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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010 às 9:59h

Em quinze anos, o uso de enxaguantes bucais cresceu 2.277% é o que mostra um levantamento feito pela Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo) entre 1992 e 2007. O consumo indiscriminado é um dos principais motivos desse crescimento nas vendas. Um dos maiores problemas para a saúde oral com o uso frequente de enxaguatórios bucais com álcool é o aumento nos riscos de câncer de boca e da faringe.
“A boca é uma região com pouca proteção sobre as células em razão do epitélio mucoso. Adquire uma resistência grande, em função do contato com alimentos, mas apesar disso as células continuam sujeitas a alterações no DNA”, relata o farmacêutico e tutor do Portal Educação, Ronaldo de Jesus Costa. Segundo ele, o álcool é capaz de interagir diretamente com o núcleo celular e provocar alterações. Uma prova disso é a elevada incidência de câncer de boca e garganta.
Uma grande parte dos produtos comercializados no Brasil contém álcool. Segundo pesquisadores, algumas marcas chegam a apresentar 26% da substância, o que preocupa, já que a maioria das pessoas usa todos os dias. O álcool não é um agente causador de câncer, mas uma enzima do organismo o transforma em acetaldeído, substância que pode alterar as células da boca e causar tumores na região.
Conforme a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os fabricantes são obrigados a informar na embalagem a presença de álcool na composição.