(1)
(20)
26 de janeiro de 2011
RESUMO
A maioria dos defensores e críticos do Sistema de Metas de Inflação brasileiro acredita que este é operado da forma descrita pelo modelo do "novo consenso" ou "nova síntese neoclássica" de autores como J. Taylor, Blinder e P. Romer (Romer, 2000). Neste artigo, eu gostaria de expor minha visão sobre como funciona de fato o sistema e quais são os dilemas de política econômica que surgirão se a economia brasileira for retomar uma trajetória de desenvolvimento sustentado, com taxas de crescimento elevadas, maior inclusão social e redução das desigualdades.
A VISÃO CONSENSUAL
A visão consensual do regime de metas de inflação pode ser sintetizada em três proposições: a) o núcleo ou tendência da inflação é resultado de choques de demanda; b) a taxa de juros é operada com o objetivo de controlar a demanda agregada; c) alguma variação na taxa de câmbio ocorre como um efeito colateral das mudanças na taxa de juros.
Apesar de sua ampla aceitação, estas três proposições básicas, a rigor, só se sustentam se quatro pressupostos fundamentais do modelo teórico do "novo consenso" forem válidos. Estes pressupostos são: 1) que o hiato do produto (e/ou do emprego) afeta a inflação de forma sistemática; 2) que os choques inflacionários têm persistência total, isto é, os coeficientes de inércia e de expectativas inflacionárias, somados, se igualam à unidade; 3) que o produto potencial é independente da evolução da demanda; 4) que os choques de custo são aleatórios, causados, por exemplo, por safras agrícolas abundantes ou excepcionalmente fracas.
Somente se estes quatro pressupostos forem válidos a visão consensual faz sentido. Os pressupostos 2) e 3) implicam que o Banco Central deve se preocupar exclusivamente com a meta de inflação, pois a política monetária é neutra e a longo prazo não afeta nem o produto nem a capacidade produtiva da economia. Os demais pressupostos garantem a possibilidade de atingir a meta da inflação controlando a evolução da demanda agregada (pressuposto 1) e que não se pode (nem se deve) fazer muito para alterar a inflação de custos (pressuposto 4). O pequeno problema é que, no caso da economia brasileira no período de 1999 até os dias atuais, nenhum destes quatro pressupostos se sustenta.
PARA LER O ARTIGO NA INTEGRA ACESSE O ARQUIVO ABAIXO.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
SERRANO, Franklin. Juros, câmbio e o sistema de metas de inflação no Brasil. Rev. Econ. Polit. [online]. 2010, vol.30, n.1, pp. 63-72.
Comentários
(1)
(20)