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Voz fina demais tem tratamento

Essa condição, que afeta muitos homens, o pode ser revertida com exercícios orientados por um especialista


2 de fevereiro de 2012


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Voz fina demais tem tratamento

Voz fina demais tem tratamento

Em 30 anos de consultório, a fonoaudióloga Sílvia Pinho, de São Paulo, já perdeu as contas de quantos pacientes já a procuraram com o sonho de tornar a voz mais grave. O rol de descontentes abriga jovens e homens feitos, muitos deles infelizes com a emissão de um som que não faz jus a um rosto barbado. A ala masculina que enfrenta o problema não raro fica refém da timidez e das piadas dos amigos — afinal, a voz aguda costuma ser um entrave ao convívio social. A boa notícia é que o transtorno pode receber um ponto final.


Antes de fechar o cerco ele, porém, médicos e fonoaudiólogos precisam saber sua causa. E, muitas vezes, a origem do tom agudo está na adolescência. “Nessa fase, a voz do menino fica mais grave porque as cordas vocais, estimuladas pela testosterona, se alongam”, explica Sílvia Pinho, que é diretora da Invoz Comunicação e Voz Profissional, na capital paulista. Até que o padrão sonoro, por assim dizer, se estabilize, o garoto passa por um período de desafino — a chamada muda vocal.


No entanto, parte da molecada sofre com a repercussão da nova entonação que está surgindo — são brincadeiras da família, dos conhecidos... E, para evitar que o tom mais grave prevaleça, costuma reter a emissão do som, produzindo uma espécie de falsete. “A questão é que, com o tempo, ele se acomoda a esse tipo de voz”, diz Sílvia. Resultado: voz fina permanece mesmo depois do fim da adolescência, perdurando por toda a vida. “Já atendi um paciente de 87 anos com o problema”, conta Sílvia.


Mas dá para reverter o transtorno bem cedo. Onde? No consultório do fonoaudiólogo. “Existem exercícios específicos que trabalham as pregas vocais”, diz Sílvia. Após algumas sessões, quem convive com o paciente notará a mudança no seu cartão de visitas sonoro. Nem sempre, porém, a voz é fina por esse motivo. Desordens hormonais — que, vale lembrar, repercutem em todo o corpo — e pregas vocais naturalmente menores contribuem para que o som seja mais agudo. Nesses casos, equilibrar os níveis de hormônio e realizar exercícios fonoaudiológicos focados na caixa de ressonância (boca, língua, lábios), respectivamente, são as estratégias certeiras.


Há quem também necessite de cirurgia, como portadores de sulcos vocais, alterações nas cordas carregadas desde a infância. É como se fossem calos congênitos. “Eles tornam a voz mais rouca e fina”, diz Sílvia. Algumas situações especiais, motivadas por defeitos nas pregas, podem ser resolvidas por uma espécie de plástica vocal, a tireoplastia, que promove o encurtamento dessas estruturas. A maioria dos casos, no entanto, não requer o bisturi. Só que, além do tratamento fonoaudiológico, é necessário o apoio dos indivíduos mais próximos ao paciente – leia-se: familiares e amigos. Assim como o seu dono, eles se acostumarão aos poucos com a gravidade da nova voz.

Fonte: saude.abril.com.br


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