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18 de junho de 2010
microbiologia
Microbiologia
A microbiologia ( do grego: micros - pequeno, bios - vida) é o ramo da ciência biológica que estuda os seres microscópicos nos seus mais variados aspectos como morfologia, fisiologia, reprodução, genética, taxonomia e também sua interação com os outros seres vivos e meio ambiente.
Os primórdios da microbiologia podem ser registrados em 1675, quando na Holanda, Antony van Leeuwenhoek descreveu “pequenos animais” encontrados na água da chuva estagnada observados através de seu microscópio caseiro, posteriormente identificados em sua maioria como protozoários. Ao longo do século XVIII novos microorganismos foram descobertos com o aprimoramento dos microscópios, porém não se estabeleceu relação biológica destes com outros seres. No entanto, um grande marco dessa ciência certamente data de 1841, quando empiricamente Ignaz Semmelweis em Viena, constata a possibilidade de transmissão interpessoal de agentes microscópicos por contato direto e a implicação destes em doença para o ser humano. O fato foi suposto em uma maternidade, onde a ausência de conhecimento sobre antissepsia das mãos foi responsável por um grande aumento de sepse puerperal, sendo que após instituir medidas higiênico- sanitárias obteve grande diminuição das mortes também em outros hospitais.
Grandes desenvolvimentos na área se seguiram, como os estudos de Pasteur em 1861 do papel dos fungos na fermentação anaeróbia, a publicação da primeira classificação das bactérias em 1875 por Ferdinand Cohn, a identificação da Neisseria gonorrhoeae como o primeiro patógeno causador de uma doença crônica por Albert Neisser em 1879, o desenvolvimento de meios de cultura, colorações microbiológicas, isolamento do bacilo da tuberculose por Robert Kock e publicação em 1884 dos postulados de Koch, os quais norteiam atualmente o conceito de doença infecciosa. Diversos outros microorganismos foram descobertos na sequência.
Uma nova era se inicia em 1929 com a descoberta da penicilina por Alexandre Fleming, através do isolamento acidental da substância produzida por fungos Penicillium que contaminaram sua cultura de S. aureus e inibiram o crescimento bacteriano. Em 1939 a terapia antimicrobiana em humanos se inicia com a descoberta das sulfonamidas por Gerhardt Domagk, sendo que em 1940 ocorre a produção em escala da penicilina e seu uso clínico disseminado.
Inicia-se então um grande progresso da indústria farmacêutica na área de microbiologia industrial, com investimentos na ciência microbiológica com relação à pesquisa básica e genética, permitindo a produção e desenvolvimento em larga escala de diversos agentes antimicrobianos, principalmente antibacterianos.
No princípio, os diversos novos produtos antimicrobianos suplantaram a capacidade patogênica dos microorganismos. No entanto, com o progresso da medicina e a maior longevidade da população, indivíduos muito debilitados e com condições clinicas crônicas passaram a ocupar leitos hospitalares em internações prolongadas e muitas vezes em cuidados paliativos. A cirurgia sofreu grande avanço, métodos diagnósticos e terapêuticos invasivos passaram a se tornar rotineiros. Diante desse cenário e com o uso muitas vezes indiscriminado e sem critério dos antimicrobianos , a resistência bacteriana se tornou uma realidade cada vez mais complexa, sendo um grande desafio o manejo de infecções hospitalares, principalmente em ambientes de Terapia Intensiva. Alguns grupos de microorganismos com desenvolvimento de resistência podem classicamente ser ressaltados: os Staphylococcus aureus metilicina-resistentes (MRSA), Streptococcus pneumoniae penicilina-resistentes (PRSP), Enterococcus spp resistentes à vancomicina (VRE), Staphylococcus com resistência intermediária aos glicopeptídeos (GISA), Staphylococcus aureus totalmente resistentes à vancomicina (VRSA), gram negativos produtores de betalactamases de espectro ampliado (ESBL) com resistência às celalosporinas de terceira e quarta gerações.
Enfrenta-se assim, atualmente, a chamada era da resistência microbiana (parodiando a clássica “era dos antibióticos”).
Nesse contexto, também se observa o fenômeno entre os fungos patogênicos em ambiente hospitalar. Os antimicóticos parenterais foram objeto de menor pesquisa farmacêutica ao longo dos anos e muitos deles são ainda muito tóxicos. Não obstante, a resistência dos fungos tem crescido ao longo dos anos, justificando o desenvolvimento de novos produtos como a caspofungina.
A microbiologia na área da virologia também não tem sido menos importante nos últimos anos. Basta relembrarmos a pandemia da gripe espanhola de 1918, o ebola na África,o vírus HIV em todo o mundo, a gripe aviária e atualmente a gripe suína.
Por último, a microbiologia abrange ainda o estudo das aplicações industriais dos microorganismos, como alimento, fermentação entre outros, embora a tendência atual seja deixar essa função para a biotecnologia.
Autora: Carolina Marlien Duarte da Costa Finotti, Farmacêutica, Tutora EaD Portal Educação
Bibliografia
TRABULSI, LR et al. Microbiologia. 3.ed. São Paulo: Editora Atheneu, 1999.
ROSSI, F; Andreazzi, DB. Resistência Bacteriana: Interpretando o Antibiograma. São Paulo: Editora Atheneu, 2005.
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