medicamentos
A resistência de bactérias aos antibióticos disponíveis clinicamente se tornou um problema de saúde pública em todo mundo. Além disso, o custo financeiro de uma terapia fracassada por conta de microrganismos resistentes é muito grande, onerando ainda mais os sistemas públicos de saúde. Bactérias resistentes geram nova consulta, novos exames diagnósticos, nova prescrição, sem contar a provável internação e ocupação de leitos hospitalares. Estima-se que, apenas nos Estados Unidos, o custo com resistência bacteriana está em torno de 4 a 5 bilhões de dólares anualmente (DEL FIOL, et al., 2010).
De acordo com Berquo et al. (2004), o emprego crescente e indiscriminado dessas drogas está associado à emergência de cepas microbianas resistentes em todo o mundo. O fenômeno tem suscitado preocupação em virtude da possibilidade de, em um curto espaço de tempo, nos depararmos com dificuldades no tratamento de doenças infecciosas comuns, que remontam à era pré-antibiótica.
O uso abusivo de antimicrobianos deve-se a uma série de fatores. Entre eles, está a dificuldade de se estabelecer a etiologia, viral ou bacteriana. Existem também as expectativas dos pacientes, os quais associam infecção à necessidade de uso de antimicrobianos; as dificuldades práticas da assistência à saúde, onde o profissional não dispõe do tempo necessário para orientar/educar o cliente quanto aos riscos e aos benefícios de utilizar empiricamente essas drogas, ou de discutir as alternativas de tratamento. E, finalmente, a necessidade de resolver, de forma definitiva, a queixa do paciente, evitando retornos indesejados ao sistema de saúde (BERQUO et al., 2004).
O grande responsável pela disseminação dos genes de resistência e, por conseguinte de microrganismos resistentes, é sem dúvida o próprio homem; seja pela atitude nconseqüente ou pela falta de informação, o uso irracional de antimicrobianos tem aumentado, a despeito de todas as publicações, campanhas e informações acerca do fato(DEL FIOL, et al., 2010).
Em seu trabalho, Del Fiol et al. (2010), coloca que o uso indiscriminado e irresponsável de antibióticos, terapêutica ou profilaticamente, humano ou veterinário, passando ainda pelo uso no crescimento animal e propósitos agrícolas, tem favorecido a pressão seletiva, mostrando como resultado a seleção e predominância de espécies bacterianas cada vez mais resistentes.
A resistênciaaos antimicrobianos é um fenômeno genético, relacionado à existência de genes contidos no microrganismo que codificam diferentes mecanismos bioquímicos que impedem a ação das drogas (TAVARES, 2000).
De acordo com Tavares (2000), a resistência das diversas espécies bacterianas aos antimicrobianos é extremamente variável entre os países, regiões e a origem hospitalar ou comunitária das estirpes. Algumas espécies apresentam resistência amplamente difundida em todo o mundo, como é o caso do Staphylococcus aureus, enquanto que outras mantêm em todos os países notável sensibilidade às drogas ativas, como exemplificado pelo Streptococcus pyogenes e as penicilinas.
Segundo Del Fiol et al. (2010) muito grande a utilização de antibióticos sem critérios aceitáveis. A inexistência ou a não utilização de protocolos terapêuticos têm resultado em grande diferença nos padrões de prescrição, levando a insucesso terapêutico e recidivas de infecções - situações frequentemente encontradas no presente estudo.
Por essas razões a Agência Nacional de Vigilância Sanitária criou uma Resolução (RDC Nº 44, DE 26 DE OUTUBRO DE 2010), onde os antibióticos vendidos nas farmácias e drogarias do país só poderão ser entregues ao consumidor mediante receita de controle especial em duas vias. A primeira via ficará retida no estabelecimento farmacêutico e a segunda deverá ser devolvida ao paciente com carimbo para comprovar o atendimento.
As embalagens e bulas também terão que mudar e incluir a seguinte frase: “VENDA SOB PRESCRIÇÃO MÉDICA - SÓ PODE SER VENDIDO COM RETENÇÃO DA RECEITA”.
Jeana Mara Escher de Souza – Farmacêutica – Tutora em EAD.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BERQUO, Laura S; BARROS, Aluísio J D; LIMA, Rosângela C and BERTOLDI, Andréa D. Utilização de medicamentos para tratamento de infecções respiratórias na comunidade. Rev. Saúde Pública [online]. 2004, vol.38, n.3, pp. 358-364. ISSN 0034-8910.
DEL FIOL, Fernando de Sá; LOPES, Luciane Cruz; TOLEDO, Maria Inês de and BARBERATO-FILHO, Silvio. Perfil de prescrições e uso de antibióticos em infecções comunitárias.Rev. Soc. Bras. Med. Trop. [online]. 2010, vol.43, n.1, pp. 68-72. ISSN 0037-8682.
TAVARES, Walter. Bactérias gram-positivas problemas: resistência do estafilococo, do enterococo e do pneumococo aos antimicrobianos.Rev. Soc. Bras. Med. Trop. [online]. 2000, vol.33, n.3, pp. 281-301. ISSN 0037-8682.
RDC Nº 44, DE 26 DE OUTUBRO DE 2010: Disponível em: www.anvisa.gov.br