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Toxicologia: um sinal de alerta


20 de maio de 2010


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toxicologia

A toxicologia consiste em uma ciência que estuda as intoxicações, os produtos tóxicos que a produzem, a sintomatologia e suas conseqüências, seus antídotos, assim como, seus métodos analíticos.

A intoxicação é conhecida desde o homem primitivo que em contato com a natureza como seu meio de sobrevivência, passou a ter conhecimento de substâncias providas de plantas e animais que poderiam ser maléficas a sua vida, caracterizando a fase do descobrimento da toxicologia. Um dos documentos mais antigos, o Papiro de Ebers (1500a.c), registra uma lista com cerca de 800 ingredientes ativos, incluindo metais como cobre e chumbo, veneno de animais e diversos vegetais tóxicos.

Com o passar dos tempos o homem passou a estudar os venenos como meio de suicídio, como instrumento de caça ou arma contra os inimigos. Essa fase primitiva teve com destaque um revolucionário na época, Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus Von Hohenheim- Paracelsus que desenvolveu estudos envolvendo a farmacologia, a toxicologia e a terapêutica, com seu famoso postulado : “ todas as substâncias são venenos, não há nenhuma que não seja veneno. A dose correta diferencia o veneno do remédio” . Essa fase trouxe importantes conclusões para a toxicologia moderna, caracterizada principalmente pelo grande número de intoxicações acidentais.

No âmbito da toxicologia distinguem-se várias áreas de atuação, de acordo com a natureza do agente ou a maneira como este atinge o sistema biológico. Dentre as principais, destacam-se a toxicologia ambiental, ocupacional, de alimentos, de medicamentos e cosméticos e a social.

Atualmente os medicamentos ocupam o primeiro lugar em casos de intoxicação, segundo dados da SINITOX (Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas), fato preocupante, haja vista que a maioria dos acidentes domésticos, principalmente com as crianças, é devido ao acesso fácil aos medicamentos e domissanitários .

O manejo adequado ao paciente intoxicado é a grande preocupação nos atendimentos de urgência toxicológica, que deve contar, com a destreza e agilidade dos profissionais em se estabelecer um diagnóstico e instalar um tratamento eficaz.

Os primeiros sinais de um paciente envenenado, normalmente já trazem indícios do suposto agente tóxico. Exemplarmente, muitas toxinas causam depressão do sistema nervoso central, levando a obnubilação ou coma, que por sua vez acarreta a obstrução das vias aéreas, características mais comuns de morte por superdosagem de narcóticos, barbitúricos, álcool e outros agentes sedativos-hipnóticos, já a hipotensão é bastante comum nos casos de superdosagem de antidepressivos tricíclicos, fenotiazinas, bloqueadores B-adrenérgicos e dos canais de cálcio, teofilina, fenobarbital . Taquicardia, fibrilações ventriculares, arritmias em geral, podem sinalizar uma intoxicação por drogas cardioativas, como as anfetaminas, cocaína, antidepressivos tricíclicos e digitálicos.

É importante frisar que a tentativa de se estabelecer um diagnóstico toxicológico específico não deve retardar a aplicação das medidas de suporte, que geralmente seguem a mesma abordagem independente do veneno envolvido.

Em concomitância às medidas de suporte, que constituem a base do tratamento para o envenenamento e a posterior avaliação mais detalhada para estabelecer um diagnóstico específico, os procedimentos de descontaminação também devem ser realizados, tais como, lavagem da pele com água e sabão, lavagem gástrica, uso do carvão ativado, além do uso de laxativos, com o propósito de acelerar a remoção de toxinas do trato gastriintestinal.

Há no mercado antídotos seletivos para algumas classes de toxinas, que podem ser usados como mais uma medida para a reversão da intoxicação, como por exemplo a atropina administrada para reverter a contaminação dos organofosforados e o bicarbonato de sódio usado contra fármacos cardiotóxicos como os antidepressivos tricíclicos.

Autora: Carolina Marlien Duarte da Costa Finotti, Farmacêutica, Tutora EaD Portal Educação
Referências Bibliográficas:
KATZUNG, Bertram G. Farmacologia Básica e Clínica. 8ªEdição, Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003
OGA, Seizi.Fundamentos de toxicologia.2ªEdição. São Paulo: Atheneu, 2003
SINITOX, Registro de Intoxicações. Disponível em: <http://www.fiocruz.br/sinitox_novo/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=8>
Laboratório de Proteção Florestal. Disponível em: < http:// www . floresta. ufpr.br/~lpf/ind_toxicologia.html >


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