da população ocupada em geral, 19%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Para especialistas, um dos fatores que explicam esse movimento é a política de reajuste do salário mínimo, que leva em consideração não apenas a inflação, mas o crescimento do PIB (produto interno bruto). "O salário mínimo vai aumentar 14% no ano que vem. Provavelmente vai ser o maior reajuste de todos", afirma o pesquisador Arnaldo Mazzei Nogueira, professor da FEA-USP e da PUC-SP.

Com o aumento do mínimo, os sindicatos passam a pressionar também por elevações maiores nos pisos das categorias, explica o economista Sérgio Mendonça, do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos). O resultado é um reajuste maior para os cargos mais baixos e um pouco menor para as funções médias ocupadas por quem tem curso universitário.

Mendonça observa, ainda, que a maior parte das vagas criadas nos últimos anos oferece uma remuneração entre dois e três salários mínimos e não exige diploma. Entre 2006 e 2010, foram gerados 2,1 milhões de empregos para quem tem superior completo e 6 milhões para quem tem nível médio.

Diploma insuficiente
Outro fator que explica a estagnação salarial da população com curso superior é o fato de que cada vez mais pessoas entram nesse grupo - e nem todas obtêm um aumento de remuneração assim que concluem o curso.

"Ultimamente, ocorreu uma grande proliferação de cursos [superiores], alguns deles com qualidade contestável", afirma Constantino Cavalheiro, diretor da Catho Educação. "Deve ser observado até que ponto um profissional, mesmo com um certificado, apresenta o conhecimento e as qualificações de que as empresas necessitam."

Quando não é acompanhado pelo desenvolvimento de outras qualificações, o curso superior em muitos casos tem servido para gerar mão de obra em cargos operacionais, que exigem muita repetição e pouca análise. "Existem pessoas com curso superior de engenharia que trabalham na linha de montagem", conta Nogueira.

Com o aumento do número de pessoas que terminam o ensino médio e o superior, há, também, uma proporção cada vez maior de pessoas instruídas entre os desempregados. Em março de 2002, 37% dos desempregados tinham pelo menos 11 anos de estudo; em agosto de 2011, essa proporção era de 55%.

Apesar de a diferença entre os salários dos diplomados e dos não diplomados ser cada vez menor no Brasil, ela ainda é alta em comparação com países mais ricos e menos desiguais. Nos Estados Unidos, quem tem diploma universitário ganha 79% mais do que quem não tem; na Suécia, 26%.

"Provavelmente está havendo uma distribuição de renda [no Brasil] entre os assalariados, mas sem tocar nos ganhos de capital", avalia Nogueira.

Fonte: Jornal Estadão


TAGS: diploma, curso superior, profissionais, salários

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