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Se o RH não intervier logo...


27 de janeiro de 2010


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Você pode achar que o profissional de Recursos Humanos nada tem a ver com a imagem de uma empresa. No entanto, indiretamente, tem sim. Se partirmos do principio que para trabalhar essa imagem é preciso um profissional, então o RH é quem irá contratar esse profissional. Porém, para tristeza geral, no atual contexto de mercado, existem áreas que estão fugindo ao controle do RH e afetando, em muito, a imagem da empresa.

Vou dar um exemplo: recentemente, uma profissional foi chamada por uma empresa de promoções, cujo trabalho seria, em caráter temporário, vender produtos de uma grande multinacional da área de alimentos. Na ocasião, a contratante da empresa (de promoções) explicou o trabalho e fez uma clara observação no final do papo: se fosse feito um bom trabalho, o profissional poderia ser contratado pela companhia X (a famosa multinacional).

Houve então um “treinamento” para a nova equipe de vendas, onde tudo o que foi passado aos temporários eram cópias de folhetos, cartazes, mapas de regiões, enfim, tudo! Não bastando todo material estar em cópia, deram um telefone com função rádio que devia ter uns cinco anos e não funcionava! Ah, e um crachá com o nome da empresa de promoções em destaque e o da empresa cliente bem pequenino!

Sabe qual o mote do “treinamento”? Eles deveriam chegar aos pontos de vendas e dizer que os produtos da empresa X (a famosa multinacional) eram muito melhores do que os do concorrente, que a empresa era Premium, a melhor do mercado, dava total assistência aos clientes, rápida reposição de produtos, etc, etc, e não tinham um folheto sequer para deixar com o provável cliente. Inclusive, nem crachá com o logo da empresa, muito menos um cartão de visitas!

Em um comentário dessa profissional com o supervisor de vendas (da famosa empresa) a respeito dessas falhas, até ele ficou constrangido, porém disfarçou e mudou de assunto. Também informou que a questão de eventual contratação não era verdadeira.

Entendo que as empresas passaram a reduzir custos de headcount e terceirizar grande parte dos serviços, utilizando-se de artimanhas como a contratação de cooperativas ou pequenas empresas, onde “limpa” a folha de pagamento, diminui sensivelmente os impostos e delega a responsabilidade de certos trabalhos, em alguns casos o hard work (ou trabalho duro, como alguns chamam). Tudo isso poderia ser muito bem aceito, desde que houvesse uma supervisão eficiente, e não fosse só uma saída visando a economia de custos.

A redução de custos é bastante válida, no entanto, profissionais na rua com esse tipo de “treinamento”, como no caso dessa empresa de promoções, podem ser um “tiro no pé”, já que ganham pouco, não recebem material adequado, não recebem treinamento adequado e acabam virando uma espécie de propaganda negativa da empresa juntos aos prováveis clientes. Mas isso, infelizmente, tem se tornado rotina.

Um segmento que vem se utilizando de expedientes como esse, é o da telefonia celular. A maioria de posições que estão à disposição no mercado é para profissionais que concordem em ganhar pouquíssimo, trabalhar muito, ganhar algum vale, qualquer coisa: utilizar o próprio carro, celular e laptop ou desktop! Também não precisam ir ao escritório e podem trabalhar em casa, onde ficam às próprias expensas, claro!

Sem querer ser muito pessimista, sinceramente, não acredito que pessoas que concordem com esse tipo de propostas sejam bons profissionais. Ou pegam “o trampo” porque precisam ganhar algum dinheiro para se manter, ou porque “é o que apareceu”, e na primeira oportunidade melhor, dão um adeus e caem fora da empresa.

Esse troca-troca de pessoas, esse rodízio generalizado, não faz nada bem para qualquer empresa. Os profissionais não têm motivação para “vestir a camisa”, não recebem um treinamento, não criam nenhum vínculo ou raízes com a empresa, conseqüentemente, não tem comprometimento.

Temos hoje as terceirizações do telemarketing (call center), área de vendas, informática, promoções, propaganda, assessoria de imprensa, contabilidade, alguns até a administração de rotina de um negócios, recepcionistas, telefonistas, segurança, limpeza, motoristas, transportes, logística, estoques etc. Muitas áreas de grandes (e pequenas também) empresas hoje estão terceirizadas.

Nessa roda-viva, o RH precisa frear internamente esses ímpetos de terceirizar tudo, fazendo contratações irregulares e totalmente sem treinamento dos profissionais. Deve buscar opções que atendam às necessidades da empresa e não delegar as atribuições de contratações das terceirizadas aos departamentos. Você já viu um homem de vendas, com metas a cumprir, ser totalmente seguidor de normas e procedimentos? Sem nenhum demérito à categoria, eles são verdadeiros “tratores”, porque gente mansa, boazinha, seguidora de padrões e regulamentos, não serve mesmo para ser vendedor.

Tenho acompanhado bastante a área de Recursos Humanos e vejo que está de novo bastante prestigiada, só falta perder o medo de bater na mesa e dizer: basta de tanta irregularidade! Ou a área serve para contratar e treinar, ou a imagem não resistirá ao tempo e às pressões. Com a palavra, os administradores de RH!

Por: Edson Lobo, Jornalista com especialização em Administração de Marketing e Propaganda.

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Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

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