Sintomas articulares crônicos em idosos
1 de janeiro de 2008
Reumatismo é uma denominação utilizada para designar problemas de saúde, que acometem as articulações e estruturas ósteo-musculares adjacentes, associados à dor e rigidez articular. O reumatismo representa a condição crônica mais indicativa de limitações de atividades físicas, principalmente mobilidade e auto-cuidado. Mais de 100 doenças classificadas internacionalmente podem ser relatadas como reumatismo, entretanto a osteoartrose representa a afecção mais freqüente, correspondendo cerca de 70% dos casos de reumatismo. A osteoartrose acarreta importante impacto econômico, em termos de incapacidade e custo da assistência aos indivíduos acometidos pela doença. A osteoartrose pode ser definida através de sintomas ou alterações radiológicas, entretanto muitos indivíduos com evidência radiográfica de osteoartrose não apresentam sintomas. A osteoartrose acomete principalmente joelhos, mãos e quadris, e este padrão de envolvimento articular varia com a idade e sexo. Em inquérito realizado na comunidade, a prevalência de osteoartrose nas mãos, joelhos e quadris após os 30 anos aumentou progressivamente e se estabilizou após os 65 anos. Antes dos 50 anos, a prevalência de osteoartrose na maioria das articulações é um pouco maior nos homens do que nas mulheres. Após os 50 anos, a prevalência de osteoartrose dos joelhos e mãos torna-se maior nas mulheres. Gustavo P M Machado e colaboradores, no Núcleo de Estudos em Saúde Pública e Envelhecimento (NESPE) do Centro de Pesquisa René Rachou (Fiocruz), e da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, avaliaram a prevalência e os fatores associados a reumatismo/sintomas articulares crônicos na população de idosos de Bambuí, Minas Gerais. Os autores realizaram um estudo transversal de base populacional entre 1606 idosos (>=60 anos). Reumatismo foi assim definido: a) relato de diagnóstico médico de reumatismo; b) relato de sintomas crônicos nas mãos e joelhos (SCMJ). Utilizou-se a regressão logística múltipla para investigar associação independente entre reumatismo/sintomas crônicos e fatores selecionados. Resultados: A prevalência de SCMJ foi de 44,2%, e de reumatismo diagnosticado por médico foi de 25,3% (15,3% nos homens e 31,9% nas mulheres). SCMJ esteve negativamente associado ao sexo (masculino) e à escolaridade (>= 8 anos); e positivamente associado a índice de massa corporal (25-29, 30-34, >=35 kg/m2), relato de infarto do miocárdio, sintomas de acidente vascular cerebral e relato de doença de Chagas. Conclusões: Os resultados são coerentes com a literatura internacional, no que se refere à maior prevalência de reumatismo em mulheres obesas e de escolaridade mais baixa. A associação de SCMJ com algumas condições clínicas podem estar relacionada ao maior uso de serviços de saúde motivado pelas mesmas e necessita de maiores investigações em estudos futuros. A identificação destas características dos idosos residentes na comunidade com maior prevalência de reumatismo pode fornecer subsídios para organização de programas de assistência à saúde, para esta faixa etária da população.
Fonte: Rev Assoc Med Bras.
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