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28 de outubro de 2010
Dipirona e agranulocitose
A dipirona consiste em um fármaco derivado da pirazolona, cuja ação analgésica e antipirética já foi provada por vários estudos. Dísponível no mercado mundial há cerca de oitenta anos, é comercializada em mais de 100 países e é atualmente o analgésico de venda livre mais utilizado no Brasil.
Dipirona sódica foi sintetizada pela primeira vez em 1884 na Alemanha e foi introduzido no Brasil em 1922, pelo laboratório Hoeschest AG , com nome de marca Novalgina R.
Aspectos de segurança da dipirona, são amplamente discutíveis em vários países, sendo que em muitos o uso desse analgésico já foi banido, como nos EUA, banido em 1977.
Um dos riscos mais proeminentes do uso da dipirona é o aparecimento da agranulocitose, que pode ser definida como contagem de granulócitos inferior a 1500/mm3, podendo manifestar-se por febre, calafrios, dor de cabeça, ulcerações na garganta, no trato gastriintestinal e outras mucosas.
A dipirona é uma das medicações sabidamente associadas a agranulocitose, entretanto, a intensidade desta associação tem sido motivo de muita controvérsia, haja vista sua baixa incidência na população.
Vários trabalhos já foram realizados a fim de avaliarem o risco da dipirona e de outros analgésicos e anti-inflamatórios com a agranulocitose, como por exemplo em um estudo de Andrade et AL (1998) que revisou estudo de quatro analgésicos como dipirona, aspirina, diclofenaco e acetaminofeno com base em quatro aspectos de reações adversas: agranulocitose, anemia aplástica, anafilaxia e hemorragia digestiva. Os dados deste estudo calculou o excesso de mortalidade de cada uma dessas drogas, sendo que o diclofenaco (592 por 100 milhões) e a aspirina (185 por 100 milhões) apresentaram os maiores riscos comparando com o acetaminofeno (20 por 100 milhões) e a dipirona (25 por 100 milhões).
Esses dados foram confirmados, ainda em 1998, pela OMS, e são as bases que a ANVISA usou para manter o “status” da dipirona como medicamento de venda livre no Brasil, no Painel Internacional sobre Segurança da Dipirona realizado em junho de 2001
Considerando os riscos benefícios, a retirada da dipirona do mercado não atende aos interesses da população, já que sua eficácia como analgésico e antitérmico é cientificamente comprovada, além de que os estudos mais recentes demonstraram que os riscos da dipirona são similares ou menores do que o de outros analgésicos disponíveis.
O risco embora pequeno é existente, e para se evitar problemas futuros é indispensável que a dipirona seja utilizada com bom senso e equilíbrio, avaliando-se sempre o grau de risco em cada caso e em comparação com outros fármacos.
Autora: Carolina Marlien Duarte da Costa Finotti, Farmacêutica, Tutora EaD Portal Educação
Bibliografia:
ANDRADE, S.E; MARTINEZ,C; WALKER,A.M. Comparative safety evaluation of non-narcotic analgesics. J. Clin. Epydemiol. V.51, n.12, p. 1357-1365,1998.
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