Hepatite
As hepatites virais são um grave problema de saúde pública, com elevada freqüência de infecções inaparentes e alto custo de diagnóstico etiológico, o que dificulta a realização de estudos que permitam conhecer sua magnitude e monitorar sua ocorrência, para subsidiar estratégias de prevenção e controle (GAZE et al., 2002).
De acordo com Ferreira e Silveira (2004), as hepatites virais são doenças causadas por diferentes agentes etiológicos, de distribuição universal, que têm em comum o hepatotropismo. Possuem semelhanças do ponto de vista clínico-laboratorial, mas apresentam importantes diferenças epidemiológicas e quanto à sua evolução. Os últimos 50 anos foram de notáveis conquistas no que se refere à prevenção e ao controle das hepatites virais. Os mais significativos progressos foram a identificação dos agentes virais, o desenvolvimento de testes laboratoriais específicos, o rastreamento dos indivíduos infectados e o surgimento de vacinas protetoras.
As hepatites virais constituem um importante problema de saúde pública no Brasil e no mundo. Descobertas e progressos notáveis, em relação à patogênese, prevenção e tratamento, foram feitos nas 3 últimas décadas. O desenvolvimento de vacinas para prevenir essas infecções, através da indução de imunidade ativa contra os vírus das hepatites A e B, foi uma das maiores conquistas científicas. Entretanto, morbidade e letalidade decorrentes dessas doenças ainda persistem. Nos EUA, no ano de 2003, 61.000 indivíduos foram infectados pelo vírus da hepatite viral A (VHA) e 73.000, pelo da hepatite B1. No Brasil, o Ministério da Saúde estima que 15% da população já esteve em contato com o vírus da hepatite B (VHB) e que, em média, cerca de 60% dos indivíduos apresentam anticorpo anti-VHA. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), por outro lado, estima que mais de 90% da população maior de 20 anos tenha sido exposta ao vírus e avalia a infecção pelo VHA, no Brasil, em aproximadamente 130 casos novos por 100 mil habitantes/ano (FERREIRA e SILVEIRA, 2006).
A grande importância das hepatites não se limita ao enorme número de pessoas infectadas; estende-se também às complicações das formas agudas e crônicas. Os vírus causadores das hepatites determinam uma ampla variedade de apresentações clínicas, de portador assintomático ou hepatite aguda ou crônica, até cirrose e carcinoma hepatocelular. Considerando que as conseqüências das infecções são diversas, na dependência do tipo de vírus, o diagnóstico de hepatite, nos dias atuais, será incompleto, a menos que o agente etiológico fique esclarecido (FERREIRA e SILVEIRA, 2004).
Atualmente, as hepatites virais (HV) são agravos à saúde de elevada magnitude e gravidade em todo o mundo.8 Em pacientes hemofílicos, falcêmicos e talassêmicos, as hepatites por transmissão transfusional são uma das principais comorbidades e causas de óbito. A adoção de critérios rigorosos na seleção de doadores, a elevada sensibilidade da triagem sorológica e os processos de inativação viral utilizados na produção de hemoderivados levaram à redução do número de casos novos. No entanto, observa-se aumento da prevalência devido, em grande parte, ao diagnóstico de infecções antigas antes indetectáveis (GAZE et al., 2006) .
Segundo Gaze et al. (2006), os conhecimentos e práticas dos profissionais da atenção básica à saúde devem contribuir para reduzir o impacto da disseminação dessas infecções por meio de ações de preservação da saúde, como a vacinação contra a hepatite B de hemofílicos, falcêmicos, talassêmicos, portadores de hepatite C crônica, parceiros sexuais e contatos domiciliares de portadores do VHB. Embora os médicos assistentes desses portadores possam orientá-los quanto à importância da vacinação, é na rede básica que esta se encontra disponível. É necessário que as equipes da vigilância em saúde tenham conhecimento destas indicações, viabilizando oportunamente o acesso a esse imunobiológico.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
FERREIRA, Cristina Targa and SILVEIRA, Themis Reverbel da. Hepatites virais: aspectos da epidemiologia e da prevenção. Rev. bras. epidemiol. [online]. 2004, vol.7, n.4, pp. 473-487.
FERREIRA, Cristina Targa e SILVEIRA, Themis Reverbel da. Prevenção das hepatites virais através de imunização. J. Pediatr. (Rio J.) [online]. 2006, vol.82, n.3, suppl., pp. s55-s66.
GAZE, Rosangela; CARVALHO, Diana Maul de e WERNECK, Guilherme Loureiro. Soroprevalência das infecções pelos vírus das hepatites A e B em Macaé, Rio de Janeiro, Brasil. Cad. Saúde Pública [online]. 2002, vol.18, n.5, pp. 1251-1259.
GAZE, Rosangela; CARVALHO, Diana Maul de e TURA, Luiz Fernando Rangel. Informação de profissionais de saúde sobre transmissão transfusional de hepatites virais. Rev. Saúde Pública [online]. 2006, vol.40, n.5, pp. 859-864.