(1)
(20)
21 de dezembro de 2010
A sífilis é uma doença infecciosa humana produzida por uma espiroqueta, o Treponema pallidum. Pode ser transmitida sexualmente, por transfusão sanguínea ou perinatal.
Após um período de incubação que varia de 10 a 90 dias, ocorre em 85% dos pacientes, o surgimento de um cancro, que é uma lesão solitária e indolor, caracterizando a sífilis primária.
Aproximadamente 4 a 10 semanas após o aparecimento do cancro, surgem sintomas como perda de peso, cefaléia, anorexia, mialgia, artralgia, mal-estar, febre baixa, linfadenopatia generalizada e exantema (presente em 75 a 100% dos casos), o que caracteriza sífilis secundária. Podem ocorrer também neste estágio manifestações de comprometimento como sífilis latente, caracterizado por testes sorológicos positivos e ausência de achados clínicos, com duração de 1 a 2 anos. Sem tratamento, cerca de 1/3 dos pacientes apresenta sífilis terciária, que pode manifestar-se como sífilis cardiovascular (10%) ou neurossifilis (8 a 10%).
O Treponema pallidum, induz o organismo a formar dois tipos de anticorpos, os não treponêmicos ou reaginas (inespecíficos) e os treponêmicos (específicos).
Os testes não-treponêmicos são o RPR (Rapid Plasma Reagin) e o VDRL (Veneral Disease Research Laboratory) desenvolvido por Harris, Rosenberg e Riedel em 1940, são capazes de detectar os anticorpos inespecíficos ou reaginas encontrados no soro, plasma ou líquido cefalorraquidiano de pacientes com sífilis através da floculação do antígeno.
O fundamento da técnica do VDRL é baseado na aglutinação indireta, em que se utiliza uma suspensão antigênica alcoólica de cardiolipina, cristais de colesterol e lecitina, preparada em salina tamponada, e é empregada para a pesquisa de anticorpos anticardiolipina, chamados reaginas, frequentes na sífilis. Os anticorpos anticardiolipina presentes na amostra interagem com a cardiolipina da suspensão antigênica, formando os imunocomplexos, visualizados no microscópio óptico ou através de uma lupa contra luz indireta.
É importante ressaltar que este teste não é específico para diagnosticar sífilis, e pode ser útil para acompanhamento terapêutico da sífilis.
Os testes treponêmicos são utilizados como confirmatórios para os soros reativos nos testes de triagem, como TPHA (Treponema Pallidum Aglutination), o FTA-Abs (Fluorescent Treponam Antibody Absorption) e ELISA (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay).
O teste mais usual para confirmar a especificidade dos anticorpos é o teste de imunofluorescência indireta FTA-abs, que usa a bactéria íntegra T.pallidum como antígeno. A leitura em microscópio de campo escuro para fluorescência é difícil, pois a espessura do treponema é reduzida. Nos testes positivos, a fluorescência facilita essa visualização, mas nos testes negativos é necessário confirmar que havia antígenos fixados.
Várias empresas disponibilizam o teste ELISA com extrato solúvel total de T.pallidum, de execução automatizada ou semi-automatizada. A maioria detecta anticorpos IgG, mas pode ser adaptada no laboratório para detectar IgM, desde que absorvam os anticorpos IgG da amostra.
Embora o diagnóstico imunológico da sífilis esteja muito bem estabelecido, algumas dificuldades ainda permanecem, como, resultados falso-positivos na triagem com cardiolipina, obtenção de antígenos treponêmicos em larga escala a custo baixo, inexistência de testes comerciais adequados para detectar IgM específica, deficiência de marcadores específicos para acompanhar o tratamento, dificuldade em distinguir infecção curada de ativa, dificuldade de confirmar diagnóstico da forma congênita, assim como, persistência duradoura de anticorpos circulantes após a cura, chamada de cicatriz sorológica.
Autora: Carolina Marlien Duarte da Costa Finotti, Farmacêutica, Tutora EaD Portal Educação
Referência bibliográfica:
VAZ AJ, TAKEI K, BUENO EC. Imunoensaios: Fundamentos e Aplicações. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan, 2007.
Comentários
(1)
(20)